O autor deste artigo fala sobre o Negacionismo, corrente que nega o Holocausto em diferentes níveis, questionando sobre a necessidade de se preocupar e estudar esse tema. Responder se de fato é necessário se ocupar de forma intensa e quase científica com essa questão é um tanto quanto controverso, mas o autor considera ser importante se ocupar da negação dos assassinatos em massa pelo fato de que muitas pessoas, em vista à atrocidade e horror, não conseguem acreditar que o ser humano seja capaz de tamanha barbaridade. E em segundo lugar, acredita numa fragilidade da sociedade que se mostra “suscetível a idéias aberrantes” (palavras da historiadora norte-americana Deborah Lipstadt).
A negação pública dos crimes nazistas surgiu primeiramente na França, indo mais tarde para outros países da Europa e para o s EUA. O que fizeram inicialmente foi relativizar os relatos das testemunhas da época. As primeiras negações que repercutiram amplamente na opinião pública foram de Paul Rassinier, incluindo a afirmação de que os sobreviventes dos campos de concentração exageravam em suas declarações sobre o que passaram enquanto prisioneiros.
Dez anos mais tarde, começaram a negar o extermínio, fazendo uso inclusive de investimentos empíricos. Fatos como: o número de pessoas assassinadas, as técnicas usadas no extermínio, documentos e figuras históricas que foram apresentados, os locais dos campos de morte e a existência das câmaras de gás foram negados. Os negacionistas se colocaram em confrontações em nível jurídico, que inicialmente os beneficiavam pelo impacto que causavam na opinião pública, mas com tempo passaram a evitá-las, pois ocasionavam condenação dos negadores e consequentemente prisões por vários anos.
O cerne das afirmações consiste na negação dos assassinatos em massa dos judeus europeus. Mas essa relativização engloba uma série de assuntos em diversos níveis, o autor descreve cada um deles.
O revisionismo tornou-se uma rede internacional de publicações, simpósios e etc, incluindo o intenso uso da internet.
O autor também descreve as objeções e os níveis de argumentação dos negacionistas, dentre essas descrições destaca-se a riqueza de detalhes com que fundamentam seus argumentos, mas que, no entanto, são descontextualizados. Usam documentos isolados como fundamentais em suas afirmações, mas que são altamente contestáveis. Fala também sobre os problemas existentes nas fontes históricas, mas que mesmo assim, a partir delas não se pode negar o extermínio de judeus, o papel da Alemanha da II Guerra, dentre outros fatos verídicos que eles tentam refutar.
Finalmente, Vilmar fala da importância de se contrapor a essas negações com argumentações cientificamente fundadas, tendo em vista que muitas pessoas que não presenciaram as atrocidades nazistas, nem viveram essa época, se sentem inseguras e acabam por considerar os questionamentos levantados e disseminados pelos revisionistas.
sábado, 21 de junho de 2008
sexta-feira, 20 de junho de 2008
FICHAMENTO: “Sol Negro” – Nicholas Goodrick- Clark
Em sua conclusão o autor Goodrick-Clark aponta para o ressurgimento da extrema-direita aliado aos cultos arianos e ao nazismo esotérico, principalmente nos EUA e Grã-bretanha. Mas esclarece que tal fenômeno não se esgota em si só, na verdade se afirma nas políticas de identidade.
Com a histórica segregação e racismo direcionados aos negros, grupos étnicos exigem políticas governamentais de vantagens e proteção à minoria, como assim se auto-identificam. A partir do momento em que essas exigências são atendidas, práticas de restrições aos brancos começam a ocorrer alimentando o ódio entre os que consideram como raça superior.
Apesar da opinião liberal desses países ser anti-racista, a política ocidental de proteção a um grupo étnico marginalizado alimenta a concepção de raça como uma categoria legítima de identificação grupal.
A ideologia dos grupos de cultos arianos se mostra mais difusa que as do nacional-socialismo, isso se torna, portanto, um alerta, pois o que vemos crescer é um problema sério de imigração vinda dos países do Terceiro Mundo. À medida que os EUA e a Inglaterra recebem esses imigrantes, a intolerância ao multiculturalismo aumenta, fortalecendo a extrema-direita. Essa situação aliada ao crescimento da ideologia ariana pode surtir efeitos perigosos.
O autor faz de fato um alerta:
“Não temos como saber o que reserva o futuro para as sociedades multiculturais do Ocidente, mas a experiência não deu muito certo na Áustria-Hungira, na União Soviética e na Iugoslávia. Os desafios do multirracialismo nos Estados ocidentais liberais são ainda maiores, e é evidente que a ação afirmativa e o multiculturalismo estão levando a uma hostilidade ainda mais difusa contra o liberalismo. De um ponto de vista retrospectivo de um futuro potencialmente autoritário em 2020 ou 2030, esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.” (pág. 401 1º§).
Com a histórica segregação e racismo direcionados aos negros, grupos étnicos exigem políticas governamentais de vantagens e proteção à minoria, como assim se auto-identificam. A partir do momento em que essas exigências são atendidas, práticas de restrições aos brancos começam a ocorrer alimentando o ódio entre os que consideram como raça superior.
Apesar da opinião liberal desses países ser anti-racista, a política ocidental de proteção a um grupo étnico marginalizado alimenta a concepção de raça como uma categoria legítima de identificação grupal.
A ideologia dos grupos de cultos arianos se mostra mais difusa que as do nacional-socialismo, isso se torna, portanto, um alerta, pois o que vemos crescer é um problema sério de imigração vinda dos países do Terceiro Mundo. À medida que os EUA e a Inglaterra recebem esses imigrantes, a intolerância ao multiculturalismo aumenta, fortalecendo a extrema-direita. Essa situação aliada ao crescimento da ideologia ariana pode surtir efeitos perigosos.
O autor faz de fato um alerta:
“Não temos como saber o que reserva o futuro para as sociedades multiculturais do Ocidente, mas a experiência não deu muito certo na Áustria-Hungira, na União Soviética e na Iugoslávia. Os desafios do multirracialismo nos Estados ocidentais liberais são ainda maiores, e é evidente que a ação afirmativa e o multiculturalismo estão levando a uma hostilidade ainda mais difusa contra o liberalismo. De um ponto de vista retrospectivo de um futuro potencialmente autoritário em 2020 ou 2030, esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.” (pág. 401 1º§).
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Resenha do livro -PASSO DE CARANGUEJO - Günter Grass
Günter Grass é um escritor alemão nascido em 16 de outubro de 1927 na cidade de Danzig. Artista não só ligado à literatura, mas também à escultura e ao teatro. Em 1999 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Participou da juventude nazista na SS e em 45, ferido, foi preso na Tchecoslováquia sendo liberto no ano seguinte. Atualmente, de ideais políticos de esquerda, critica e condena o passado nazista da Alemanha, ao qual aderiu na juventude. Suas obras são alvos de grande polêmica.
Passo de Caranguejo é um romance com uma narrativa expressa no próprio título. Com vários cortes temporais se interligando faz-se necessário avançar e recuar em seu raciocínio. Tal característica é atribuída ao personagem central e narrador do livro: Paul Pokriefke, um jornalista, falido, que sempre se põe em cima do muro, indo sempre de viés, avançando e recuando, como um caranguejo, para avançar mais ainda em busca da verdade.
O livro relata a história do naufrágio do navio Wilhelm Gustloff, durante o qual nasce Paul, e de suas repercussões em sua família, mais especificamente em três gerações: sua mãe, ele próprio e seu filho. Traz como pano de fundo um relato histórico da II Guerra Mundial, alertando sobre o neonazismo que podemos observar atualmente, principalmente na Europa, e o anti-semitismo que o acompanha.
Paul Pokriefke é um jornalista alemão de mãe e avós alemães e que se considera um fracassado, profissionalmente e pessoalmente. Em um de seus acessos á internet, descobre um site que o intriga bastante: www.martir.de. Descobre que se trata de um site relacionado a neonazistas: Associação dos Camaradas de Schwerin. No entanto, continua intrigado e busca saber a que mártir ele se refere. Descobre então que se trata de Wilhelm Gustloff, representante do partido nazista na Suíça, de orientação esquerdista, e que em 1936 é assassinado por um estudante de medicina judeu, David Frankfurt, em sua própria casa.
O partido nazista, para “agraciar” seus trabalhadores e promover descanso mental e divertimento promovia excurssões pela a Europa a bordo de navios construídos para esse fim. Eram os famosos cruzeiros da Kdf (Kraft durch Freude – alegria pela força) uma associação nazista. Um desses navios foi batizado com o nome de Wilhelm Gustloff , o mártir a quem o site reverenciava com tons saudosistas. Em 1945 ocorre um incidente. Em meio à guerra, o navio já perdera seus fins de diversão e finalmente, após várias utilidades, se torna um navio de fugitivos e de soldados feridos com avanço das tropas aliadas na Alemanha. Dentre os fugitivos encontrava-se Ursula, mais conhecida como Tulla, a mãe de Paul que se encontrava grávida dele. No dia 30 de janeiro, o navio e atingido por três torpedos vindo de um submarino russo comandado por Alexander Marinesko. Mas não era um navio inimigo, estava repleto de fugitivos inocentes. Naquela noite, Tulla dá à luz Paul Pokriefke, que nunca soube quem foi seu pai.
Após a guerra, com a divisão da Alemanha, Paul deixa a casa de sua mãe, na parte oriental, e passa a viver na parte ocidental, casa-se com Gabi e tem um filho chamado Konrad. Separa-se de sua mulher e não tem um bom relacionamento com seu filho, que acaba se apegando mais à sua avó Tulla. Esta, uma mulher de orientações convictas, admiradora de Stálin, obviamente de orientação política de esquerda, sempre se remetera ao seu passado, falava sempre de sua sobrevivência ao naufrágio, das maravilhas que a Kdf proporcionou ao povo alemão insistia que seu filho registrasse, escrevesse sobre a história de seu nascimento que obviamente faz parte da história mundial. Sempre hesitante Paul considera sua história um fracasso, maldizia a data de seu nascimento, coincidentemente a mesma data da ascensão ao poder do Partido Nazista na liderança de Hitler, 30 de janeiro, porém 1933. Sua própria mãe o chamava de fracassado e depositava sua esperança em Konradezinho, como chamava seu neto, esperava que ele sim relatasse ao mundo essa história. O que de fato aconteceu.
Em sua busca em descobrir o que estava por trás desse site, cujo relato intimamente se ligava à sua fracassada história de vida, participa de chats onde começa a perceber que não se tratava de um grupo neonazista, mas desconfia de que por trás disso tudo existe um internauta solitário que sabe em detalhes como se deu a tragédia. Como que em disputa, surge no chat David, que fala em nome dos judeus e passa a rebater as afirmações de Wilhelm, o nome com que o internauta solitário se apresenta. Entre debates ferrenhos, Paul percebe com que riqueza de detalhes os jovens relatam sobre o assassinato de Wilhelm, o naufrágio do navio, a perícia de Marinesko, que em consenso, ambos elogiam, dentre outros fatos históricos relacionados. Paul desconfia e confirma a sua desconfiança de que aquele jovem que reivindica a restauração do monumento dedicado ao líder nazista na Suíça, que o reverencia, prega valores nazistas, ressalta as viagens sem classes da Kdf, e fala com discurso anti-semita é seu filho Konny, como também era conhecido Konrad. Não se tratava da Associação dos Camaradas Schwerin, grupo de skinheads, que por um momento apoiava seu filho, mas que depois de um discurso de Konrad em uma de suas reuniões, quando elogiou o russo Marinesko, foi perseguido pelos jovens arruaceiros e violentos. Paul procurou ajuda com Tulla, que dera de presente para Konrad o computador com o qual se aprimorava na tecnologia moderna e espalhava pelo mundo suas idéias, e com sua ex-mulher Gabi, mas nenhuma das duas o ouviu, disseram que era tarde para que Paul manifestasse preocupações com seu filho distante.
Mais à frente, a rivalidade dos dois jovens no chat misturava-se a uma possível amizade, pontos em comuns como o gosto pelo ping-pong. “David” e “Wilhelm” marcam um encontro, Konrad mostra a cidade para “David” e vão para o lugar que seria o principal destino, o mausoléu de Wilhelm. Konrad saca uma pistola russa e mata “David”. Assim como o assassino de Wilhelm, David Frankfurt que acreditava cumprir seu dever de judeu, Konrad acredita cumprir seu dever de alemão. Vai a julgamento e lá descobre que o jovem que assassinou se chamava Wolfgang Streplin, e que nem judeu era, seus pais não eram judeus, seu pai inclusive era filho de pastor protestante. Konrad é condenado a 7 anos de cadeia, na prisão recebe visitas de sua mãe, de sua avó, de sua namorada Rosi e de seu pai, com quem começa a estabelecer um melhor diálogo. E finalmente, Paul novamente descobre um site que lhe chama a atenção: www.camarada.konrad.pokriefke.de , agora cultuam seu filho, cujos ideários e atitudes deveriam servir de exemplo. E conclui que isso nunca vai acabar.
Durante todo o trajeto do livro ele questiona seu papel de pai, relacionando à sua atitude “passo de caranguejo”, sempre de viés, nunca muito direto, o distanciamento de seu próprio filho.
Através dessa narrativa, um tanto quanto difícil de acompanhar até que se adapte ao se ritmo, Günter Grass busca entender os motivos que podem levar um jovem, que não passou pela II Guerra Mundial, mas que ouve sobre suas tragédias, a tomar posições de extrema-direita. Konrad é um personagem que ao mesmo tempo em que nutre ideais socialistas, influenciado por sua avó, prega um nacionalismo intenso. O autor parte do argumento de que a convivência familiar pode ser uma das causas para isso, colocando-a como um fator primordial, principalmente quando trata da carência da figura paterna. Atualmente, com a internet, é muito mais fácil e eficaz a proliferação do ideal fascista, dentre outros. Passo de Caranguejo é um alerta para o mundo, pois apesar de ser um romance, traz uma realidade atual. Movimentos neonazistas crescem, jovens se tornam adeptos e espalham sua idéias pela rede. É responsabilidade dos pais acompanhar os passos de seus filhos e preencher as suas eventuais faltas.
Passo de Caranguejo é um romance com uma narrativa expressa no próprio título. Com vários cortes temporais se interligando faz-se necessário avançar e recuar em seu raciocínio. Tal característica é atribuída ao personagem central e narrador do livro: Paul Pokriefke, um jornalista, falido, que sempre se põe em cima do muro, indo sempre de viés, avançando e recuando, como um caranguejo, para avançar mais ainda em busca da verdade.
O livro relata a história do naufrágio do navio Wilhelm Gustloff, durante o qual nasce Paul, e de suas repercussões em sua família, mais especificamente em três gerações: sua mãe, ele próprio e seu filho. Traz como pano de fundo um relato histórico da II Guerra Mundial, alertando sobre o neonazismo que podemos observar atualmente, principalmente na Europa, e o anti-semitismo que o acompanha.
Paul Pokriefke é um jornalista alemão de mãe e avós alemães e que se considera um fracassado, profissionalmente e pessoalmente. Em um de seus acessos á internet, descobre um site que o intriga bastante: www.martir.de. Descobre que se trata de um site relacionado a neonazistas: Associação dos Camaradas de Schwerin. No entanto, continua intrigado e busca saber a que mártir ele se refere. Descobre então que se trata de Wilhelm Gustloff, representante do partido nazista na Suíça, de orientação esquerdista, e que em 1936 é assassinado por um estudante de medicina judeu, David Frankfurt, em sua própria casa.
O partido nazista, para “agraciar” seus trabalhadores e promover descanso mental e divertimento promovia excurssões pela a Europa a bordo de navios construídos para esse fim. Eram os famosos cruzeiros da Kdf (Kraft durch Freude – alegria pela força) uma associação nazista. Um desses navios foi batizado com o nome de Wilhelm Gustloff , o mártir a quem o site reverenciava com tons saudosistas. Em 1945 ocorre um incidente. Em meio à guerra, o navio já perdera seus fins de diversão e finalmente, após várias utilidades, se torna um navio de fugitivos e de soldados feridos com avanço das tropas aliadas na Alemanha. Dentre os fugitivos encontrava-se Ursula, mais conhecida como Tulla, a mãe de Paul que se encontrava grávida dele. No dia 30 de janeiro, o navio e atingido por três torpedos vindo de um submarino russo comandado por Alexander Marinesko. Mas não era um navio inimigo, estava repleto de fugitivos inocentes. Naquela noite, Tulla dá à luz Paul Pokriefke, que nunca soube quem foi seu pai.
Após a guerra, com a divisão da Alemanha, Paul deixa a casa de sua mãe, na parte oriental, e passa a viver na parte ocidental, casa-se com Gabi e tem um filho chamado Konrad. Separa-se de sua mulher e não tem um bom relacionamento com seu filho, que acaba se apegando mais à sua avó Tulla. Esta, uma mulher de orientações convictas, admiradora de Stálin, obviamente de orientação política de esquerda, sempre se remetera ao seu passado, falava sempre de sua sobrevivência ao naufrágio, das maravilhas que a Kdf proporcionou ao povo alemão insistia que seu filho registrasse, escrevesse sobre a história de seu nascimento que obviamente faz parte da história mundial. Sempre hesitante Paul considera sua história um fracasso, maldizia a data de seu nascimento, coincidentemente a mesma data da ascensão ao poder do Partido Nazista na liderança de Hitler, 30 de janeiro, porém 1933. Sua própria mãe o chamava de fracassado e depositava sua esperança em Konradezinho, como chamava seu neto, esperava que ele sim relatasse ao mundo essa história. O que de fato aconteceu.
Em sua busca em descobrir o que estava por trás desse site, cujo relato intimamente se ligava à sua fracassada história de vida, participa de chats onde começa a perceber que não se tratava de um grupo neonazista, mas desconfia de que por trás disso tudo existe um internauta solitário que sabe em detalhes como se deu a tragédia. Como que em disputa, surge no chat David, que fala em nome dos judeus e passa a rebater as afirmações de Wilhelm, o nome com que o internauta solitário se apresenta. Entre debates ferrenhos, Paul percebe com que riqueza de detalhes os jovens relatam sobre o assassinato de Wilhelm, o naufrágio do navio, a perícia de Marinesko, que em consenso, ambos elogiam, dentre outros fatos históricos relacionados. Paul desconfia e confirma a sua desconfiança de que aquele jovem que reivindica a restauração do monumento dedicado ao líder nazista na Suíça, que o reverencia, prega valores nazistas, ressalta as viagens sem classes da Kdf, e fala com discurso anti-semita é seu filho Konny, como também era conhecido Konrad. Não se tratava da Associação dos Camaradas Schwerin, grupo de skinheads, que por um momento apoiava seu filho, mas que depois de um discurso de Konrad em uma de suas reuniões, quando elogiou o russo Marinesko, foi perseguido pelos jovens arruaceiros e violentos. Paul procurou ajuda com Tulla, que dera de presente para Konrad o computador com o qual se aprimorava na tecnologia moderna e espalhava pelo mundo suas idéias, e com sua ex-mulher Gabi, mas nenhuma das duas o ouviu, disseram que era tarde para que Paul manifestasse preocupações com seu filho distante.
Mais à frente, a rivalidade dos dois jovens no chat misturava-se a uma possível amizade, pontos em comuns como o gosto pelo ping-pong. “David” e “Wilhelm” marcam um encontro, Konrad mostra a cidade para “David” e vão para o lugar que seria o principal destino, o mausoléu de Wilhelm. Konrad saca uma pistola russa e mata “David”. Assim como o assassino de Wilhelm, David Frankfurt que acreditava cumprir seu dever de judeu, Konrad acredita cumprir seu dever de alemão. Vai a julgamento e lá descobre que o jovem que assassinou se chamava Wolfgang Streplin, e que nem judeu era, seus pais não eram judeus, seu pai inclusive era filho de pastor protestante. Konrad é condenado a 7 anos de cadeia, na prisão recebe visitas de sua mãe, de sua avó, de sua namorada Rosi e de seu pai, com quem começa a estabelecer um melhor diálogo. E finalmente, Paul novamente descobre um site que lhe chama a atenção: www.camarada.konrad.pokriefke.de , agora cultuam seu filho, cujos ideários e atitudes deveriam servir de exemplo. E conclui que isso nunca vai acabar.
Durante todo o trajeto do livro ele questiona seu papel de pai, relacionando à sua atitude “passo de caranguejo”, sempre de viés, nunca muito direto, o distanciamento de seu próprio filho.
Através dessa narrativa, um tanto quanto difícil de acompanhar até que se adapte ao se ritmo, Günter Grass busca entender os motivos que podem levar um jovem, que não passou pela II Guerra Mundial, mas que ouve sobre suas tragédias, a tomar posições de extrema-direita. Konrad é um personagem que ao mesmo tempo em que nutre ideais socialistas, influenciado por sua avó, prega um nacionalismo intenso. O autor parte do argumento de que a convivência familiar pode ser uma das causas para isso, colocando-a como um fator primordial, principalmente quando trata da carência da figura paterna. Atualmente, com a internet, é muito mais fácil e eficaz a proliferação do ideal fascista, dentre outros. Passo de Caranguejo é um alerta para o mundo, pois apesar de ser um romance, traz uma realidade atual. Movimentos neonazistas crescem, jovens se tornam adeptos e espalham sua idéias pela rede. É responsabilidade dos pais acompanhar os passos de seus filhos e preencher as suas eventuais faltas.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Fichamento - “O Ressurgimento da Extrema Direita e do Nazismo: a dimensão histórica e internacional" Paulo F. Vizentini
O autor desse artigo objetiva chamar a atenção para a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. Além da perspectiva social, ética, filosófica e política, Paulo se baseia em uma dimensão histórica para analisar esse ressurgimento, que não deve ser ignorado pelo fato desses grupos serem periféricos ou marginais, levando em consideração que o Partido Nazista começou com 7 membros e em 14 anos já tinha cerca 850 mil filiados. Para tal análise, inicialmente distingue neonazismo, extrema direita, extremismo político, partido político, movimento político e o fenômeno de gangs. Conceitos distintos mais intimamente associados.
Divide sua análise em duas partes que serão, a seguir, expostas.
NASCIMENTO, EXPANSÃO E DERROTA E HIBERNAÇÃO.
Do ponto de vista imediato, o nazifascismo está ligado à crise do liberalismo e à crise da noção de progresso dos anos 20. Resgata tradições conservadoras que ficaram sufocadas com as Revoluções Liberais. Trata-se de uma resposta aos problemas sociais daquele momento, inclusive ao triunfo e existência da Revolução Soviética após à I Grande Guerra. Com a crise de 29, esses movimentos ganharam muito peso.
O autor fala também da conivência dos países democráticos em relação ao advento do nazifascismo, além de considerarem como um “mal menor”, o consideraram como um possível aliado na luta contra o socialismo. O fascismo foi derrotado na II Guerra Mundial, mas não totalmente eliminado, como alguns regimes podem confirmar: o de Salazar na Espanha e de Franco na França.
O período que chama de hibernação, refere-se a sua sobrevida, o período em que o movimento existe, porém não de forma explícita. Diz que a causa é fruto do resultado da II Guerra Mundial, o advento da Guerra Fria. Com a divisão geopolítica entre EUA e URSS, alguns países com a esquerda forte (Grécia, Itália, França) ficaram do lado ocidental e alguns onde a esquerda era fraca como Polônia, Hungria e Romênia ficaram do lado oriental. Para equilibrar e evitar a força da esquerda dos países ocidentais foram criadas grandes formações de centro e centro-direita. As direções desses partidos vieram da oposição ao fascismo, mas o autor questiona que para tal não seria necessária ter uma grande base eleitoral e ela não incluiria pessoas com passado ligado ao fascismo? O anti-comunismo passa a ser uma bandeira atrás da qual “fatores e atores” que tornaram possível a existência do fascismo, ainda depois da guerra, se escondem. Outro fator para a sua sobrevivência é a reconstrução da economia desses países e consequentemente uma nova tendência nos julgamentos de criminosos de guerra, inocentando principalmente empresários que tiveram participação ativa nesse regime.
Segue citando outros fatores que possibilitaram a sobrevivência do fascismo dentre eles o aproveitamento de recursos humanos e técnicos nazistas pelos EUA na Guerra Fria.
O RESSURGIMENTO DA EXTREMA DIREITA E DO NEONAZISMO
Nos anos 70 vem a crise dos anos dourados e consigo revoluções ultranacionalistas ou socialistas no Terceiro Mundo e geraram uma simpatia dos países do Primeiro Mundo, principalmente de jovens da classe média, com as causas dos países periféricos. No entanto, com a crise do petróleo houve recessão econômica que começou a afetar os países do Primeiro Mundo e essa simpatia passou a declinar. A forma como os paises europeus tratam as questões dos periféricos começa a mudar, principalmente com o surgimento de alguns capitalismos bem sucedidos no Terceiro Mundo em face à estagnação industrial da Europa.
Mesclado a isso, o déficit demográfico em alguns países europeus fez com que eles incentivassem a imigração a fim de conseguir mão-de-obra barata através de estrangeiros dos países dependentes. Isso foi gerando um conceito de “invasão bárbara”, e a xenofobia começa a crescer.
Outro fator é o movimento de crítica ao consumo. Os movimentos de contra-cultura como os hippies são substituídos pelo skinheads, que tomam caminhos políticos diferentes. O que para o autor é um local de recrutamento para organizações fascistas e neofascistas.
O autor chama atenção para diversos outros fatores políticos; econômicos como o desemprego e crises que motivaram o ataque a estrangeiros, ideológicos como a desilusão no que diz respeito à modernidade; além da violência, fundamentalismo, retorno ao misticismo dentre outros que formam a base dos movimentos neonazistas.
Finalmente, Paulo toma um posicionamento e diz: “Todas as sociedades do mundo devem se aliar para defender a herança que iniciou com o Renascimento. Essa modernidade ainda não esgotou, como dizem os pós-modernos, pelo simples fato de que 80% da população mundial ainda não teve aceso a essa modernidade; se tivesse, não estaria apoiando regimes e partidos que se nutrem do medo e da ignorância. O medo e a ignorância são a base desses movimentos, e as democracias devem se armar contra isso, através da mobilização social...” pág. 10 – 5º§ e ainda: “ Os riscos contidos no ressurgimento do nazismo e da extrema direita são incalculáveis. Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isso, ainda não está construído. É precisamente nesse hiato de pânico e desesperança que surge o medo.” Pág. 10 – 7º §.
VIZENTINI, Paulo F. “O Ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extremismo político. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.p. 17 a 46.
Divide sua análise em duas partes que serão, a seguir, expostas.
NASCIMENTO, EXPANSÃO E DERROTA E HIBERNAÇÃO.
Do ponto de vista imediato, o nazifascismo está ligado à crise do liberalismo e à crise da noção de progresso dos anos 20. Resgata tradições conservadoras que ficaram sufocadas com as Revoluções Liberais. Trata-se de uma resposta aos problemas sociais daquele momento, inclusive ao triunfo e existência da Revolução Soviética após à I Grande Guerra. Com a crise de 29, esses movimentos ganharam muito peso.
O autor fala também da conivência dos países democráticos em relação ao advento do nazifascismo, além de considerarem como um “mal menor”, o consideraram como um possível aliado na luta contra o socialismo. O fascismo foi derrotado na II Guerra Mundial, mas não totalmente eliminado, como alguns regimes podem confirmar: o de Salazar na Espanha e de Franco na França.
O período que chama de hibernação, refere-se a sua sobrevida, o período em que o movimento existe, porém não de forma explícita. Diz que a causa é fruto do resultado da II Guerra Mundial, o advento da Guerra Fria. Com a divisão geopolítica entre EUA e URSS, alguns países com a esquerda forte (Grécia, Itália, França) ficaram do lado ocidental e alguns onde a esquerda era fraca como Polônia, Hungria e Romênia ficaram do lado oriental. Para equilibrar e evitar a força da esquerda dos países ocidentais foram criadas grandes formações de centro e centro-direita. As direções desses partidos vieram da oposição ao fascismo, mas o autor questiona que para tal não seria necessária ter uma grande base eleitoral e ela não incluiria pessoas com passado ligado ao fascismo? O anti-comunismo passa a ser uma bandeira atrás da qual “fatores e atores” que tornaram possível a existência do fascismo, ainda depois da guerra, se escondem. Outro fator para a sua sobrevivência é a reconstrução da economia desses países e consequentemente uma nova tendência nos julgamentos de criminosos de guerra, inocentando principalmente empresários que tiveram participação ativa nesse regime.
Segue citando outros fatores que possibilitaram a sobrevivência do fascismo dentre eles o aproveitamento de recursos humanos e técnicos nazistas pelos EUA na Guerra Fria.
O RESSURGIMENTO DA EXTREMA DIREITA E DO NEONAZISMO
Nos anos 70 vem a crise dos anos dourados e consigo revoluções ultranacionalistas ou socialistas no Terceiro Mundo e geraram uma simpatia dos países do Primeiro Mundo, principalmente de jovens da classe média, com as causas dos países periféricos. No entanto, com a crise do petróleo houve recessão econômica que começou a afetar os países do Primeiro Mundo e essa simpatia passou a declinar. A forma como os paises europeus tratam as questões dos periféricos começa a mudar, principalmente com o surgimento de alguns capitalismos bem sucedidos no Terceiro Mundo em face à estagnação industrial da Europa.
Mesclado a isso, o déficit demográfico em alguns países europeus fez com que eles incentivassem a imigração a fim de conseguir mão-de-obra barata através de estrangeiros dos países dependentes. Isso foi gerando um conceito de “invasão bárbara”, e a xenofobia começa a crescer.
Outro fator é o movimento de crítica ao consumo. Os movimentos de contra-cultura como os hippies são substituídos pelo skinheads, que tomam caminhos políticos diferentes. O que para o autor é um local de recrutamento para organizações fascistas e neofascistas.
O autor chama atenção para diversos outros fatores políticos; econômicos como o desemprego e crises que motivaram o ataque a estrangeiros, ideológicos como a desilusão no que diz respeito à modernidade; além da violência, fundamentalismo, retorno ao misticismo dentre outros que formam a base dos movimentos neonazistas.
Finalmente, Paulo toma um posicionamento e diz: “Todas as sociedades do mundo devem se aliar para defender a herança que iniciou com o Renascimento. Essa modernidade ainda não esgotou, como dizem os pós-modernos, pelo simples fato de que 80% da população mundial ainda não teve aceso a essa modernidade; se tivesse, não estaria apoiando regimes e partidos que se nutrem do medo e da ignorância. O medo e a ignorância são a base desses movimentos, e as democracias devem se armar contra isso, através da mobilização social...” pág. 10 – 5º§ e ainda: “ Os riscos contidos no ressurgimento do nazismo e da extrema direita são incalculáveis. Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isso, ainda não está construído. É precisamente nesse hiato de pânico e desesperança que surge o medo.” Pág. 10 – 7º §.
VIZENTINI, Paulo F. “O Ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extremismo político. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.p. 17 a 46.
Resenha - O Triunfo da Vontade
RESENHA – FILME: O TRIUNFO DA VONTADE
O Triunfo da Vontade é um documentário dirigido e montado por Leni Riefenstahl, a cinegrafista oficial do Partido Nazista, escolhida pelo próprio líder para registrar os principais momentos de suas manifestações políticas. É uma seqüência de eventos repletos de discursos inflamados que se deram durante o Congresso do NSDAP, em 1934, na cidade de Nuremberg, sede do partido.
Apesar das limitações técnicas da época, o documentário nos permite avaliar alguns pontos importantes sobre o Nazismo.
Primeiramente, a suntuosidade do evento, com diversas paradas, desde o desfile de fazendeiros até os regimentos militares. Nota-se o valor dado por Hitler à estética, cada manifestação pode ser comparada a superproduções cinematográficas. Toda essa estética aparece como um instrumento de poder e afirmação, grandiosidade e soberania.
Os discursos inflamados levavam a massa ao delírio, não só Hitler, mas seus líderes quanto mais ovacionados mais em alto tom declaravam seus ideais. Aparecem os representantes de cada área do governo, o responsável por cada uma delas proclamava suas intenções e posicionamento político.
Nos discursos de Hitler observamos a busca da soberania e afirmação da raça ariana; a idéia de que a instituição de sua liderança foi por provisão divina, seu apego aos símbolos: bandeiras, estandartes; superioridade, dentre os arianos, de seus líderes políticos (darwinismo social); a importância da coragem, fidelidade e honra remetidas aos heróis ex-combatentes; dentre outros pontos que nos levam a perceber toda a exaltação e auto-afirmação de uma liderança que se julga capaz de mudar a realidade da nação. Uma de suas estratégias bem explícitas é a instrução de jovens que crescem disciplinados por essa ideologia e será a base de seu futuro.
Através dessa obra, observamos toda a mobilização de uma massa extremamente numerosa preparada para exaltar, afirmar, reverenciar o novo regime que se instaura, refletindo assim, as estratégias de Hitler para consolidação de sua soberania e claro, sua megalomania.
O Triunfo da Vontade é um documentário dirigido e montado por Leni Riefenstahl, a cinegrafista oficial do Partido Nazista, escolhida pelo próprio líder para registrar os principais momentos de suas manifestações políticas. É uma seqüência de eventos repletos de discursos inflamados que se deram durante o Congresso do NSDAP, em 1934, na cidade de Nuremberg, sede do partido.
Apesar das limitações técnicas da época, o documentário nos permite avaliar alguns pontos importantes sobre o Nazismo.
Primeiramente, a suntuosidade do evento, com diversas paradas, desde o desfile de fazendeiros até os regimentos militares. Nota-se o valor dado por Hitler à estética, cada manifestação pode ser comparada a superproduções cinematográficas. Toda essa estética aparece como um instrumento de poder e afirmação, grandiosidade e soberania.
Os discursos inflamados levavam a massa ao delírio, não só Hitler, mas seus líderes quanto mais ovacionados mais em alto tom declaravam seus ideais. Aparecem os representantes de cada área do governo, o responsável por cada uma delas proclamava suas intenções e posicionamento político.
Nos discursos de Hitler observamos a busca da soberania e afirmação da raça ariana; a idéia de que a instituição de sua liderança foi por provisão divina, seu apego aos símbolos: bandeiras, estandartes; superioridade, dentre os arianos, de seus líderes políticos (darwinismo social); a importância da coragem, fidelidade e honra remetidas aos heróis ex-combatentes; dentre outros pontos que nos levam a perceber toda a exaltação e auto-afirmação de uma liderança que se julga capaz de mudar a realidade da nação. Uma de suas estratégias bem explícitas é a instrução de jovens que crescem disciplinados por essa ideologia e será a base de seu futuro.
Através dessa obra, observamos toda a mobilização de uma massa extremamente numerosa preparada para exaltar, afirmar, reverenciar o novo regime que se instaura, refletindo assim, as estratégias de Hitler para consolidação de sua soberania e claro, sua megalomania.
Resenha - Arquitetura da Destruição“Arquitetura da Destruição”
“Arquitetura da Destruição”
DIREÇÃO: Peter Cohen NARRAÇÃO: Bruno Ganz Suécia 1992 - 121 minutos
O Filme, Arquitetura da Destruição, busca uma explicação para a ideologia nazista e tem como tese, para essa explicação, a estética. A afirmação da identidade alemã, se daria pela limpeza racial, volta às tradições, valorização da antiguidade, e aclamação de uma raça superior: a ariana. O que fundamenta esse discurso seria a busca pelo belo, pelo embelezamento da sociedade que se reerguia.
Hitler, e outros componentes do partido nazista, pendiam para as artes, uns escritores, poetas, outros pintores, e o líder foi um desenhista que sonhava em ser arquiteto, mas foi frustrado. A arte e os ideais nazistas se fundem na busca do belo, a sociedade deveria ser bela, saudável, por isso, atrocidades foram cometidas, como a eutanásia de pessoas com doenças incuráveis, deformações, ou retardos mentais. Eles não poderiam atender aos padrões estéticos que eram impostos à sociedade alemã naquele momento. A saúde era cultuada, o médico surge como um líder político que não atende mais a um indivíduo, mas à raça.
O documentário mostra a fixação de Hitler pela antiguidade e seus padrões estéticos, o moderno era rechaçado. A arte moderna era considerada como degenerada, chamada de “bolchevismo cultural” e era atribuída aos judeus. As imagens características dessa arte, eram comparadas com as deformidades do homem, que deveriam ser extinguidas. Um conceito que também é resgatado é o da destruição total do inimigo, não basta vencer, tem que destruí-lo., como em Cartago.
A propaganda, os projetos urbanos, dentre eles o de Berlim, a”Grande Capital Nazista”, eram alvos dessa concepção artística e, inclusive, eram projetadas e desenhadas pelo próprio Hitler. Desenvolveram um grande papel no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
Apresenta, finalmente, o que os nazistas chamaram de “Solução Final” , o assassinato em massa de milhões de judeus. O anti-semitismo foi entranhado e, após perseguição e tortura nos campos de concentração os judeus foram assassinados, em escala industrial. O autor nos chama a atenção para a destruição causada pelos nazistas, por meio dessa concepção de eliminação de tudo o que se opunha ao seu ideal de beleza e superioridade, pelo simples fato de ser diferente, se trata de eliminação de uma cultura, de um povo.
É uma obra que nos revela, brilhantemente, fundamentos da concepção nazista no que tange à superioridade racial. Não podemos, no entanto, reduzir a catástrofe causada pelos nazistas à excentricidade de Hitler. A análise deve se basear em pespectivas mais amplas da ideologia, como a política, dentre outras.
DIREÇÃO: Peter Cohen NARRAÇÃO: Bruno Ganz Suécia 1992 - 121 minutos
O Filme, Arquitetura da Destruição, busca uma explicação para a ideologia nazista e tem como tese, para essa explicação, a estética. A afirmação da identidade alemã, se daria pela limpeza racial, volta às tradições, valorização da antiguidade, e aclamação de uma raça superior: a ariana. O que fundamenta esse discurso seria a busca pelo belo, pelo embelezamento da sociedade que se reerguia.
Hitler, e outros componentes do partido nazista, pendiam para as artes, uns escritores, poetas, outros pintores, e o líder foi um desenhista que sonhava em ser arquiteto, mas foi frustrado. A arte e os ideais nazistas se fundem na busca do belo, a sociedade deveria ser bela, saudável, por isso, atrocidades foram cometidas, como a eutanásia de pessoas com doenças incuráveis, deformações, ou retardos mentais. Eles não poderiam atender aos padrões estéticos que eram impostos à sociedade alemã naquele momento. A saúde era cultuada, o médico surge como um líder político que não atende mais a um indivíduo, mas à raça.
O documentário mostra a fixação de Hitler pela antiguidade e seus padrões estéticos, o moderno era rechaçado. A arte moderna era considerada como degenerada, chamada de “bolchevismo cultural” e era atribuída aos judeus. As imagens características dessa arte, eram comparadas com as deformidades do homem, que deveriam ser extinguidas. Um conceito que também é resgatado é o da destruição total do inimigo, não basta vencer, tem que destruí-lo., como em Cartago.
A propaganda, os projetos urbanos, dentre eles o de Berlim, a”Grande Capital Nazista”, eram alvos dessa concepção artística e, inclusive, eram projetadas e desenhadas pelo próprio Hitler. Desenvolveram um grande papel no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
Apresenta, finalmente, o que os nazistas chamaram de “Solução Final” , o assassinato em massa de milhões de judeus. O anti-semitismo foi entranhado e, após perseguição e tortura nos campos de concentração os judeus foram assassinados, em escala industrial. O autor nos chama a atenção para a destruição causada pelos nazistas, por meio dessa concepção de eliminação de tudo o que se opunha ao seu ideal de beleza e superioridade, pelo simples fato de ser diferente, se trata de eliminação de uma cultura, de um povo.
É uma obra que nos revela, brilhantemente, fundamentos da concepção nazista no que tange à superioridade racial. Não podemos, no entanto, reduzir a catástrofe causada pelos nazistas à excentricidade de Hitler. A análise deve se basear em pespectivas mais amplas da ideologia, como a política, dentre outras.
domingo, 18 de maio de 2008
FICHAMENTO - TEXTO: " A ANATOMIA DO FASCISMO" Cap. 7 Robert O. Paxton
Neste capítulo, inicialmente, o autor tenta responder a seguinte pergunta: O Fascismo ainda é possível? O marco inicial do fascismo foi encontrado com facilidade, apesar de existirem percussores antes da I Guerra Mundial, foi só com os sedimentos desta e da Revolução Bolchevique que de fato o fascismo se consolidou. No entanto, seu término se mostra difícil de ser marcado e desencadeia discussões.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.
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