O autor desse artigo objetiva chamar a atenção para a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. Além da perspectiva social, ética, filosófica e política, Paulo se baseia em uma dimensão histórica para analisar esse ressurgimento, que não deve ser ignorado pelo fato desses grupos serem periféricos ou marginais, levando em consideração que o Partido Nazista começou com 7 membros e em 14 anos já tinha cerca 850 mil filiados. Para tal análise, inicialmente distingue neonazismo, extrema direita, extremismo político, partido político, movimento político e o fenômeno de gangs. Conceitos distintos mais intimamente associados.
Divide sua análise em duas partes que serão, a seguir, expostas.
NASCIMENTO, EXPANSÃO E DERROTA E HIBERNAÇÃO.
Do ponto de vista imediato, o nazifascismo está ligado à crise do liberalismo e à crise da noção de progresso dos anos 20. Resgata tradições conservadoras que ficaram sufocadas com as Revoluções Liberais. Trata-se de uma resposta aos problemas sociais daquele momento, inclusive ao triunfo e existência da Revolução Soviética após à I Grande Guerra. Com a crise de 29, esses movimentos ganharam muito peso.
O autor fala também da conivência dos países democráticos em relação ao advento do nazifascismo, além de considerarem como um “mal menor”, o consideraram como um possível aliado na luta contra o socialismo. O fascismo foi derrotado na II Guerra Mundial, mas não totalmente eliminado, como alguns regimes podem confirmar: o de Salazar na Espanha e de Franco na França.
O período que chama de hibernação, refere-se a sua sobrevida, o período em que o movimento existe, porém não de forma explícita. Diz que a causa é fruto do resultado da II Guerra Mundial, o advento da Guerra Fria. Com a divisão geopolítica entre EUA e URSS, alguns países com a esquerda forte (Grécia, Itália, França) ficaram do lado ocidental e alguns onde a esquerda era fraca como Polônia, Hungria e Romênia ficaram do lado oriental. Para equilibrar e evitar a força da esquerda dos países ocidentais foram criadas grandes formações de centro e centro-direita. As direções desses partidos vieram da oposição ao fascismo, mas o autor questiona que para tal não seria necessária ter uma grande base eleitoral e ela não incluiria pessoas com passado ligado ao fascismo? O anti-comunismo passa a ser uma bandeira atrás da qual “fatores e atores” que tornaram possível a existência do fascismo, ainda depois da guerra, se escondem. Outro fator para a sua sobrevivência é a reconstrução da economia desses países e consequentemente uma nova tendência nos julgamentos de criminosos de guerra, inocentando principalmente empresários que tiveram participação ativa nesse regime.
Segue citando outros fatores que possibilitaram a sobrevivência do fascismo dentre eles o aproveitamento de recursos humanos e técnicos nazistas pelos EUA na Guerra Fria.
O RESSURGIMENTO DA EXTREMA DIREITA E DO NEONAZISMO
Nos anos 70 vem a crise dos anos dourados e consigo revoluções ultranacionalistas ou socialistas no Terceiro Mundo e geraram uma simpatia dos países do Primeiro Mundo, principalmente de jovens da classe média, com as causas dos países periféricos. No entanto, com a crise do petróleo houve recessão econômica que começou a afetar os países do Primeiro Mundo e essa simpatia passou a declinar. A forma como os paises europeus tratam as questões dos periféricos começa a mudar, principalmente com o surgimento de alguns capitalismos bem sucedidos no Terceiro Mundo em face à estagnação industrial da Europa.
Mesclado a isso, o déficit demográfico em alguns países europeus fez com que eles incentivassem a imigração a fim de conseguir mão-de-obra barata através de estrangeiros dos países dependentes. Isso foi gerando um conceito de “invasão bárbara”, e a xenofobia começa a crescer.
Outro fator é o movimento de crítica ao consumo. Os movimentos de contra-cultura como os hippies são substituídos pelo skinheads, que tomam caminhos políticos diferentes. O que para o autor é um local de recrutamento para organizações fascistas e neofascistas.
O autor chama atenção para diversos outros fatores políticos; econômicos como o desemprego e crises que motivaram o ataque a estrangeiros, ideológicos como a desilusão no que diz respeito à modernidade; além da violência, fundamentalismo, retorno ao misticismo dentre outros que formam a base dos movimentos neonazistas.
Finalmente, Paulo toma um posicionamento e diz: “Todas as sociedades do mundo devem se aliar para defender a herança que iniciou com o Renascimento. Essa modernidade ainda não esgotou, como dizem os pós-modernos, pelo simples fato de que 80% da população mundial ainda não teve aceso a essa modernidade; se tivesse, não estaria apoiando regimes e partidos que se nutrem do medo e da ignorância. O medo e a ignorância são a base desses movimentos, e as democracias devem se armar contra isso, através da mobilização social...” pág. 10 – 5º§ e ainda: “ Os riscos contidos no ressurgimento do nazismo e da extrema direita são incalculáveis. Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isso, ainda não está construído. É precisamente nesse hiato de pânico e desesperança que surge o medo.” Pág. 10 – 7º §.
VIZENTINI, Paulo F. “O Ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extremismo político. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.p. 17 a 46.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Resenha - O Triunfo da Vontade
RESENHA – FILME: O TRIUNFO DA VONTADE
O Triunfo da Vontade é um documentário dirigido e montado por Leni Riefenstahl, a cinegrafista oficial do Partido Nazista, escolhida pelo próprio líder para registrar os principais momentos de suas manifestações políticas. É uma seqüência de eventos repletos de discursos inflamados que se deram durante o Congresso do NSDAP, em 1934, na cidade de Nuremberg, sede do partido.
Apesar das limitações técnicas da época, o documentário nos permite avaliar alguns pontos importantes sobre o Nazismo.
Primeiramente, a suntuosidade do evento, com diversas paradas, desde o desfile de fazendeiros até os regimentos militares. Nota-se o valor dado por Hitler à estética, cada manifestação pode ser comparada a superproduções cinematográficas. Toda essa estética aparece como um instrumento de poder e afirmação, grandiosidade e soberania.
Os discursos inflamados levavam a massa ao delírio, não só Hitler, mas seus líderes quanto mais ovacionados mais em alto tom declaravam seus ideais. Aparecem os representantes de cada área do governo, o responsável por cada uma delas proclamava suas intenções e posicionamento político.
Nos discursos de Hitler observamos a busca da soberania e afirmação da raça ariana; a idéia de que a instituição de sua liderança foi por provisão divina, seu apego aos símbolos: bandeiras, estandartes; superioridade, dentre os arianos, de seus líderes políticos (darwinismo social); a importância da coragem, fidelidade e honra remetidas aos heróis ex-combatentes; dentre outros pontos que nos levam a perceber toda a exaltação e auto-afirmação de uma liderança que se julga capaz de mudar a realidade da nação. Uma de suas estratégias bem explícitas é a instrução de jovens que crescem disciplinados por essa ideologia e será a base de seu futuro.
Através dessa obra, observamos toda a mobilização de uma massa extremamente numerosa preparada para exaltar, afirmar, reverenciar o novo regime que se instaura, refletindo assim, as estratégias de Hitler para consolidação de sua soberania e claro, sua megalomania.
O Triunfo da Vontade é um documentário dirigido e montado por Leni Riefenstahl, a cinegrafista oficial do Partido Nazista, escolhida pelo próprio líder para registrar os principais momentos de suas manifestações políticas. É uma seqüência de eventos repletos de discursos inflamados que se deram durante o Congresso do NSDAP, em 1934, na cidade de Nuremberg, sede do partido.
Apesar das limitações técnicas da época, o documentário nos permite avaliar alguns pontos importantes sobre o Nazismo.
Primeiramente, a suntuosidade do evento, com diversas paradas, desde o desfile de fazendeiros até os regimentos militares. Nota-se o valor dado por Hitler à estética, cada manifestação pode ser comparada a superproduções cinematográficas. Toda essa estética aparece como um instrumento de poder e afirmação, grandiosidade e soberania.
Os discursos inflamados levavam a massa ao delírio, não só Hitler, mas seus líderes quanto mais ovacionados mais em alto tom declaravam seus ideais. Aparecem os representantes de cada área do governo, o responsável por cada uma delas proclamava suas intenções e posicionamento político.
Nos discursos de Hitler observamos a busca da soberania e afirmação da raça ariana; a idéia de que a instituição de sua liderança foi por provisão divina, seu apego aos símbolos: bandeiras, estandartes; superioridade, dentre os arianos, de seus líderes políticos (darwinismo social); a importância da coragem, fidelidade e honra remetidas aos heróis ex-combatentes; dentre outros pontos que nos levam a perceber toda a exaltação e auto-afirmação de uma liderança que se julga capaz de mudar a realidade da nação. Uma de suas estratégias bem explícitas é a instrução de jovens que crescem disciplinados por essa ideologia e será a base de seu futuro.
Através dessa obra, observamos toda a mobilização de uma massa extremamente numerosa preparada para exaltar, afirmar, reverenciar o novo regime que se instaura, refletindo assim, as estratégias de Hitler para consolidação de sua soberania e claro, sua megalomania.
Resenha - Arquitetura da Destruição“Arquitetura da Destruição”
“Arquitetura da Destruição”
DIREÇÃO: Peter Cohen NARRAÇÃO: Bruno Ganz Suécia 1992 - 121 minutos
O Filme, Arquitetura da Destruição, busca uma explicação para a ideologia nazista e tem como tese, para essa explicação, a estética. A afirmação da identidade alemã, se daria pela limpeza racial, volta às tradições, valorização da antiguidade, e aclamação de uma raça superior: a ariana. O que fundamenta esse discurso seria a busca pelo belo, pelo embelezamento da sociedade que se reerguia.
Hitler, e outros componentes do partido nazista, pendiam para as artes, uns escritores, poetas, outros pintores, e o líder foi um desenhista que sonhava em ser arquiteto, mas foi frustrado. A arte e os ideais nazistas se fundem na busca do belo, a sociedade deveria ser bela, saudável, por isso, atrocidades foram cometidas, como a eutanásia de pessoas com doenças incuráveis, deformações, ou retardos mentais. Eles não poderiam atender aos padrões estéticos que eram impostos à sociedade alemã naquele momento. A saúde era cultuada, o médico surge como um líder político que não atende mais a um indivíduo, mas à raça.
O documentário mostra a fixação de Hitler pela antiguidade e seus padrões estéticos, o moderno era rechaçado. A arte moderna era considerada como degenerada, chamada de “bolchevismo cultural” e era atribuída aos judeus. As imagens características dessa arte, eram comparadas com as deformidades do homem, que deveriam ser extinguidas. Um conceito que também é resgatado é o da destruição total do inimigo, não basta vencer, tem que destruí-lo., como em Cartago.
A propaganda, os projetos urbanos, dentre eles o de Berlim, a”Grande Capital Nazista”, eram alvos dessa concepção artística e, inclusive, eram projetadas e desenhadas pelo próprio Hitler. Desenvolveram um grande papel no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
Apresenta, finalmente, o que os nazistas chamaram de “Solução Final” , o assassinato em massa de milhões de judeus. O anti-semitismo foi entranhado e, após perseguição e tortura nos campos de concentração os judeus foram assassinados, em escala industrial. O autor nos chama a atenção para a destruição causada pelos nazistas, por meio dessa concepção de eliminação de tudo o que se opunha ao seu ideal de beleza e superioridade, pelo simples fato de ser diferente, se trata de eliminação de uma cultura, de um povo.
É uma obra que nos revela, brilhantemente, fundamentos da concepção nazista no que tange à superioridade racial. Não podemos, no entanto, reduzir a catástrofe causada pelos nazistas à excentricidade de Hitler. A análise deve se basear em pespectivas mais amplas da ideologia, como a política, dentre outras.
DIREÇÃO: Peter Cohen NARRAÇÃO: Bruno Ganz Suécia 1992 - 121 minutos
O Filme, Arquitetura da Destruição, busca uma explicação para a ideologia nazista e tem como tese, para essa explicação, a estética. A afirmação da identidade alemã, se daria pela limpeza racial, volta às tradições, valorização da antiguidade, e aclamação de uma raça superior: a ariana. O que fundamenta esse discurso seria a busca pelo belo, pelo embelezamento da sociedade que se reerguia.
Hitler, e outros componentes do partido nazista, pendiam para as artes, uns escritores, poetas, outros pintores, e o líder foi um desenhista que sonhava em ser arquiteto, mas foi frustrado. A arte e os ideais nazistas se fundem na busca do belo, a sociedade deveria ser bela, saudável, por isso, atrocidades foram cometidas, como a eutanásia de pessoas com doenças incuráveis, deformações, ou retardos mentais. Eles não poderiam atender aos padrões estéticos que eram impostos à sociedade alemã naquele momento. A saúde era cultuada, o médico surge como um líder político que não atende mais a um indivíduo, mas à raça.
O documentário mostra a fixação de Hitler pela antiguidade e seus padrões estéticos, o moderno era rechaçado. A arte moderna era considerada como degenerada, chamada de “bolchevismo cultural” e era atribuída aos judeus. As imagens características dessa arte, eram comparadas com as deformidades do homem, que deveriam ser extinguidas. Um conceito que também é resgatado é o da destruição total do inimigo, não basta vencer, tem que destruí-lo., como em Cartago.
A propaganda, os projetos urbanos, dentre eles o de Berlim, a”Grande Capital Nazista”, eram alvos dessa concepção artística e, inclusive, eram projetadas e desenhadas pelo próprio Hitler. Desenvolveram um grande papel no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
Apresenta, finalmente, o que os nazistas chamaram de “Solução Final” , o assassinato em massa de milhões de judeus. O anti-semitismo foi entranhado e, após perseguição e tortura nos campos de concentração os judeus foram assassinados, em escala industrial. O autor nos chama a atenção para a destruição causada pelos nazistas, por meio dessa concepção de eliminação de tudo o que se opunha ao seu ideal de beleza e superioridade, pelo simples fato de ser diferente, se trata de eliminação de uma cultura, de um povo.
É uma obra que nos revela, brilhantemente, fundamentos da concepção nazista no que tange à superioridade racial. Não podemos, no entanto, reduzir a catástrofe causada pelos nazistas à excentricidade de Hitler. A análise deve se basear em pespectivas mais amplas da ideologia, como a política, dentre outras.
domingo, 18 de maio de 2008
FICHAMENTO - TEXTO: " A ANATOMIA DO FASCISMO" Cap. 7 Robert O. Paxton
Neste capítulo, inicialmente, o autor tenta responder a seguinte pergunta: O Fascismo ainda é possível? O marco inicial do fascismo foi encontrado com facilidade, apesar de existirem percussores antes da I Guerra Mundial, foi só com os sedimentos desta e da Revolução Bolchevique que de fato o fascismo se consolidou. No entanto, seu término se mostra difícil de ser marcado e desencadeia discussões.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
FICHAMENTO 4: "A ERA DOS EXTREMOS" Cap. 5 - "Contra o Inimigo Comum"
Eric Hobsbawm nesse capítulo, Contra o Inimigo Comum, fala sobre a aliança firmada por países liberais e comunistas para derrotar a Alemanha de Hitler na 2ª Guerra Mundial. Tal aliança seria contraditória por se tratar de “grupos” opostos, mas em dado momento se tornou fundamental.
Inicialmente, caracteriza a situação política desse período como “uma guerra civil ideológica internacional”.
O fator ideológico não se definia mais pela oposição: capitalismo x comunismo, mas sim “progresso” x “reação”.
De um lado as forças do progresso são representadas pelo comunismo e capitalismo, pois ambos são herdeiros do iluminismo do séc. XVIII e das grandes revoluções. Do outro lado, da força da reação, estaria o fascismo, com seu caráter nacional de apego às raízes. Seus argumentos iam se fortalecendo pela crise do liberalismo.
Considera esse momento como guerra civil pelo fato de que os limites pró e antifascistas cortavam cada sociedade. Foi tomando caráter internacional com o surgimento da Alemanha de Hitler.
Por tanto, conforme Hitler foi se tornando uma ameaça, à medida que a Alemanha se torna um Estado cuja política e ambição eram determinadas pela ideologia, tanto para a esquerda quanto para a direita, o fascismo alemão se tornou um “inimigo comum”.
O autor trata do processo pelo qual se desenvolveu essa aliança, que não se tornou possível facilmente. Internamente a esquerda se encontrava em embates: comunistas x social democratas, após um ano à ascensão de Hitler é que se tornam a favor da unidade antifascista. Na direita a dificuldade era, principalmente para a Grã -Bretanha e França, a hesitação em entrar novamente em outra guerra pois esses países foram fortemente marcados pela Primeira Grande Guerra. A política nazista foi tolerável por um tempo, sendo possível encontrar tentativas de uma “política de apaziguamento”, que foi ineficaz. A guerra era inevitável, e o autor aponta um grande fosso entre o reconhecimento do perigo das potências do Eixo e o agir a respeito.
A Guerra Civil Espanhola, apesar do isolamento da Espanha em relação aos outros países europeus mais envolvidos com as questões políticas internacionais, para Hobsbawm, antecipou e moldou as forças que destruíram o fascismo. A lógica de guerra antifascista pendia para a esquerda, e isso foi observado em nível mundial. No entanto, salvo exceções, os comunistas não tentaram estabelecer regimes revolucionários em lugar nenhum. As revoluções que ocorreram foram contra a vontade de Stálin.
O autor fala dos movimentos de Resistência europeus que tiveram importância militar insignificante, até a retirada da Itália da guerra, e não decisiva. Seu maior resultado foi político e moral. Fala também sobre as mudanças sociais após a mobilização militar e civil.
Finalmente, trata do reflexo dessa situação política em todo o globo com implicações sobre a Ásia e América Latina. Encara a aliança antifascista como fruto de contingência e logo após a vitória aliada, com a inexistência do inimigo fascista para uni-los, o capitalismo e socialismo novamente “se preparam para enfrentar um ao outro como inimigos mortais.” Pág.177 – 1° §
Inicialmente, caracteriza a situação política desse período como “uma guerra civil ideológica internacional”.
O fator ideológico não se definia mais pela oposição: capitalismo x comunismo, mas sim “progresso” x “reação”.
De um lado as forças do progresso são representadas pelo comunismo e capitalismo, pois ambos são herdeiros do iluminismo do séc. XVIII e das grandes revoluções. Do outro lado, da força da reação, estaria o fascismo, com seu caráter nacional de apego às raízes. Seus argumentos iam se fortalecendo pela crise do liberalismo.
Considera esse momento como guerra civil pelo fato de que os limites pró e antifascistas cortavam cada sociedade. Foi tomando caráter internacional com o surgimento da Alemanha de Hitler.
Por tanto, conforme Hitler foi se tornando uma ameaça, à medida que a Alemanha se torna um Estado cuja política e ambição eram determinadas pela ideologia, tanto para a esquerda quanto para a direita, o fascismo alemão se tornou um “inimigo comum”.
O autor trata do processo pelo qual se desenvolveu essa aliança, que não se tornou possível facilmente. Internamente a esquerda se encontrava em embates: comunistas x social democratas, após um ano à ascensão de Hitler é que se tornam a favor da unidade antifascista. Na direita a dificuldade era, principalmente para a Grã -Bretanha e França, a hesitação em entrar novamente em outra guerra pois esses países foram fortemente marcados pela Primeira Grande Guerra. A política nazista foi tolerável por um tempo, sendo possível encontrar tentativas de uma “política de apaziguamento”, que foi ineficaz. A guerra era inevitável, e o autor aponta um grande fosso entre o reconhecimento do perigo das potências do Eixo e o agir a respeito.
A Guerra Civil Espanhola, apesar do isolamento da Espanha em relação aos outros países europeus mais envolvidos com as questões políticas internacionais, para Hobsbawm, antecipou e moldou as forças que destruíram o fascismo. A lógica de guerra antifascista pendia para a esquerda, e isso foi observado em nível mundial. No entanto, salvo exceções, os comunistas não tentaram estabelecer regimes revolucionários em lugar nenhum. As revoluções que ocorreram foram contra a vontade de Stálin.
O autor fala dos movimentos de Resistência europeus que tiveram importância militar insignificante, até a retirada da Itália da guerra, e não decisiva. Seu maior resultado foi político e moral. Fala também sobre as mudanças sociais após a mobilização militar e civil.
Finalmente, trata do reflexo dessa situação política em todo o globo com implicações sobre a Ásia e América Latina. Encara a aliança antifascista como fruto de contingência e logo após a vitória aliada, com a inexistência do inimigo fascista para uni-los, o capitalismo e socialismo novamente “se preparam para enfrentar um ao outro como inimigos mortais.” Pág.177 – 1° §
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