Neste capítulo, inicialmente, o autor tenta responder a seguinte pergunta: O Fascismo ainda é possível? O marco inicial do fascismo foi encontrado com facilidade, apesar de existirem percussores antes da I Guerra Mundial, foi só com os sedimentos desta e da Revolução Bolchevique que de fato o fascismo se consolidou. No entanto, seu término se mostra difícil de ser marcado e desencadeia discussões.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.

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