sexta-feira, 4 de abril de 2008

Fichamento - " A Anatomia dos Fascismos" cap. 8

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008





FICHAMENTO:
TEXTO 3 – “A ANATOMIA O FASCISMO” cap. 8 - Roberto O. Paxton


O autor nesse capítulo fecha seu livro, explanando suas conclusões.

O QUE É FASCISMO?

Ele abre esse tópico explicitando que seu objetivo não foi o de buscar uma essência do fascismo, estática e cristalizada, mas acompanhar o processo desde a formação até a tomada do poder. Deixa claro também, que baseado nos 5 estágios por ele proposto, cada fase deve ser analisada e levada em conta. Considera o fascismo como um composto de componentes distintos: conservadorismo, nacional-socialismo e direita radical, por tanto, ele era muito mais uma rede de relações que uma essência fixa.

INTERPRETAÇÕES CONFLITANTES

Após ter visto todo o ciclo, em sua totalidade, ele avalia as muitas interpretações sobre esse tema.
Várias são as interpretações avaliadas por Paxton: o fascismo é um instrumento do capitalismo; opostamente, a comunidade empresarial era vítima dele; respostas psicanalíticas para a obsessão de alguns fascistas (líderes e público), por tanto, o fenômeno é caracterizado por uma psicose; ele é um produto da história, fruto de um desenvolvimento econômico e social desigual; foi possível devido ao surgimento de uma sociedade de massas atomizada, gerada pelo nivelamento urbano e industrial a partir do fim do séc. XIX, vulnerável ao movimento, pois; é uma ditadura desenvolvimentista; é expressão do ressentimento da classe média inferior; uma subespécie do totalitarismo; uma religião política; é uma questão cultural. Chega a conclusão de que tais interpretações são equivocadas, já que são rechaçadas por outros estudos, ou incompletas por não responderem a certos questionamentos.


FONTEIRAS


Nesse tópico, diz sobre a necessidade de se estabelecer fronteiras entre o fascismo e as formas assemelhadas a ele, já que foi um fenômeno bastante copiado em vários lugares do mundo. Ele não pode ser confundido com a tirania clássica, com ditadura militar, ou autoritarismo. Esses fenômenos listados têm características, nas suas manifestações em regimes políticos, comuns ao fascismo, no entanto outras características que lhes são peculiares anulam a hipótese de serem considerados regimes fascistas. O autor enfatiza que essas fronteiras, essas linhas de separação, são bem tênues, bastante sutis e por tanto precisam de profunda análise.


O QUE É O FASCISMO?


Aqui, dá a definição esperada do fascismo:
“(...) definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vítima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais um partido de base popular formado por militares nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.” ( pág.358/359 – 3º §)

Ao final, conclui que o Estágio 1, por ele definido, do fascismo existe, hoje, em todos os países democráticos, inclusive os EUA. Esse nível se caracteriza pelo abandono das liberdades democráticas. Algumas poucas sociedades, segundo ele, chegaram ao Estágio 2, ele o determina como algo próximo do fascismo clássico. Deixa claro que o avanço à tomada do poder depende em grande parte do aprofundamento da crise, mas também, depende de decisões, escolhas humanas dos detentores do poder econômico, social e político. Conclui ainda, que é difícil determinar a forma correta de reagir ao avanço fascista, já que seu ciclo não se replica sempre da mesma forma, mas compreender a forma pela qual ele atingiu o êxito dará chances de reagir de forma mais sensata.



BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361

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