sábado, 21 de junho de 2008

FICHAMENTO: “A Negação do Holocausto como Tema de Discussão” - Dietfrid Krause-Vilmar

O autor deste artigo fala sobre o Negacionismo, corrente que nega o Holocausto em diferentes níveis, questionando sobre a necessidade de se preocupar e estudar esse tema. Responder se de fato é necessário se ocupar de forma intensa e quase científica com essa questão é um tanto quanto controverso, mas o autor considera ser importante se ocupar da negação dos assassinatos em massa pelo fato de que muitas pessoas, em vista à atrocidade e horror, não conseguem acreditar que o ser humano seja capaz de tamanha barbaridade. E em segundo lugar, acredita numa fragilidade da sociedade que se mostra “suscetível a idéias aberrantes” (palavras da historiadora norte-americana Deborah Lipstadt).
A negação pública dos crimes nazistas surgiu primeiramente na França, indo mais tarde para outros países da Europa e para o s EUA. O que fizeram inicialmente foi relativizar os relatos das testemunhas da época. As primeiras negações que repercutiram amplamente na opinião pública foram de Paul Rassinier, incluindo a afirmação de que os sobreviventes dos campos de concentração exageravam em suas declarações sobre o que passaram enquanto prisioneiros.
Dez anos mais tarde, começaram a negar o extermínio, fazendo uso inclusive de investimentos empíricos. Fatos como: o número de pessoas assassinadas, as técnicas usadas no extermínio, documentos e figuras históricas que foram apresentados, os locais dos campos de morte e a existência das câmaras de gás foram negados. Os negacionistas se colocaram em confrontações em nível jurídico, que inicialmente os beneficiavam pelo impacto que causavam na opinião pública, mas com tempo passaram a evitá-las, pois ocasionavam condenação dos negadores e consequentemente prisões por vários anos.
O cerne das afirmações consiste na negação dos assassinatos em massa dos judeus europeus. Mas essa relativização engloba uma série de assuntos em diversos níveis, o autor descreve cada um deles.
O revisionismo tornou-se uma rede internacional de publicações, simpósios e etc, incluindo o intenso uso da internet.
O autor também descreve as objeções e os níveis de argumentação dos negacionistas, dentre essas descrições destaca-se a riqueza de detalhes com que fundamentam seus argumentos, mas que, no entanto, são descontextualizados. Usam documentos isolados como fundamentais em suas afirmações, mas que são altamente contestáveis. Fala também sobre os problemas existentes nas fontes históricas, mas que mesmo assim, a partir delas não se pode negar o extermínio de judeus, o papel da Alemanha da II Guerra, dentre outros fatos verídicos que eles tentam refutar.
Finalmente, Vilmar fala da importância de se contrapor a essas negações com argumentações cientificamente fundadas, tendo em vista que muitas pessoas que não presenciaram as atrocidades nazistas, nem viveram essa época, se sentem inseguras e acabam por considerar os questionamentos levantados e disseminados pelos revisionistas.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

FICHAMENTO: “Sol Negro” – Nicholas Goodrick- Clark

Em sua conclusão o autor Goodrick-Clark aponta para o ressurgimento da extrema-direita aliado aos cultos arianos e ao nazismo esotérico, principalmente nos EUA e Grã-bretanha. Mas esclarece que tal fenômeno não se esgota em si só, na verdade se afirma nas políticas de identidade.
Com a histórica segregação e racismo direcionados aos negros, grupos étnicos exigem políticas governamentais de vantagens e proteção à minoria, como assim se auto-identificam. A partir do momento em que essas exigências são atendidas, práticas de restrições aos brancos começam a ocorrer alimentando o ódio entre os que consideram como raça superior.
Apesar da opinião liberal desses países ser anti-racista, a política ocidental de proteção a um grupo étnico marginalizado alimenta a concepção de raça como uma categoria legítima de identificação grupal.
A ideologia dos grupos de cultos arianos se mostra mais difusa que as do nacional-socialismo, isso se torna, portanto, um alerta, pois o que vemos crescer é um problema sério de imigração vinda dos países do Terceiro Mundo. À medida que os EUA e a Inglaterra recebem esses imigrantes, a intolerância ao multiculturalismo aumenta, fortalecendo a extrema-direita. Essa situação aliada ao crescimento da ideologia ariana pode surtir efeitos perigosos.

O autor faz de fato um alerta:

“Não temos como saber o que reserva o futuro para as sociedades multiculturais do Ocidente, mas a experiência não deu muito certo na Áustria-Hungira, na União Soviética e na Iugoslávia. Os desafios do multirracialismo nos Estados ocidentais liberais são ainda maiores, e é evidente que a ação afirmativa e o multiculturalismo estão levando a uma hostilidade ainda mais difusa contra o liberalismo. De um ponto de vista retrospectivo de um futuro potencialmente autoritário em 2020 ou 2030, esses cultos arianos e o nazismo esotérico podem ser documentados como sintomas iniciais de grandes mudanças desestabilizadoras nas democracias ocidentais da atualidade.” (pág. 401 1º§).

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Resenha do livro -PASSO DE CARANGUEJO - Günter Grass

Günter Grass é um escritor alemão nascido em 16 de outubro de 1927 na cidade de Danzig. Artista não só ligado à literatura, mas também à escultura e ao teatro. Em 1999 recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Participou da juventude nazista na SS e em 45, ferido, foi preso na Tchecoslováquia sendo liberto no ano seguinte. Atualmente, de ideais políticos de esquerda, critica e condena o passado nazista da Alemanha, ao qual aderiu na juventude. Suas obras são alvos de grande polêmica.
Passo de Caranguejo é um romance com uma narrativa expressa no próprio título. Com vários cortes temporais se interligando faz-se necessário avançar e recuar em seu raciocínio. Tal característica é atribuída ao personagem central e narrador do livro: Paul Pokriefke, um jornalista, falido, que sempre se põe em cima do muro, indo sempre de viés, avançando e recuando, como um caranguejo, para avançar mais ainda em busca da verdade.
O livro relata a história do naufrágio do navio Wilhelm Gustloff, durante o qual nasce Paul, e de suas repercussões em sua família, mais especificamente em três gerações: sua mãe, ele próprio e seu filho. Traz como pano de fundo um relato histórico da II Guerra Mundial, alertando sobre o neonazismo que podemos observar atualmente, principalmente na Europa, e o anti-semitismo que o acompanha.
Paul Pokriefke é um jornalista alemão de mãe e avós alemães e que se considera um fracassado, profissionalmente e pessoalmente. Em um de seus acessos á internet, descobre um site que o intriga bastante: www.martir.de. Descobre que se trata de um site relacionado a neonazistas: Associação dos Camaradas de Schwerin. No entanto, continua intrigado e busca saber a que mártir ele se refere. Descobre então que se trata de Wilhelm Gustloff, representante do partido nazista na Suíça, de orientação esquerdista, e que em 1936 é assassinado por um estudante de medicina judeu, David Frankfurt, em sua própria casa.
O partido nazista, para “agraciar” seus trabalhadores e promover descanso mental e divertimento promovia excurssões pela a Europa a bordo de navios construídos para esse fim. Eram os famosos cruzeiros da Kdf (Kraft durch Freude – alegria pela força) uma associação nazista. Um desses navios foi batizado com o nome de Wilhelm Gustloff , o mártir a quem o site reverenciava com tons saudosistas. Em 1945 ocorre um incidente. Em meio à guerra, o navio já perdera seus fins de diversão e finalmente, após várias utilidades, se torna um navio de fugitivos e de soldados feridos com avanço das tropas aliadas na Alemanha. Dentre os fugitivos encontrava-se Ursula, mais conhecida como Tulla, a mãe de Paul que se encontrava grávida dele. No dia 30 de janeiro, o navio e atingido por três torpedos vindo de um submarino russo comandado por Alexander Marinesko. Mas não era um navio inimigo, estava repleto de fugitivos inocentes. Naquela noite, Tulla dá à luz Paul Pokriefke, que nunca soube quem foi seu pai.
Após a guerra, com a divisão da Alemanha, Paul deixa a casa de sua mãe, na parte oriental, e passa a viver na parte ocidental, casa-se com Gabi e tem um filho chamado Konrad. Separa-se de sua mulher e não tem um bom relacionamento com seu filho, que acaba se apegando mais à sua avó Tulla. Esta, uma mulher de orientações convictas, admiradora de Stálin, obviamente de orientação política de esquerda, sempre se remetera ao seu passado, falava sempre de sua sobrevivência ao naufrágio, das maravilhas que a Kdf proporcionou ao povo alemão insistia que seu filho registrasse, escrevesse sobre a história de seu nascimento que obviamente faz parte da história mundial. Sempre hesitante Paul considera sua história um fracasso, maldizia a data de seu nascimento, coincidentemente a mesma data da ascensão ao poder do Partido Nazista na liderança de Hitler, 30 de janeiro, porém 1933. Sua própria mãe o chamava de fracassado e depositava sua esperança em Konradezinho, como chamava seu neto, esperava que ele sim relatasse ao mundo essa história. O que de fato aconteceu.
Em sua busca em descobrir o que estava por trás desse site, cujo relato intimamente se ligava à sua fracassada história de vida, participa de chats onde começa a perceber que não se tratava de um grupo neonazista, mas desconfia de que por trás disso tudo existe um internauta solitário que sabe em detalhes como se deu a tragédia. Como que em disputa, surge no chat David, que fala em nome dos judeus e passa a rebater as afirmações de Wilhelm, o nome com que o internauta solitário se apresenta. Entre debates ferrenhos, Paul percebe com que riqueza de detalhes os jovens relatam sobre o assassinato de Wilhelm, o naufrágio do navio, a perícia de Marinesko, que em consenso, ambos elogiam, dentre outros fatos históricos relacionados. Paul desconfia e confirma a sua desconfiança de que aquele jovem que reivindica a restauração do monumento dedicado ao líder nazista na Suíça, que o reverencia, prega valores nazistas, ressalta as viagens sem classes da Kdf, e fala com discurso anti-semita é seu filho Konny, como também era conhecido Konrad. Não se tratava da Associação dos Camaradas Schwerin, grupo de skinheads, que por um momento apoiava seu filho, mas que depois de um discurso de Konrad em uma de suas reuniões, quando elogiou o russo Marinesko, foi perseguido pelos jovens arruaceiros e violentos. Paul procurou ajuda com Tulla, que dera de presente para Konrad o computador com o qual se aprimorava na tecnologia moderna e espalhava pelo mundo suas idéias, e com sua ex-mulher Gabi, mas nenhuma das duas o ouviu, disseram que era tarde para que Paul manifestasse preocupações com seu filho distante.
Mais à frente, a rivalidade dos dois jovens no chat misturava-se a uma possível amizade, pontos em comuns como o gosto pelo ping-pong. “David” e “Wilhelm” marcam um encontro, Konrad mostra a cidade para “David” e vão para o lugar que seria o principal destino, o mausoléu de Wilhelm. Konrad saca uma pistola russa e mata “David”. Assim como o assassino de Wilhelm, David Frankfurt que acreditava cumprir seu dever de judeu, Konrad acredita cumprir seu dever de alemão. Vai a julgamento e lá descobre que o jovem que assassinou se chamava Wolfgang Streplin, e que nem judeu era, seus pais não eram judeus, seu pai inclusive era filho de pastor protestante. Konrad é condenado a 7 anos de cadeia, na prisão recebe visitas de sua mãe, de sua avó, de sua namorada Rosi e de seu pai, com quem começa a estabelecer um melhor diálogo. E finalmente, Paul novamente descobre um site que lhe chama a atenção: www.camarada.konrad.pokriefke.de , agora cultuam seu filho, cujos ideários e atitudes deveriam servir de exemplo. E conclui que isso nunca vai acabar.
Durante todo o trajeto do livro ele questiona seu papel de pai, relacionando à sua atitude “passo de caranguejo”, sempre de viés, nunca muito direto, o distanciamento de seu próprio filho.

Através dessa narrativa, um tanto quanto difícil de acompanhar até que se adapte ao se ritmo, Günter Grass busca entender os motivos que podem levar um jovem, que não passou pela II Guerra Mundial, mas que ouve sobre suas tragédias, a tomar posições de extrema-direita. Konrad é um personagem que ao mesmo tempo em que nutre ideais socialistas, influenciado por sua avó, prega um nacionalismo intenso. O autor parte do argumento de que a convivência familiar pode ser uma das causas para isso, colocando-a como um fator primordial, principalmente quando trata da carência da figura paterna. Atualmente, com a internet, é muito mais fácil e eficaz a proliferação do ideal fascista, dentre outros. Passo de Caranguejo é um alerta para o mundo, pois apesar de ser um romance, traz uma realidade atual. Movimentos neonazistas crescem, jovens se tornam adeptos e espalham sua idéias pela rede. É responsabilidade dos pais acompanhar os passos de seus filhos e preencher as suas eventuais faltas.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Fichamento - “O Ressurgimento da Extrema Direita e do Nazismo: a dimensão histórica e internacional" Paulo F. Vizentini

O autor desse artigo objetiva chamar a atenção para a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. Além da perspectiva social, ética, filosófica e política, Paulo se baseia em uma dimensão histórica para analisar esse ressurgimento, que não deve ser ignorado pelo fato desses grupos serem periféricos ou marginais, levando em consideração que o Partido Nazista começou com 7 membros e em 14 anos já tinha cerca 850 mil filiados. Para tal análise, inicialmente distingue neonazismo, extrema direita, extremismo político, partido político, movimento político e o fenômeno de gangs. Conceitos distintos mais intimamente associados.
Divide sua análise em duas partes que serão, a seguir, expostas.

NASCIMENTO, EXPANSÃO E DERROTA E HIBERNAÇÃO.

Do ponto de vista imediato, o nazifascismo está ligado à crise do liberalismo e à crise da noção de progresso dos anos 20. Resgata tradições conservadoras que ficaram sufocadas com as Revoluções Liberais. Trata-se de uma resposta aos problemas sociais daquele momento, inclusive ao triunfo e existência da Revolução Soviética após à I Grande Guerra. Com a crise de 29, esses movimentos ganharam muito peso.
O autor fala também da conivência dos países democráticos em relação ao advento do nazifascismo, além de considerarem como um “mal menor”, o consideraram como um possível aliado na luta contra o socialismo. O fascismo foi derrotado na II Guerra Mundial, mas não totalmente eliminado, como alguns regimes podem confirmar: o de Salazar na Espanha e de Franco na França.
O período que chama de hibernação, refere-se a sua sobrevida, o período em que o movimento existe, porém não de forma explícita. Diz que a causa é fruto do resultado da II Guerra Mundial, o advento da Guerra Fria. Com a divisão geopolítica entre EUA e URSS, alguns países com a esquerda forte (Grécia, Itália, França) ficaram do lado ocidental e alguns onde a esquerda era fraca como Polônia, Hungria e Romênia ficaram do lado oriental. Para equilibrar e evitar a força da esquerda dos países ocidentais foram criadas grandes formações de centro e centro-direita. As direções desses partidos vieram da oposição ao fascismo, mas o autor questiona que para tal não seria necessária ter uma grande base eleitoral e ela não incluiria pessoas com passado ligado ao fascismo? O anti-comunismo passa a ser uma bandeira atrás da qual “fatores e atores” que tornaram possível a existência do fascismo, ainda depois da guerra, se escondem. Outro fator para a sua sobrevivência é a reconstrução da economia desses países e consequentemente uma nova tendência nos julgamentos de criminosos de guerra, inocentando principalmente empresários que tiveram participação ativa nesse regime.
Segue citando outros fatores que possibilitaram a sobrevivência do fascismo dentre eles o aproveitamento de recursos humanos e técnicos nazistas pelos EUA na Guerra Fria.


O RESSURGIMENTO DA EXTREMA DIREITA E DO NEONAZISMO

Nos anos 70 vem a crise dos anos dourados e consigo revoluções ultranacionalistas ou socialistas no Terceiro Mundo e geraram uma simpatia dos países do Primeiro Mundo, principalmente de jovens da classe média, com as causas dos países periféricos. No entanto, com a crise do petróleo houve recessão econômica que começou a afetar os países do Primeiro Mundo e essa simpatia passou a declinar. A forma como os paises europeus tratam as questões dos periféricos começa a mudar, principalmente com o surgimento de alguns capitalismos bem sucedidos no Terceiro Mundo em face à estagnação industrial da Europa.
Mesclado a isso, o déficit demográfico em alguns países europeus fez com que eles incentivassem a imigração a fim de conseguir mão-de-obra barata através de estrangeiros dos países dependentes. Isso foi gerando um conceito de “invasão bárbara”, e a xenofobia começa a crescer.
Outro fator é o movimento de crítica ao consumo. Os movimentos de contra-cultura como os hippies são substituídos pelo skinheads, que tomam caminhos políticos diferentes. O que para o autor é um local de recrutamento para organizações fascistas e neofascistas.
O autor chama atenção para diversos outros fatores políticos; econômicos como o desemprego e crises que motivaram o ataque a estrangeiros, ideológicos como a desilusão no que diz respeito à modernidade; além da violência, fundamentalismo, retorno ao misticismo dentre outros que formam a base dos movimentos neonazistas.
Finalmente, Paulo toma um posicionamento e diz: “Todas as sociedades do mundo devem se aliar para defender a herança que iniciou com o Renascimento. Essa modernidade ainda não esgotou, como dizem os pós-modernos, pelo simples fato de que 80% da população mundial ainda não teve aceso a essa modernidade; se tivesse, não estaria apoiando regimes e partidos que se nutrem do medo e da ignorância. O medo e a ignorância são a base desses movimentos, e as democracias devem se armar contra isso, através da mobilização social...” pág. 10 – 5º§ e ainda: “ Os riscos contidos no ressurgimento do nazismo e da extrema direita são incalculáveis. Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isso, ainda não está construído. É precisamente nesse hiato de pânico e desesperança que surge o medo.” Pág. 10 – 7º §.



VIZENTINI, Paulo F. “O Ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extremismo político. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.p. 17 a 46.

Resenha - O Triunfo da Vontade

RESENHA – FILME: O TRIUNFO DA VONTADE



O Triunfo da Vontade é um documentário dirigido e montado por Leni Riefenstahl, a cinegrafista oficial do Partido Nazista, escolhida pelo próprio líder para registrar os principais momentos de suas manifestações políticas. É uma seqüência de eventos repletos de discursos inflamados que se deram durante o Congresso do NSDAP, em 1934, na cidade de Nuremberg, sede do partido.
Apesar das limitações técnicas da época, o documentário nos permite avaliar alguns pontos importantes sobre o Nazismo.
Primeiramente, a suntuosidade do evento, com diversas paradas, desde o desfile de fazendeiros até os regimentos militares. Nota-se o valor dado por Hitler à estética, cada manifestação pode ser comparada a superproduções cinematográficas. Toda essa estética aparece como um instrumento de poder e afirmação, grandiosidade e soberania.
Os discursos inflamados levavam a massa ao delírio, não só Hitler, mas seus líderes quanto mais ovacionados mais em alto tom declaravam seus ideais. Aparecem os representantes de cada área do governo, o responsável por cada uma delas proclamava suas intenções e posicionamento político.
Nos discursos de Hitler observamos a busca da soberania e afirmação da raça ariana; a idéia de que a instituição de sua liderança foi por provisão divina, seu apego aos símbolos: bandeiras, estandartes; superioridade, dentre os arianos, de seus líderes políticos (darwinismo social); a importância da coragem, fidelidade e honra remetidas aos heróis ex-combatentes; dentre outros pontos que nos levam a perceber toda a exaltação e auto-afirmação de uma liderança que se julga capaz de mudar a realidade da nação. Uma de suas estratégias bem explícitas é a instrução de jovens que crescem disciplinados por essa ideologia e será a base de seu futuro.
Através dessa obra, observamos toda a mobilização de uma massa extremamente numerosa preparada para exaltar, afirmar, reverenciar o novo regime que se instaura, refletindo assim, as estratégias de Hitler para consolidação de sua soberania e claro, sua megalomania.

Resenha - Arquitetura da Destruição“Arquitetura da Destruição”

“Arquitetura da Destruição”
DIREÇÃO: Peter Cohen NARRAÇÃO: Bruno Ganz Suécia 1992 - 121 minutos




O Filme, Arquitetura da Destruição, busca uma explicação para a ideologia nazista e tem como tese, para essa explicação, a estética. A afirmação da identidade alemã, se daria pela limpeza racial, volta às tradições, valorização da antiguidade, e aclamação de uma raça superior: a ariana. O que fundamenta esse discurso seria a busca pelo belo, pelo embelezamento da sociedade que se reerguia.
Hitler, e outros componentes do partido nazista, pendiam para as artes, uns escritores, poetas, outros pintores, e o líder foi um desenhista que sonhava em ser arquiteto, mas foi frustrado. A arte e os ideais nazistas se fundem na busca do belo, a sociedade deveria ser bela, saudável, por isso, atrocidades foram cometidas, como a eutanásia de pessoas com doenças incuráveis, deformações, ou retardos mentais. Eles não poderiam atender aos padrões estéticos que eram impostos à sociedade alemã naquele momento. A saúde era cultuada, o médico surge como um líder político que não atende mais a um indivíduo, mas à raça.
O documentário mostra a fixação de Hitler pela antiguidade e seus padrões estéticos, o moderno era rechaçado. A arte moderna era considerada como degenerada, chamada de “bolchevismo cultural” e era atribuída aos judeus. As imagens características dessa arte, eram comparadas com as deformidades do homem, que deveriam ser extinguidas. Um conceito que também é resgatado é o da destruição total do inimigo, não basta vencer, tem que destruí-lo., como em Cartago.
A propaganda, os projetos urbanos, dentre eles o de Berlim, a”Grande Capital Nazista”, eram alvos dessa concepção artística e, inclusive, eram projetadas e desenhadas pelo próprio Hitler. Desenvolveram um grande papel no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
Apresenta, finalmente, o que os nazistas chamaram de “Solução Final” , o assassinato em massa de milhões de judeus. O anti-semitismo foi entranhado e, após perseguição e tortura nos campos de concentração os judeus foram assassinados, em escala industrial. O autor nos chama a atenção para a destruição causada pelos nazistas, por meio dessa concepção de eliminação de tudo o que se opunha ao seu ideal de beleza e superioridade, pelo simples fato de ser diferente, se trata de eliminação de uma cultura, de um povo.
É uma obra que nos revela, brilhantemente, fundamentos da concepção nazista no que tange à superioridade racial. Não podemos, no entanto, reduzir a catástrofe causada pelos nazistas à excentricidade de Hitler. A análise deve se basear em pespectivas mais amplas da ideologia, como a política, dentre outras.

domingo, 18 de maio de 2008

FICHAMENTO - TEXTO: " A ANATOMIA DO FASCISMO" Cap. 7 Robert O. Paxton

Neste capítulo, inicialmente, o autor tenta responder a seguinte pergunta: O Fascismo ainda é possível? O marco inicial do fascismo foi encontrado com facilidade, apesar de existirem percussores antes da I Guerra Mundial, foi só com os sedimentos desta e da Revolução Bolchevique que de fato o fascismo se consolidou. No entanto, seu término se mostra difícil de ser marcado e desencadeia discussões.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.




BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

FICHAMENTO 4: "A ERA DOS EXTREMOS" Cap. 5 - "Contra o Inimigo Comum"

Eric Hobsbawm nesse capítulo, Contra o Inimigo Comum, fala sobre a aliança firmada por países liberais e comunistas para derrotar a Alemanha de Hitler na 2ª Guerra Mundial. Tal aliança seria contraditória por se tratar de “grupos” opostos, mas em dado momento se tornou fundamental.
Inicialmente, caracteriza a situação política desse período como “uma guerra civil ideológica internacional”.
O fator ideológico não se definia mais pela oposição: capitalismo x comunismo, mas sim “progresso” x “reação”.
De um lado as forças do progresso são representadas pelo comunismo e capitalismo, pois ambos são herdeiros do iluminismo do séc. XVIII e das grandes revoluções. Do outro lado, da força da reação, estaria o fascismo, com seu caráter nacional de apego às raízes. Seus argumentos iam se fortalecendo pela crise do liberalismo.
Considera esse momento como guerra civil pelo fato de que os limites pró e antifascistas cortavam cada sociedade. Foi tomando caráter internacional com o surgimento da Alemanha de Hitler.
Por tanto, conforme Hitler foi se tornando uma ameaça, à medida que a Alemanha se torna um Estado cuja política e ambição eram determinadas pela ideologia, tanto para a esquerda quanto para a direita, o fascismo alemão se tornou um “inimigo comum”.
O autor trata do processo pelo qual se desenvolveu essa aliança, que não se tornou possível facilmente. Internamente a esquerda se encontrava em embates: comunistas x social democratas, após um ano à ascensão de Hitler é que se tornam a favor da unidade antifascista. Na direita a dificuldade era, principalmente para a Grã -Bretanha e França, a hesitação em entrar novamente em outra guerra pois esses países foram fortemente marcados pela Primeira Grande Guerra. A política nazista foi tolerável por um tempo, sendo possível encontrar tentativas de uma “política de apaziguamento”, que foi ineficaz. A guerra era inevitável, e o autor aponta um grande fosso entre o reconhecimento do perigo das potências do Eixo e o agir a respeito.
A Guerra Civil Espanhola, apesar do isolamento da Espanha em relação aos outros países europeus mais envolvidos com as questões políticas internacionais, para Hobsbawm, antecipou e moldou as forças que destruíram o fascismo. A lógica de guerra antifascista pendia para a esquerda, e isso foi observado em nível mundial. No entanto, salvo exceções, os comunistas não tentaram estabelecer regimes revolucionários em lugar nenhum. As revoluções que ocorreram foram contra a vontade de Stálin.
O autor fala dos movimentos de Resistência europeus que tiveram importância militar insignificante, até a retirada da Itália da guerra, e não decisiva. Seu maior resultado foi político e moral. Fala também sobre as mudanças sociais após a mobilização militar e civil.
Finalmente, trata do reflexo dessa situação política em todo o globo com implicações sobre a Ásia e América Latina. Encara a aliança antifascista como fruto de contingência e logo após a vitória aliada, com a inexistência do inimigo fascista para uni-los, o capitalismo e socialismo novamente “se preparam para enfrentar um ao outro como inimigos mortais.” Pág.177 – 1° §

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Fichamento - " A Anatomia dos Fascismos" cap. 8

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008





FICHAMENTO:
TEXTO 3 – “A ANATOMIA O FASCISMO” cap. 8 - Roberto O. Paxton


O autor nesse capítulo fecha seu livro, explanando suas conclusões.

O QUE É FASCISMO?

Ele abre esse tópico explicitando que seu objetivo não foi o de buscar uma essência do fascismo, estática e cristalizada, mas acompanhar o processo desde a formação até a tomada do poder. Deixa claro também, que baseado nos 5 estágios por ele proposto, cada fase deve ser analisada e levada em conta. Considera o fascismo como um composto de componentes distintos: conservadorismo, nacional-socialismo e direita radical, por tanto, ele era muito mais uma rede de relações que uma essência fixa.

INTERPRETAÇÕES CONFLITANTES

Após ter visto todo o ciclo, em sua totalidade, ele avalia as muitas interpretações sobre esse tema.
Várias são as interpretações avaliadas por Paxton: o fascismo é um instrumento do capitalismo; opostamente, a comunidade empresarial era vítima dele; respostas psicanalíticas para a obsessão de alguns fascistas (líderes e público), por tanto, o fenômeno é caracterizado por uma psicose; ele é um produto da história, fruto de um desenvolvimento econômico e social desigual; foi possível devido ao surgimento de uma sociedade de massas atomizada, gerada pelo nivelamento urbano e industrial a partir do fim do séc. XIX, vulnerável ao movimento, pois; é uma ditadura desenvolvimentista; é expressão do ressentimento da classe média inferior; uma subespécie do totalitarismo; uma religião política; é uma questão cultural. Chega a conclusão de que tais interpretações são equivocadas, já que são rechaçadas por outros estudos, ou incompletas por não responderem a certos questionamentos.


FONTEIRAS


Nesse tópico, diz sobre a necessidade de se estabelecer fronteiras entre o fascismo e as formas assemelhadas a ele, já que foi um fenômeno bastante copiado em vários lugares do mundo. Ele não pode ser confundido com a tirania clássica, com ditadura militar, ou autoritarismo. Esses fenômenos listados têm características, nas suas manifestações em regimes políticos, comuns ao fascismo, no entanto outras características que lhes são peculiares anulam a hipótese de serem considerados regimes fascistas. O autor enfatiza que essas fronteiras, essas linhas de separação, são bem tênues, bastante sutis e por tanto precisam de profunda análise.


O QUE É O FASCISMO?


Aqui, dá a definição esperada do fascismo:
“(...) definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vítima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais um partido de base popular formado por militares nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.” ( pág.358/359 – 3º §)

Ao final, conclui que o Estágio 1, por ele definido, do fascismo existe, hoje, em todos os países democráticos, inclusive os EUA. Esse nível se caracteriza pelo abandono das liberdades democráticas. Algumas poucas sociedades, segundo ele, chegaram ao Estágio 2, ele o determina como algo próximo do fascismo clássico. Deixa claro que o avanço à tomada do poder depende em grande parte do aprofundamento da crise, mas também, depende de decisões, escolhas humanas dos detentores do poder econômico, social e político. Conclui ainda, que é difícil determinar a forma correta de reagir ao avanço fascista, já que seu ciclo não se replica sempre da mesma forma, mas compreender a forma pela qual ele atingiu o êxito dará chances de reagir de forma mais sensata.



BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361

Resenha - 1900 Homo Sapiens

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008




RESENHA – FILME: 1900 HOMO SAPIENS



O Filme Homo Sapiens é um documentário feito pelo diretor sueco, da cidade de Lund, Peter Cohen. Ele nasceu em 1946, após a II Guerra Mundial, e é filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim durante a guerra. Seu grande sucesso foi Arquitetura da Destruição. O filme trata da Eugenia: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (definição: Francis Galton).
O documentário é baseado em arquivos de filmes e fotos que mostram de maneira clara como o conceito de eugenia foi explorado e pesquisado no durante o séc XX. As pesquisas se deram em vários países da Europa e nos EUA, mas o foco do filme é trazer à tona os objetivos e a crueldade dessas pesquisas na Alemanha fascista e na URSS.

Um dos conceitos centrais do nazismo é a “Raça Ariana”, a raça que seria legitimamente germânica e superior a todas as outras. Consequentemente, esse conceito abriu margem para a grande busca pelo corpo perfeito, descartando literalmente da sociedade aqueles que tinham deformidades ou eram considerados fora dos padrões arianos. Isso foi chamado de darwinismo social, ou limpeza social. Para tal “política de limpeza” o governo usou dos recursos de cientistas que estavam envolvidos nas pesquisas sobre a eugenia. Buscava-se criar uma sociedade de homens fortes e bonitos, onde de fato só os dotados dessas qualidades venceriam. O filme mostra que esse conceito não se limitou ao governo, mas se entranhou na sociedade. Um exemplo é o trecho em que mostra o governo direcionando uma série de requisitos a serem preenchidos por médicos após avaliarem crianças que, segundo tal política não seriam “perfeitas”, e os próprios médicos não observavam tais requisitos, e condenavam arbitrariamente à morte as crianças que eles consideravam “imperfeitas”, manipulando os motivos para a sentença.

Na URSS o foco não era o corpo em si, mas o cérebro. As pesquisas buscavam estudar os cérebros de homens brilhantes, como Lênin, e encontrar a forma de gerar uma sociedade de homens inteligentes. Comparavam a reprodução humana com a de animais, onde se escolhe os progenitores por suas qualidades genéticas, a fim de gerarem crianças, segundo o padrão determinado. Descartava-se aí, o amor entre os pais e a instituição da família. Os homens e mulheres passariam a ser simplesmente reprodutores de “gênios”.


O autor critica, através desse documentário, as atrocidades cometidas através do mau uso da eugenia. Os estudos de Darwin sobre a seleção natural, de Mendel e outros geneticistas foram usados para a produção planejada e manipulada de pessoas “fortes”, “bonitas”, “inteligentes”, enfim, pessoas que fariam parte de uma sociedade racialmente superior. Isso tudo a custo de muitas vidas que foram friamente mortas por terem nascido com algum tipo de defeito, que não as impedia de viver, mas simplesmente não as permitia atender a um padrão determinado por homens que não souberam respeitar a vida humana.

sábado, 29 de março de 2008

Ai galera...um link com fotos sobre fascismo (italiano e alemão)

http://www.fotosearch.com.br/fotos-imagens/fascismo_3.html

Fichamento - " A Anatomia dos Fascismos" cap. 1

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 29 DE MARÇO DE 2008



FICHAMENTO
TEXTO 2: -“A ANOTOMIA DO FASCISMO” cap.1 Robert O. Paxton



O primeiro capítulo deste livro, A Anatomia do Fascismo, trás os objetivos do autor ao escrevê-lo através de 4 tópicos: A Invenção do Fascismo, As Imagens do Fascismo, Estratégias e Para onde vamos a partir daqui?

A INVENÇÃO DO FASCISMO

Paxton faz uma análise do surgimento do Fascismo e de suas impressões. Primeiramente o considera como a grande inovação do séc XX, já que os outros movimentos políticos se consolidaram no final do séc XVIII e meio do XIX.
Descreve como um fenômeno inesperado, com poucas previsões a respeito de seu surgimento. Nascia, então, uma ditadura antiesquerdista com grande apoio e entusiasmo das massas.

Em seguida, descreve o significado da palavra “fascismo”, suas origens e apropriação por diversos seguimentos até chegar a Mussolini.

O Movimento liderado por Benito Mussolini, começa com veteranos de guerra, sindicalistas pró-guerra e intelectuais futuristas e seu programa, mais a frente, “(...) era uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de “nacional- socialismo”” ( pág. 16 – 2º §)


Os veteranos se sentiam no direito de governar o país que salvaram; os sindicalistas pró-guerra, que junto com Mussolini lutaram para levar a Itália à guerra, criam que poderiam derrubar o capitalismo com a força de sua vontade, ao contrário dos socialistas que acreditavam em uma evolução gradual; e o terceiro grupo, o de intelectuais, se opunha à burguesia e, dentre eles, tinham os que queriam “concluir” a revolução nacional, já que o 1º Risorgimento ( Renascimento) teria deixado a Itália nas mãos de uma oligarquia, indo contra o prestígio cultural do país.

Surgia então na Itália, o fascismo, que também iria ser observado, independente do fascismo de Mussolini, em outros países da Europa, mas com pontos em comum: nacionalismo, anticapitalismo, voluntarismo e violência ativa contra seus inimigos burgueses quanto socialistas.

Muitos tentaram defini-lo, alguns diziam que era um movimento de bárbaros, a ralé e que seria reflexo de uma crise moral vivida na Europa do pós-guerra. Os Marxistas tinham outra definição: “O fascismo é a ditadura explícita e terrorista dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. (pág. 22 – 1º §)

O fato é que o fascismo teve diversas interpretações e nenhuma teve aceitação universal. O autor busca reexaminar essas interpretações e chegar a uma nova maneira de encará-lo.


AS IMAGENS DO FASCISMO


Nesse tópico, o autor quer desmistificar alguns conceitos de fascismo oriundos da sua imagem muito projetada pela mídia, livros, etc...

A primeira delas é a do líder ditador, uma personificação do fascismo, ele chama a atenção para o perigo de analisar o líder isoladamente, já que dessa forma se deixaria de lado muitos os outros fatores, dentre eles a aprovação e tolerância a esses líderes por parte de algumas nações, e o auxílio de pessoas, grupos e instituições.

Um outro conceito é alimentado pela imagem das grandes multidões cantando e apoiando o regime. Trás a idéia de que isso acontece por natureza específica de determinados países Europeus. Seria, por tanto, impossível ocorrer em outras nações que na verdade, eram espectadoras. O anti-semitismo também aparece erroneamente como central no fascismo, mas fica claro que é essencial em alguns regimes e em outros não.

Outro ponto se baseia no discurso fascista e no que de fato foi feito quando chegou ao poder. Muitos o consideram anticapitalista devido a inflamados discursos contra o capitalismo e a burguesia. Mas outros, não somente os marxistas, consideram que o fascismo veio em socorro ao capitalismo devido suas ações como proibições de greves, redução do poder de compra dos salários dos trabalhadores, investimento financeiro na indústria armamentista, dentre outras. No livro, ele adota a posição de avaliar sua fala tanto quanto sua ação. Ambas são importantes para o estudo. Uma outra contradição, nesse nível de teoria e prática, e a idéia em que os fascistas exaltavam uma utopia agrária, aparentemente se opunham à modernidade, mas seus líderes se exibiam em seus carros e aviões de último lançamento.

Uma grande ambigüidade está em se definir em qual posição se encontra o fascismo: direita ou esquerda? O que afirmavam com clareza era que não estavam no Centro. Sua alegação é que havia transcendido essas divisões, obsoletas, e teriam unido a nação.


A forma de entender tais ambigüidades, principalmente a relativa à modernidade, é acompanhar todo o processo do fascismo, seu desenvolvimento, conquista e exercício do poder.

Um outro problema das imagens é que elas enfocam os momentos mais dramáticos e acabam omitindo a experiência cotidiana. O fascismo também foi possível por ações e escolhas, aparentemente simples, de pessoas comuns. Sem essas ações cotidianas não se pode entender, por exemplo, como se deu a conivência por parte da sociedade civil diante de atrocidades.

Ao concluir o tópico, Paxton, deixa claro que obviamente se busca chegar a um conceito do que é fascismo, mas que chegará a ele ao final do exame de sua trajetória e histórica e de seus processos, não partirá de uma definição, e sim de estratégias.


ESTRATÉGIAS

As interpretações sobre o fascismo partem de conceitos e estratégias bastante diversas.
Uma delas é que se trata de uma “ideologia”. “Os próprios líderes nunca deixaram de afirmar que eram profetas de uma idéia, ao contrário dos materialistas liberais e socialistas”. (pág. 37 – 2º§)

Ao se buscar um embasamento teórico e doutrinário do fascismo, implica em compará-lo com outros grandes sistemas políticos baseados em pensadores e formuladores teóricos. No entanto, ele era uma invenção nova: “O fascismo não se baseia de forma explícita num sistema filosófico complexo, e sim no sentimento popular sobre as raças superiores, a injustiça de suas condições atuais e seu direito a predominar sobre os povos inferiores”. (pág. 38 – 2º§) Muitos intelectuais do início do movimento acabaram se afastando ou passando para a oposição devido a falta de arcabouço teórico.

A ideologia do fascismo assume importância central na radicalização em seu estágio final. Por tanto, ela serve para se analisar o início e o fim, não o meio mas é necessário observar todo o processo.

É necessário avaliar também o contexto de crise em que ele se formou e cresceu. E também porque assumiu formas tão distintas em cada país. Os diferentes resultados vão trazer uma comparação, que será e grande proveito.

“Os movimentos que deliberadamente se denominavam fascistas, ou usavam Mussolini como modelo, existiram em todos os países ocidentais após a Primeira grande Guerra e, em alguns casos, também fora do mondo ocidental. Por que razão movimentos de inspiração semelhante chegaram a resultados tão diferentes em diferentes sociedades? As comparações, usadas dessa maneira, serão uma das estratégias centrais deste trabalho.” ( pág. 45 – final do 3º § da pág. 44)





PARA ONDE VAMOS A PARTIR DAQUI?

Respondendo ao tópico, o livro ruma a buscar, primeiramente, por adotar a palavra “fascismo” como um termo genérico para representar a maior novidade política do séc. XX . Depois, deixar de lado, por um momento, os conceitos que trazem uma visão estática do fascismo e examiná-lo em ação, definindo os dois principais parceiros de coalizão fascista: os liberais e os conservadores. Assim será possível chegar ao final, a uma definição mais correta.

“Os fascismos que conhecemos chegaram ao poder com o auxílio de ex-liberais amedrontados, tecnocratas oportunistas e ex-conservadores, e governaram conjuntamente com eles, num alinhamento mais ou menos desconfortável. (...) Proponho examinar o fascismo em um ciclo de cinco estágios: 1) a criação dos movimentos; 2) seu enraizamento no sistema político; 3) a tomada do poder; 4) o exercício o poder; 5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime faz opção ou pela radicalização ou pela entropia. Embora cada um desses estágios seja um pré-requisito do estágio seguinte, nada exige que um movimento fascista venha passar por todos eles, ou mesmo que se mova numa única direção.” (pág. 49 – 1º§)

“Separar os cinco estágios oferece uma série de vantagens, permitindo uma comparação plausível entre movimentos e regimes de graus de desenvolvimento equivalentes e ajudando-nos a ver que o fascismo, longe de ser estático, era uma sucessão de processos e de escolhas: a busca de seguidores, a formação de alianças, a disputa pelo poder e seu exercício. É por essa razão que as ferramentas conceituais que iluminam um estágio podem não funcionar tão bem para os demais. É chegada a hora de examinar cada um desses estágios, um por um.” (pág. 49- 2º §)

sábado, 22 de março de 2008

Fichamento - "Os Fascismos"

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271


FICHAMENTO
TEXTO: “OS FASCISMOS” - Francisco Carlos Teixeira da Silva

INTRODUÇÃO:

O texto “Os Fascismos” traz uma análise sobre os movimentos e regimes de extrema direita que despontam em grande parte da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Seu objetivo é revelar que tal fenômeno não se cristaliza em um período histórico, assim como é encarado por grande parte da historiografia e pelo censo comum, mas traz consigo possibilidades de existir na sociedade atual como se observa em seu ressurgimento, o Neofascismo. Para isso, busca encontrar seus fundamentos e raízes descontruindo a concepção desse fenômeno como um fato histórico encerrado.


HISTÓRIA E POLÍTICA: O LABIRINTO HISTORIOGRÁFICO DO FASCISMO


A análise desse movimento político, durante muito tempo, vem trazendo uma abordagem intensificada na experiência alemã, e por poucas vezes a italiana, no entanto são observados regimes fascistas em vários outros países. O autor explica tal ênfase através da conjuntura política da Guerra Fria, pois ao se culpabilizar um conjunto maior de países, as antigas elites políticas seriam afastadas e assim, ocasionaria maior vulnerabilidade ante a sovietização, dentre outros fatores. Então, essa intensificação seria uma estratégia política. Na nova análise, torna-se, por tanto, importante estudar o fascismo de maneira geral, em todos os seus indícios, sem as mistificações feitas pela historiografia.

A nova historiografia traz teses em que o fascismo aparece como um fenômeno com possível universalidade, mas com especificidades nacionais e, como autonomia em relação a outras formas de autoritarismo.

O desafio atual é buscar explicações para o fascismo e neofascismo, como um modelo, não como um movimento restrito à história alemã e italiana.









FASCISMOS: EM BUSCA DE UM MODELO DE ANÁLISE:



A tentativa é analisar o fascismo como uma unidade, em que se agrupam diferentes aspectos. Mas de forte coerência externa: observada na identificação e colaboração entre os países europeus; e interna: o antiliberalismo, antidemocratismo e anti-socialismo são observados no processo interno de fascistização de cada país.
Apesar das semelhanças, em cada fascismo se encontra uma experiência original, nacional, específica. Um traço importante do fascismo era o próprio nacionalismo.

Através deste trecho, o autor deixa clara sua intenção: “Trabalharemos, desta forma, o conceito de fascismo como uma unidade de traços diversos que dão coerência a um fenômeno.” ( Ref: pág 124 - 3º §)

Seu método será comparativo, observando a ideologia, estilo político e os objetivos e formas de dominação. Para romper com a idéia de se ter a Alemanha como modelo exclusivo, sua análise se dará, igualmente, nas três situações: fascismos que só existiram como movimento ou partido; fascismos que chegaram ao poder, mas foram controlados por outras forças conservadoras; e os que tomaram o poder e o monopolizaram.



OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS: EM BUSCA DE UMA FENOMENOLOGIA DO FASCISMO


Busca-se aqui, uma observação da linguagem fascista. Essa observação permitirá compreender a fala, a ação e a aceitação do fascismo de forma conceitual. Um discurso meta político de grande aceitação e recepção por parte das massas.


1- O Antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista


O liberalismo era fortemente atacado e acusado pela crise daquele momento. É considerado como desagregador da ordem conservadora à medida que se sustenta na representatividade, expressa no Parlamento, onde existiam lutas partidárias que conduziam à corrupção. Somente o regime de um Estado forte poderia conter os conflitos sociais inerentes a tal desagregação. A dominação do Estado poderia “resgatar” a unidade interna e fortalecer o país no âmbito externo.






2 - O Estado orgânico e liderança carismática


Para combater a desagregação trazida pelo liberalismo, o fascismo ofereceria um Estado orgânico, onde cada um trabalha pelo bem comum. O Estado manteria a coesão social, resgataria a identidade nacional e isso se daria que por meio de um poder dominador, não num modelo de monolitismo, mas baseado num sistema de hierarquia de obediência pessoal centralizado no líder. Dentre outros aspectos, destaca-se o mecanismo de corporações, e a maximização do executivo na figura do líder.

“Tratava-se de uma resposta à crise de identidade gerada pelo individualismo liberal, e visava integrar o homem em corpos hierárquicos organizados pelo Estado.” (Ref. Pág 136 – 1º § )

3 – Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução


O corporativismo se mostra como um meio de fazer a Economia servir ao Estado e ao povo com uma nova forma de regulação econômica onde existiria a colaboração entre trabalho e capital; de controlar a massa à medida que o Estado regularia as relações de operários e empregadores e; de resgatar a identidade perdida no liberalismo desagregador e de interesses privados.
Não se poder confundir, por seu discurso anti capitalista, com a esquerda. Trazia características socialistas sim, mas na busca do bem-estar coletivo. Mas, ao contrário do socialismo marxista, que era científico, o fascismo apelava por valores míticos e inquestionáveis. Legitimadores, por tanto, da sua regulação.

4 – A destruição do eu e a negação do outro

Nesse ponto, o autor busca entender o caráter mais sombrio dos regimes fascistas. Em todos eles se observa o anti-semitismo, mas na Alemanha ele se torna política de Estado. A identificação de uma raça nacional, ariana, pura era uma característica fundamental do regime nazista (fascismo alemão). O autor se afasta do genocídio, não ignorando sua monstruosidade, para entender a lógica do ódio contra não só judeus, mas ciganos, gays, negros, etc.

Além dos fatores políticos, a explicação estaria nos próprios personagens enaltecedores da raça ariana, que buscam a perfeição, força, virilidade e o caminho pelo qual trilham é a rigidez no seu comportamento. Os sentimentos e pulsões inerentes ao homem seriam reprimidos, há frieza, falta de amor... o “eu’ então é destruído. Ao se deparar com o que não se enquadra nos padrões arianos, surge a estranheza. O afastamento do outro na busca da identificação com o coletivo gera dificuldades em se enxergar em comunidades solidárias como as das vítimas acima relacionadas. O autor sai do foco Holocausto-judeus e vai para Holocausto-alteridade para entender a não identificação, rejeição e ódio ao outro.






EM DIREÇÃO A UMA TEORIA DO FASCISMO


As características acima como: antiliberalismo, antimarxismo, organicismo social, liderança carismática e negação da diferença, possibilitam entender o que é o fascismo e não analisar um fato histórico. Entendê-lo como um fenômeno político com possibilidades de ressurgir como vemos hoje, nos nossos dias.