sexta-feira, 30 de maio de 2008

Fichamento - “O Ressurgimento da Extrema Direita e do Nazismo: a dimensão histórica e internacional" Paulo F. Vizentini

O autor desse artigo objetiva chamar a atenção para a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. Além da perspectiva social, ética, filosófica e política, Paulo se baseia em uma dimensão histórica para analisar esse ressurgimento, que não deve ser ignorado pelo fato desses grupos serem periféricos ou marginais, levando em consideração que o Partido Nazista começou com 7 membros e em 14 anos já tinha cerca 850 mil filiados. Para tal análise, inicialmente distingue neonazismo, extrema direita, extremismo político, partido político, movimento político e o fenômeno de gangs. Conceitos distintos mais intimamente associados.
Divide sua análise em duas partes que serão, a seguir, expostas.

NASCIMENTO, EXPANSÃO E DERROTA E HIBERNAÇÃO.

Do ponto de vista imediato, o nazifascismo está ligado à crise do liberalismo e à crise da noção de progresso dos anos 20. Resgata tradições conservadoras que ficaram sufocadas com as Revoluções Liberais. Trata-se de uma resposta aos problemas sociais daquele momento, inclusive ao triunfo e existência da Revolução Soviética após à I Grande Guerra. Com a crise de 29, esses movimentos ganharam muito peso.
O autor fala também da conivência dos países democráticos em relação ao advento do nazifascismo, além de considerarem como um “mal menor”, o consideraram como um possível aliado na luta contra o socialismo. O fascismo foi derrotado na II Guerra Mundial, mas não totalmente eliminado, como alguns regimes podem confirmar: o de Salazar na Espanha e de Franco na França.
O período que chama de hibernação, refere-se a sua sobrevida, o período em que o movimento existe, porém não de forma explícita. Diz que a causa é fruto do resultado da II Guerra Mundial, o advento da Guerra Fria. Com a divisão geopolítica entre EUA e URSS, alguns países com a esquerda forte (Grécia, Itália, França) ficaram do lado ocidental e alguns onde a esquerda era fraca como Polônia, Hungria e Romênia ficaram do lado oriental. Para equilibrar e evitar a força da esquerda dos países ocidentais foram criadas grandes formações de centro e centro-direita. As direções desses partidos vieram da oposição ao fascismo, mas o autor questiona que para tal não seria necessária ter uma grande base eleitoral e ela não incluiria pessoas com passado ligado ao fascismo? O anti-comunismo passa a ser uma bandeira atrás da qual “fatores e atores” que tornaram possível a existência do fascismo, ainda depois da guerra, se escondem. Outro fator para a sua sobrevivência é a reconstrução da economia desses países e consequentemente uma nova tendência nos julgamentos de criminosos de guerra, inocentando principalmente empresários que tiveram participação ativa nesse regime.
Segue citando outros fatores que possibilitaram a sobrevivência do fascismo dentre eles o aproveitamento de recursos humanos e técnicos nazistas pelos EUA na Guerra Fria.


O RESSURGIMENTO DA EXTREMA DIREITA E DO NEONAZISMO

Nos anos 70 vem a crise dos anos dourados e consigo revoluções ultranacionalistas ou socialistas no Terceiro Mundo e geraram uma simpatia dos países do Primeiro Mundo, principalmente de jovens da classe média, com as causas dos países periféricos. No entanto, com a crise do petróleo houve recessão econômica que começou a afetar os países do Primeiro Mundo e essa simpatia passou a declinar. A forma como os paises europeus tratam as questões dos periféricos começa a mudar, principalmente com o surgimento de alguns capitalismos bem sucedidos no Terceiro Mundo em face à estagnação industrial da Europa.
Mesclado a isso, o déficit demográfico em alguns países europeus fez com que eles incentivassem a imigração a fim de conseguir mão-de-obra barata através de estrangeiros dos países dependentes. Isso foi gerando um conceito de “invasão bárbara”, e a xenofobia começa a crescer.
Outro fator é o movimento de crítica ao consumo. Os movimentos de contra-cultura como os hippies são substituídos pelo skinheads, que tomam caminhos políticos diferentes. O que para o autor é um local de recrutamento para organizações fascistas e neofascistas.
O autor chama atenção para diversos outros fatores políticos; econômicos como o desemprego e crises que motivaram o ataque a estrangeiros, ideológicos como a desilusão no que diz respeito à modernidade; além da violência, fundamentalismo, retorno ao misticismo dentre outros que formam a base dos movimentos neonazistas.
Finalmente, Paulo toma um posicionamento e diz: “Todas as sociedades do mundo devem se aliar para defender a herança que iniciou com o Renascimento. Essa modernidade ainda não esgotou, como dizem os pós-modernos, pelo simples fato de que 80% da população mundial ainda não teve aceso a essa modernidade; se tivesse, não estaria apoiando regimes e partidos que se nutrem do medo e da ignorância. O medo e a ignorância são a base desses movimentos, e as democracias devem se armar contra isso, através da mobilização social...” pág. 10 – 5º§ e ainda: “ Os riscos contidos no ressurgimento do nazismo e da extrema direita são incalculáveis. Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isso, ainda não está construído. É precisamente nesse hiato de pânico e desesperança que surge o medo.” Pág. 10 – 7º §.



VIZENTINI, Paulo F. “O Ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extremismo político. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.p. 17 a 46.

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