sábado, 29 de março de 2008

Fichamento - " A Anatomia dos Fascismos" cap. 1

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 29 DE MARÇO DE 2008



FICHAMENTO
TEXTO 2: -“A ANOTOMIA DO FASCISMO” cap.1 Robert O. Paxton



O primeiro capítulo deste livro, A Anatomia do Fascismo, trás os objetivos do autor ao escrevê-lo através de 4 tópicos: A Invenção do Fascismo, As Imagens do Fascismo, Estratégias e Para onde vamos a partir daqui?

A INVENÇÃO DO FASCISMO

Paxton faz uma análise do surgimento do Fascismo e de suas impressões. Primeiramente o considera como a grande inovação do séc XX, já que os outros movimentos políticos se consolidaram no final do séc XVIII e meio do XIX.
Descreve como um fenômeno inesperado, com poucas previsões a respeito de seu surgimento. Nascia, então, uma ditadura antiesquerdista com grande apoio e entusiasmo das massas.

Em seguida, descreve o significado da palavra “fascismo”, suas origens e apropriação por diversos seguimentos até chegar a Mussolini.

O Movimento liderado por Benito Mussolini, começa com veteranos de guerra, sindicalistas pró-guerra e intelectuais futuristas e seu programa, mais a frente, “(...) era uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de “nacional- socialismo”” ( pág. 16 – 2º §)


Os veteranos se sentiam no direito de governar o país que salvaram; os sindicalistas pró-guerra, que junto com Mussolini lutaram para levar a Itália à guerra, criam que poderiam derrubar o capitalismo com a força de sua vontade, ao contrário dos socialistas que acreditavam em uma evolução gradual; e o terceiro grupo, o de intelectuais, se opunha à burguesia e, dentre eles, tinham os que queriam “concluir” a revolução nacional, já que o 1º Risorgimento ( Renascimento) teria deixado a Itália nas mãos de uma oligarquia, indo contra o prestígio cultural do país.

Surgia então na Itália, o fascismo, que também iria ser observado, independente do fascismo de Mussolini, em outros países da Europa, mas com pontos em comum: nacionalismo, anticapitalismo, voluntarismo e violência ativa contra seus inimigos burgueses quanto socialistas.

Muitos tentaram defini-lo, alguns diziam que era um movimento de bárbaros, a ralé e que seria reflexo de uma crise moral vivida na Europa do pós-guerra. Os Marxistas tinham outra definição: “O fascismo é a ditadura explícita e terrorista dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. (pág. 22 – 1º §)

O fato é que o fascismo teve diversas interpretações e nenhuma teve aceitação universal. O autor busca reexaminar essas interpretações e chegar a uma nova maneira de encará-lo.


AS IMAGENS DO FASCISMO


Nesse tópico, o autor quer desmistificar alguns conceitos de fascismo oriundos da sua imagem muito projetada pela mídia, livros, etc...

A primeira delas é a do líder ditador, uma personificação do fascismo, ele chama a atenção para o perigo de analisar o líder isoladamente, já que dessa forma se deixaria de lado muitos os outros fatores, dentre eles a aprovação e tolerância a esses líderes por parte de algumas nações, e o auxílio de pessoas, grupos e instituições.

Um outro conceito é alimentado pela imagem das grandes multidões cantando e apoiando o regime. Trás a idéia de que isso acontece por natureza específica de determinados países Europeus. Seria, por tanto, impossível ocorrer em outras nações que na verdade, eram espectadoras. O anti-semitismo também aparece erroneamente como central no fascismo, mas fica claro que é essencial em alguns regimes e em outros não.

Outro ponto se baseia no discurso fascista e no que de fato foi feito quando chegou ao poder. Muitos o consideram anticapitalista devido a inflamados discursos contra o capitalismo e a burguesia. Mas outros, não somente os marxistas, consideram que o fascismo veio em socorro ao capitalismo devido suas ações como proibições de greves, redução do poder de compra dos salários dos trabalhadores, investimento financeiro na indústria armamentista, dentre outras. No livro, ele adota a posição de avaliar sua fala tanto quanto sua ação. Ambas são importantes para o estudo. Uma outra contradição, nesse nível de teoria e prática, e a idéia em que os fascistas exaltavam uma utopia agrária, aparentemente se opunham à modernidade, mas seus líderes se exibiam em seus carros e aviões de último lançamento.

Uma grande ambigüidade está em se definir em qual posição se encontra o fascismo: direita ou esquerda? O que afirmavam com clareza era que não estavam no Centro. Sua alegação é que havia transcendido essas divisões, obsoletas, e teriam unido a nação.


A forma de entender tais ambigüidades, principalmente a relativa à modernidade, é acompanhar todo o processo do fascismo, seu desenvolvimento, conquista e exercício do poder.

Um outro problema das imagens é que elas enfocam os momentos mais dramáticos e acabam omitindo a experiência cotidiana. O fascismo também foi possível por ações e escolhas, aparentemente simples, de pessoas comuns. Sem essas ações cotidianas não se pode entender, por exemplo, como se deu a conivência por parte da sociedade civil diante de atrocidades.

Ao concluir o tópico, Paxton, deixa claro que obviamente se busca chegar a um conceito do que é fascismo, mas que chegará a ele ao final do exame de sua trajetória e histórica e de seus processos, não partirá de uma definição, e sim de estratégias.


ESTRATÉGIAS

As interpretações sobre o fascismo partem de conceitos e estratégias bastante diversas.
Uma delas é que se trata de uma “ideologia”. “Os próprios líderes nunca deixaram de afirmar que eram profetas de uma idéia, ao contrário dos materialistas liberais e socialistas”. (pág. 37 – 2º§)

Ao se buscar um embasamento teórico e doutrinário do fascismo, implica em compará-lo com outros grandes sistemas políticos baseados em pensadores e formuladores teóricos. No entanto, ele era uma invenção nova: “O fascismo não se baseia de forma explícita num sistema filosófico complexo, e sim no sentimento popular sobre as raças superiores, a injustiça de suas condições atuais e seu direito a predominar sobre os povos inferiores”. (pág. 38 – 2º§) Muitos intelectuais do início do movimento acabaram se afastando ou passando para a oposição devido a falta de arcabouço teórico.

A ideologia do fascismo assume importância central na radicalização em seu estágio final. Por tanto, ela serve para se analisar o início e o fim, não o meio mas é necessário observar todo o processo.

É necessário avaliar também o contexto de crise em que ele se formou e cresceu. E também porque assumiu formas tão distintas em cada país. Os diferentes resultados vão trazer uma comparação, que será e grande proveito.

“Os movimentos que deliberadamente se denominavam fascistas, ou usavam Mussolini como modelo, existiram em todos os países ocidentais após a Primeira grande Guerra e, em alguns casos, também fora do mondo ocidental. Por que razão movimentos de inspiração semelhante chegaram a resultados tão diferentes em diferentes sociedades? As comparações, usadas dessa maneira, serão uma das estratégias centrais deste trabalho.” ( pág. 45 – final do 3º § da pág. 44)





PARA ONDE VAMOS A PARTIR DAQUI?

Respondendo ao tópico, o livro ruma a buscar, primeiramente, por adotar a palavra “fascismo” como um termo genérico para representar a maior novidade política do séc. XX . Depois, deixar de lado, por um momento, os conceitos que trazem uma visão estática do fascismo e examiná-lo em ação, definindo os dois principais parceiros de coalizão fascista: os liberais e os conservadores. Assim será possível chegar ao final, a uma definição mais correta.

“Os fascismos que conhecemos chegaram ao poder com o auxílio de ex-liberais amedrontados, tecnocratas oportunistas e ex-conservadores, e governaram conjuntamente com eles, num alinhamento mais ou menos desconfortável. (...) Proponho examinar o fascismo em um ciclo de cinco estágios: 1) a criação dos movimentos; 2) seu enraizamento no sistema político; 3) a tomada do poder; 4) o exercício o poder; 5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime faz opção ou pela radicalização ou pela entropia. Embora cada um desses estágios seja um pré-requisito do estágio seguinte, nada exige que um movimento fascista venha passar por todos eles, ou mesmo que se mova numa única direção.” (pág. 49 – 1º§)

“Separar os cinco estágios oferece uma série de vantagens, permitindo uma comparação plausível entre movimentos e regimes de graus de desenvolvimento equivalentes e ajudando-nos a ver que o fascismo, longe de ser estático, era uma sucessão de processos e de escolhas: a busca de seguidores, a formação de alianças, a disputa pelo poder e seu exercício. É por essa razão que as ferramentas conceituais que iluminam um estágio podem não funcionar tão bem para os demais. É chegada a hora de examinar cada um desses estágios, um por um.” (pág. 49- 2º §)

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