UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008
FICHAMENTO:
TEXTO 3 – “A ANATOMIA O FASCISMO” cap. 8 - Roberto O. Paxton
O autor nesse capítulo fecha seu livro, explanando suas conclusões.
O QUE É FASCISMO?
Ele abre esse tópico explicitando que seu objetivo não foi o de buscar uma essência do fascismo, estática e cristalizada, mas acompanhar o processo desde a formação até a tomada do poder. Deixa claro também, que baseado nos 5 estágios por ele proposto, cada fase deve ser analisada e levada em conta. Considera o fascismo como um composto de componentes distintos: conservadorismo, nacional-socialismo e direita radical, por tanto, ele era muito mais uma rede de relações que uma essência fixa.
INTERPRETAÇÕES CONFLITANTES
Após ter visto todo o ciclo, em sua totalidade, ele avalia as muitas interpretações sobre esse tema.
Várias são as interpretações avaliadas por Paxton: o fascismo é um instrumento do capitalismo; opostamente, a comunidade empresarial era vítima dele; respostas psicanalíticas para a obsessão de alguns fascistas (líderes e público), por tanto, o fenômeno é caracterizado por uma psicose; ele é um produto da história, fruto de um desenvolvimento econômico e social desigual; foi possível devido ao surgimento de uma sociedade de massas atomizada, gerada pelo nivelamento urbano e industrial a partir do fim do séc. XIX, vulnerável ao movimento, pois; é uma ditadura desenvolvimentista; é expressão do ressentimento da classe média inferior; uma subespécie do totalitarismo; uma religião política; é uma questão cultural. Chega a conclusão de que tais interpretações são equivocadas, já que são rechaçadas por outros estudos, ou incompletas por não responderem a certos questionamentos.
FONTEIRAS
Nesse tópico, diz sobre a necessidade de se estabelecer fronteiras entre o fascismo e as formas assemelhadas a ele, já que foi um fenômeno bastante copiado em vários lugares do mundo. Ele não pode ser confundido com a tirania clássica, com ditadura militar, ou autoritarismo. Esses fenômenos listados têm características, nas suas manifestações em regimes políticos, comuns ao fascismo, no entanto outras características que lhes são peculiares anulam a hipótese de serem considerados regimes fascistas. O autor enfatiza que essas fronteiras, essas linhas de separação, são bem tênues, bastante sutis e por tanto precisam de profunda análise.
O QUE É O FASCISMO?
Aqui, dá a definição esperada do fascismo:
“(...) definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vítima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais um partido de base popular formado por militares nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.” ( pág.358/359 – 3º §)
Ao final, conclui que o Estágio 1, por ele definido, do fascismo existe, hoje, em todos os países democráticos, inclusive os EUA. Esse nível se caracteriza pelo abandono das liberdades democráticas. Algumas poucas sociedades, segundo ele, chegaram ao Estágio 2, ele o determina como algo próximo do fascismo clássico. Deixa claro que o avanço à tomada do poder depende em grande parte do aprofundamento da crise, mas também, depende de decisões, escolhas humanas dos detentores do poder econômico, social e político. Conclui ainda, que é difícil determinar a forma correta de reagir ao avanço fascista, já que seu ciclo não se replica sempre da mesma forma, mas compreender a forma pela qual ele atingiu o êxito dará chances de reagir de forma mais sensata.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Resenha - 1900 Homo Sapiens
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008
RESENHA – FILME: 1900 HOMO SAPIENS
O Filme Homo Sapiens é um documentário feito pelo diretor sueco, da cidade de Lund, Peter Cohen. Ele nasceu em 1946, após a II Guerra Mundial, e é filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim durante a guerra. Seu grande sucesso foi Arquitetura da Destruição. O filme trata da Eugenia: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (definição: Francis Galton).
O documentário é baseado em arquivos de filmes e fotos que mostram de maneira clara como o conceito de eugenia foi explorado e pesquisado no durante o séc XX. As pesquisas se deram em vários países da Europa e nos EUA, mas o foco do filme é trazer à tona os objetivos e a crueldade dessas pesquisas na Alemanha fascista e na URSS.
Um dos conceitos centrais do nazismo é a “Raça Ariana”, a raça que seria legitimamente germânica e superior a todas as outras. Consequentemente, esse conceito abriu margem para a grande busca pelo corpo perfeito, descartando literalmente da sociedade aqueles que tinham deformidades ou eram considerados fora dos padrões arianos. Isso foi chamado de darwinismo social, ou limpeza social. Para tal “política de limpeza” o governo usou dos recursos de cientistas que estavam envolvidos nas pesquisas sobre a eugenia. Buscava-se criar uma sociedade de homens fortes e bonitos, onde de fato só os dotados dessas qualidades venceriam. O filme mostra que esse conceito não se limitou ao governo, mas se entranhou na sociedade. Um exemplo é o trecho em que mostra o governo direcionando uma série de requisitos a serem preenchidos por médicos após avaliarem crianças que, segundo tal política não seriam “perfeitas”, e os próprios médicos não observavam tais requisitos, e condenavam arbitrariamente à morte as crianças que eles consideravam “imperfeitas”, manipulando os motivos para a sentença.
Na URSS o foco não era o corpo em si, mas o cérebro. As pesquisas buscavam estudar os cérebros de homens brilhantes, como Lênin, e encontrar a forma de gerar uma sociedade de homens inteligentes. Comparavam a reprodução humana com a de animais, onde se escolhe os progenitores por suas qualidades genéticas, a fim de gerarem crianças, segundo o padrão determinado. Descartava-se aí, o amor entre os pais e a instituição da família. Os homens e mulheres passariam a ser simplesmente reprodutores de “gênios”.
O autor critica, através desse documentário, as atrocidades cometidas através do mau uso da eugenia. Os estudos de Darwin sobre a seleção natural, de Mendel e outros geneticistas foram usados para a produção planejada e manipulada de pessoas “fortes”, “bonitas”, “inteligentes”, enfim, pessoas que fariam parte de uma sociedade racialmente superior. Isso tudo a custo de muitas vidas que foram friamente mortas por terem nascido com algum tipo de defeito, que não as impedia de viver, mas simplesmente não as permitia atender a um padrão determinado por homens que não souberam respeitar a vida humana.
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008
RESENHA – FILME: 1900 HOMO SAPIENS
O Filme Homo Sapiens é um documentário feito pelo diretor sueco, da cidade de Lund, Peter Cohen. Ele nasceu em 1946, após a II Guerra Mundial, e é filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim durante a guerra. Seu grande sucesso foi Arquitetura da Destruição. O filme trata da Eugenia: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (definição: Francis Galton).
O documentário é baseado em arquivos de filmes e fotos que mostram de maneira clara como o conceito de eugenia foi explorado e pesquisado no durante o séc XX. As pesquisas se deram em vários países da Europa e nos EUA, mas o foco do filme é trazer à tona os objetivos e a crueldade dessas pesquisas na Alemanha fascista e na URSS.
Um dos conceitos centrais do nazismo é a “Raça Ariana”, a raça que seria legitimamente germânica e superior a todas as outras. Consequentemente, esse conceito abriu margem para a grande busca pelo corpo perfeito, descartando literalmente da sociedade aqueles que tinham deformidades ou eram considerados fora dos padrões arianos. Isso foi chamado de darwinismo social, ou limpeza social. Para tal “política de limpeza” o governo usou dos recursos de cientistas que estavam envolvidos nas pesquisas sobre a eugenia. Buscava-se criar uma sociedade de homens fortes e bonitos, onde de fato só os dotados dessas qualidades venceriam. O filme mostra que esse conceito não se limitou ao governo, mas se entranhou na sociedade. Um exemplo é o trecho em que mostra o governo direcionando uma série de requisitos a serem preenchidos por médicos após avaliarem crianças que, segundo tal política não seriam “perfeitas”, e os próprios médicos não observavam tais requisitos, e condenavam arbitrariamente à morte as crianças que eles consideravam “imperfeitas”, manipulando os motivos para a sentença.
Na URSS o foco não era o corpo em si, mas o cérebro. As pesquisas buscavam estudar os cérebros de homens brilhantes, como Lênin, e encontrar a forma de gerar uma sociedade de homens inteligentes. Comparavam a reprodução humana com a de animais, onde se escolhe os progenitores por suas qualidades genéticas, a fim de gerarem crianças, segundo o padrão determinado. Descartava-se aí, o amor entre os pais e a instituição da família. Os homens e mulheres passariam a ser simplesmente reprodutores de “gênios”.
O autor critica, através desse documentário, as atrocidades cometidas através do mau uso da eugenia. Os estudos de Darwin sobre a seleção natural, de Mendel e outros geneticistas foram usados para a produção planejada e manipulada de pessoas “fortes”, “bonitas”, “inteligentes”, enfim, pessoas que fariam parte de uma sociedade racialmente superior. Isso tudo a custo de muitas vidas que foram friamente mortas por terem nascido com algum tipo de defeito, que não as impedia de viver, mas simplesmente não as permitia atender a um padrão determinado por homens que não souberam respeitar a vida humana.
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