sexta-feira, 20 de junho de 2008

FICHAMENTO: “Sol Negro” – Nicholas Goodrick- Clark

Em sua conclusão o autor Goodrick-Clark aponta para o ressurgimento da extrema-direita aliado aos cultos arianos e ao nazismo esotérico, principalmente nos EUA e Grã-bretanha. Mas esclarece que tal fenômeno não se esgota em si só, na verdade se afirma nas políticas de identidade.
Com a histórica segregação e racismo direcionados aos negros, grupos étnicos exigem políticas governamentais de vantagens e proteção à minoria, como assim se auto-identificam. A partir do momento em que essas exigências são atendidas, práticas de restrições aos brancos começam a ocorrer alimentando o ódio entre os que consideram como raça superior.
Apesar da opinião liberal desses países ser anti-racista, a política ocidental de proteção a um grupo étnico marginalizado alimenta a concepção de raça como uma categoria legítima de identificação grupal.
A ideologia dos grupos de cultos arianos se mostra mais difusa que as do nacional-socialismo, isso se torna, portanto, um alerta, pois o que vemos crescer é um problema sério de imigração vinda dos países do Terceiro Mundo. À medida que os EUA e a Inglaterra recebem esses imigrantes, a intolerância ao multiculturalismo aumenta, fortalecendo a extrema-direita. Essa situação aliada ao crescimento da ideologia ariana pode surtir efeitos perigosos.

O autor faz de fato um alerta:

“Não temos como saber o que reserva o futuro para as sociedades multiculturais do Ocidente, mas a experiência não deu muito certo na Áustria-Hungira, na União Soviética e na Iugoslávia. Os desafios do multirracialismo nos Estados ocidentais liberais são ainda maiores, e é evidente que a ação afirmativa e o multiculturalismo estão levando a uma hostilidade ainda mais difusa contra o liberalismo. De um ponto de vista retrospectivo de um futuro potencialmente autoritário em 2020 ou 2030, esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.” (pág. 401 1º§).

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