sábado, 22 de março de 2008

Fichamento - "Os Fascismos"

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271


FICHAMENTO
TEXTO: “OS FASCISMOS” - Francisco Carlos Teixeira da Silva

INTRODUÇÃO:

O texto “Os Fascismos” traz uma análise sobre os movimentos e regimes de extrema direita que despontam em grande parte da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Seu objetivo é revelar que tal fenômeno não se cristaliza em um período histórico, assim como é encarado por grande parte da historiografia e pelo censo comum, mas traz consigo possibilidades de existir na sociedade atual como se observa em seu ressurgimento, o Neofascismo. Para isso, busca encontrar seus fundamentos e raízes descontruindo a concepção desse fenômeno como um fato histórico encerrado.


HISTÓRIA E POLÍTICA: O LABIRINTO HISTORIOGRÁFICO DO FASCISMO


A análise desse movimento político, durante muito tempo, vem trazendo uma abordagem intensificada na experiência alemã, e por poucas vezes a italiana, no entanto são observados regimes fascistas em vários outros países. O autor explica tal ênfase através da conjuntura política da Guerra Fria, pois ao se culpabilizar um conjunto maior de países, as antigas elites políticas seriam afastadas e assim, ocasionaria maior vulnerabilidade ante a sovietização, dentre outros fatores. Então, essa intensificação seria uma estratégia política. Na nova análise, torna-se, por tanto, importante estudar o fascismo de maneira geral, em todos os seus indícios, sem as mistificações feitas pela historiografia.

A nova historiografia traz teses em que o fascismo aparece como um fenômeno com possível universalidade, mas com especificidades nacionais e, como autonomia em relação a outras formas de autoritarismo.

O desafio atual é buscar explicações para o fascismo e neofascismo, como um modelo, não como um movimento restrito à história alemã e italiana.









FASCISMOS: EM BUSCA DE UM MODELO DE ANÁLISE:



A tentativa é analisar o fascismo como uma unidade, em que se agrupam diferentes aspectos. Mas de forte coerência externa: observada na identificação e colaboração entre os países europeus; e interna: o antiliberalismo, antidemocratismo e anti-socialismo são observados no processo interno de fascistização de cada país.
Apesar das semelhanças, em cada fascismo se encontra uma experiência original, nacional, específica. Um traço importante do fascismo era o próprio nacionalismo.

Através deste trecho, o autor deixa clara sua intenção: “Trabalharemos, desta forma, o conceito de fascismo como uma unidade de traços diversos que dão coerência a um fenômeno.” ( Ref: pág 124 - 3º §)

Seu método será comparativo, observando a ideologia, estilo político e os objetivos e formas de dominação. Para romper com a idéia de se ter a Alemanha como modelo exclusivo, sua análise se dará, igualmente, nas três situações: fascismos que só existiram como movimento ou partido; fascismos que chegaram ao poder, mas foram controlados por outras forças conservadoras; e os que tomaram o poder e o monopolizaram.



OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS: EM BUSCA DE UMA FENOMENOLOGIA DO FASCISMO


Busca-se aqui, uma observação da linguagem fascista. Essa observação permitirá compreender a fala, a ação e a aceitação do fascismo de forma conceitual. Um discurso meta político de grande aceitação e recepção por parte das massas.


1- O Antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista


O liberalismo era fortemente atacado e acusado pela crise daquele momento. É considerado como desagregador da ordem conservadora à medida que se sustenta na representatividade, expressa no Parlamento, onde existiam lutas partidárias que conduziam à corrupção. Somente o regime de um Estado forte poderia conter os conflitos sociais inerentes a tal desagregação. A dominação do Estado poderia “resgatar” a unidade interna e fortalecer o país no âmbito externo.






2 - O Estado orgânico e liderança carismática


Para combater a desagregação trazida pelo liberalismo, o fascismo ofereceria um Estado orgânico, onde cada um trabalha pelo bem comum. O Estado manteria a coesão social, resgataria a identidade nacional e isso se daria que por meio de um poder dominador, não num modelo de monolitismo, mas baseado num sistema de hierarquia de obediência pessoal centralizado no líder. Dentre outros aspectos, destaca-se o mecanismo de corporações, e a maximização do executivo na figura do líder.

“Tratava-se de uma resposta à crise de identidade gerada pelo individualismo liberal, e visava integrar o homem em corpos hierárquicos organizados pelo Estado.” (Ref. Pág 136 – 1º § )

3 – Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução


O corporativismo se mostra como um meio de fazer a Economia servir ao Estado e ao povo com uma nova forma de regulação econômica onde existiria a colaboração entre trabalho e capital; de controlar a massa à medida que o Estado regularia as relações de operários e empregadores e; de resgatar a identidade perdida no liberalismo desagregador e de interesses privados.
Não se poder confundir, por seu discurso anti capitalista, com a esquerda. Trazia características socialistas sim, mas na busca do bem-estar coletivo. Mas, ao contrário do socialismo marxista, que era científico, o fascismo apelava por valores míticos e inquestionáveis. Legitimadores, por tanto, da sua regulação.

4 – A destruição do eu e a negação do outro

Nesse ponto, o autor busca entender o caráter mais sombrio dos regimes fascistas. Em todos eles se observa o anti-semitismo, mas na Alemanha ele se torna política de Estado. A identificação de uma raça nacional, ariana, pura era uma característica fundamental do regime nazista (fascismo alemão). O autor se afasta do genocídio, não ignorando sua monstruosidade, para entender a lógica do ódio contra não só judeus, mas ciganos, gays, negros, etc.

Além dos fatores políticos, a explicação estaria nos próprios personagens enaltecedores da raça ariana, que buscam a perfeição, força, virilidade e o caminho pelo qual trilham é a rigidez no seu comportamento. Os sentimentos e pulsões inerentes ao homem seriam reprimidos, há frieza, falta de amor... o “eu’ então é destruído. Ao se deparar com o que não se enquadra nos padrões arianos, surge a estranheza. O afastamento do outro na busca da identificação com o coletivo gera dificuldades em se enxergar em comunidades solidárias como as das vítimas acima relacionadas. O autor sai do foco Holocausto-judeus e vai para Holocausto-alteridade para entender a não identificação, rejeição e ódio ao outro.






EM DIREÇÃO A UMA TEORIA DO FASCISMO


As características acima como: antiliberalismo, antimarxismo, organicismo social, liderança carismática e negação da diferença, possibilitam entender o que é o fascismo e não analisar um fato histórico. Entendê-lo como um fenômeno político com possibilidades de ressurgir como vemos hoje, nos nossos dias.

Um comentário:

Unknown disse...

Muito bom teu fichamento. Também estou estudando esse texto no curso de História. Fascismo é meu assunto favorito!