sexta-feira, 2 de maio de 2008

FICHAMENTO 4: "A ERA DOS EXTREMOS" Cap. 5 - "Contra o Inimigo Comum"

Eric Hobsbawm nesse capítulo, Contra o Inimigo Comum, fala sobre a aliança firmada por países liberais e comunistas para derrotar a Alemanha de Hitler na 2ª Guerra Mundial. Tal aliança seria contraditória por se tratar de “grupos” opostos, mas em dado momento se tornou fundamental.
Inicialmente, caracteriza a situação política desse período como “uma guerra civil ideológica internacional”.
O fator ideológico não se definia mais pela oposição: capitalismo x comunismo, mas sim “progresso” x “reação”.
De um lado as forças do progresso são representadas pelo comunismo e capitalismo, pois ambos são herdeiros do iluminismo do séc. XVIII e das grandes revoluções. Do outro lado, da força da reação, estaria o fascismo, com seu caráter nacional de apego às raízes. Seus argumentos iam se fortalecendo pela crise do liberalismo.
Considera esse momento como guerra civil pelo fato de que os limites pró e antifascistas cortavam cada sociedade. Foi tomando caráter internacional com o surgimento da Alemanha de Hitler.
Por tanto, conforme Hitler foi se tornando uma ameaça, à medida que a Alemanha se torna um Estado cuja política e ambição eram determinadas pela ideologia, tanto para a esquerda quanto para a direita, o fascismo alemão se tornou um “inimigo comum”.
O autor trata do processo pelo qual se desenvolveu essa aliança, que não se tornou possível facilmente. Internamente a esquerda se encontrava em embates: comunistas x social democratas, após um ano à ascensão de Hitler é que se tornam a favor da unidade antifascista. Na direita a dificuldade era, principalmente para a Grã -Bretanha e França, a hesitação em entrar novamente em outra guerra pois esses países foram fortemente marcados pela Primeira Grande Guerra. A política nazista foi tolerável por um tempo, sendo possível encontrar tentativas de uma “política de apaziguamento”, que foi ineficaz. A guerra era inevitável, e o autor aponta um grande fosso entre o reconhecimento do perigo das potências do Eixo e o agir a respeito.
A Guerra Civil Espanhola, apesar do isolamento da Espanha em relação aos outros países europeus mais envolvidos com as questões políticas internacionais, para Hobsbawm, antecipou e moldou as forças que destruíram o fascismo. A lógica de guerra antifascista pendia para a esquerda, e isso foi observado em nível mundial. No entanto, salvo exceções, os comunistas não tentaram estabelecer regimes revolucionários em lugar nenhum. As revoluções que ocorreram foram contra a vontade de Stálin.
O autor fala dos movimentos de Resistência europeus que tiveram importância militar insignificante, até a retirada da Itália da guerra, e não decisiva. Seu maior resultado foi político e moral. Fala também sobre as mudanças sociais após a mobilização militar e civil.
Finalmente, trata do reflexo dessa situação política em todo o globo com implicações sobre a Ásia e América Latina. Encara a aliança antifascista como fruto de contingência e logo após a vitória aliada, com a inexistência do inimigo fascista para uni-los, o capitalismo e socialismo novamente “se preparam para enfrentar um ao outro como inimigos mortais.” Pág.177 – 1° §

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