UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008
FICHAMENTO:
TEXTO 3 – “A ANATOMIA O FASCISMO” cap. 8 - Roberto O. Paxton
O autor nesse capítulo fecha seu livro, explanando suas conclusões.
O QUE É FASCISMO?
Ele abre esse tópico explicitando que seu objetivo não foi o de buscar uma essência do fascismo, estática e cristalizada, mas acompanhar o processo desde a formação até a tomada do poder. Deixa claro também, que baseado nos 5 estágios por ele proposto, cada fase deve ser analisada e levada em conta. Considera o fascismo como um composto de componentes distintos: conservadorismo, nacional-socialismo e direita radical, por tanto, ele era muito mais uma rede de relações que uma essência fixa.
INTERPRETAÇÕES CONFLITANTES
Após ter visto todo o ciclo, em sua totalidade, ele avalia as muitas interpretações sobre esse tema.
Várias são as interpretações avaliadas por Paxton: o fascismo é um instrumento do capitalismo; opostamente, a comunidade empresarial era vítima dele; respostas psicanalíticas para a obsessão de alguns fascistas (líderes e público), por tanto, o fenômeno é caracterizado por uma psicose; ele é um produto da história, fruto de um desenvolvimento econômico e social desigual; foi possível devido ao surgimento de uma sociedade de massas atomizada, gerada pelo nivelamento urbano e industrial a partir do fim do séc. XIX, vulnerável ao movimento, pois; é uma ditadura desenvolvimentista; é expressão do ressentimento da classe média inferior; uma subespécie do totalitarismo; uma religião política; é uma questão cultural. Chega a conclusão de que tais interpretações são equivocadas, já que são rechaçadas por outros estudos, ou incompletas por não responderem a certos questionamentos.
FONTEIRAS
Nesse tópico, diz sobre a necessidade de se estabelecer fronteiras entre o fascismo e as formas assemelhadas a ele, já que foi um fenômeno bastante copiado em vários lugares do mundo. Ele não pode ser confundido com a tirania clássica, com ditadura militar, ou autoritarismo. Esses fenômenos listados têm características, nas suas manifestações em regimes políticos, comuns ao fascismo, no entanto outras características que lhes são peculiares anulam a hipótese de serem considerados regimes fascistas. O autor enfatiza que essas fronteiras, essas linhas de separação, são bem tênues, bastante sutis e por tanto precisam de profunda análise.
O QUE É O FASCISMO?
Aqui, dá a definição esperada do fascismo:
“(...) definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vítima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais um partido de base popular formado por militares nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.” ( pág.358/359 – 3º §)
Ao final, conclui que o Estágio 1, por ele definido, do fascismo existe, hoje, em todos os países democráticos, inclusive os EUA. Esse nível se caracteriza pelo abandono das liberdades democráticas. Algumas poucas sociedades, segundo ele, chegaram ao Estágio 2, ele o determina como algo próximo do fascismo clássico. Deixa claro que o avanço à tomada do poder depende em grande parte do aprofundamento da crise, mas também, depende de decisões, escolhas humanas dos detentores do poder econômico, social e político. Conclui ainda, que é difícil determinar a forma correta de reagir ao avanço fascista, já que seu ciclo não se replica sempre da mesma forma, mas compreender a forma pela qual ele atingiu o êxito dará chances de reagir de forma mais sensata.
BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Resenha - 1900 Homo Sapiens
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008
RESENHA – FILME: 1900 HOMO SAPIENS
O Filme Homo Sapiens é um documentário feito pelo diretor sueco, da cidade de Lund, Peter Cohen. Ele nasceu em 1946, após a II Guerra Mundial, e é filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim durante a guerra. Seu grande sucesso foi Arquitetura da Destruição. O filme trata da Eugenia: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (definição: Francis Galton).
O documentário é baseado em arquivos de filmes e fotos que mostram de maneira clara como o conceito de eugenia foi explorado e pesquisado no durante o séc XX. As pesquisas se deram em vários países da Europa e nos EUA, mas o foco do filme é trazer à tona os objetivos e a crueldade dessas pesquisas na Alemanha fascista e na URSS.
Um dos conceitos centrais do nazismo é a “Raça Ariana”, a raça que seria legitimamente germânica e superior a todas as outras. Consequentemente, esse conceito abriu margem para a grande busca pelo corpo perfeito, descartando literalmente da sociedade aqueles que tinham deformidades ou eram considerados fora dos padrões arianos. Isso foi chamado de darwinismo social, ou limpeza social. Para tal “política de limpeza” o governo usou dos recursos de cientistas que estavam envolvidos nas pesquisas sobre a eugenia. Buscava-se criar uma sociedade de homens fortes e bonitos, onde de fato só os dotados dessas qualidades venceriam. O filme mostra que esse conceito não se limitou ao governo, mas se entranhou na sociedade. Um exemplo é o trecho em que mostra o governo direcionando uma série de requisitos a serem preenchidos por médicos após avaliarem crianças que, segundo tal política não seriam “perfeitas”, e os próprios médicos não observavam tais requisitos, e condenavam arbitrariamente à morte as crianças que eles consideravam “imperfeitas”, manipulando os motivos para a sentença.
Na URSS o foco não era o corpo em si, mas o cérebro. As pesquisas buscavam estudar os cérebros de homens brilhantes, como Lênin, e encontrar a forma de gerar uma sociedade de homens inteligentes. Comparavam a reprodução humana com a de animais, onde se escolhe os progenitores por suas qualidades genéticas, a fim de gerarem crianças, segundo o padrão determinado. Descartava-se aí, o amor entre os pais e a instituição da família. Os homens e mulheres passariam a ser simplesmente reprodutores de “gênios”.
O autor critica, através desse documentário, as atrocidades cometidas através do mau uso da eugenia. Os estudos de Darwin sobre a seleção natural, de Mendel e outros geneticistas foram usados para a produção planejada e manipulada de pessoas “fortes”, “bonitas”, “inteligentes”, enfim, pessoas que fariam parte de uma sociedade racialmente superior. Isso tudo a custo de muitas vidas que foram friamente mortas por terem nascido com algum tipo de defeito, que não as impedia de viver, mas simplesmente não as permitia atender a um padrão determinado por homens que não souberam respeitar a vida humana.
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008
RESENHA – FILME: 1900 HOMO SAPIENS
O Filme Homo Sapiens é um documentário feito pelo diretor sueco, da cidade de Lund, Peter Cohen. Ele nasceu em 1946, após a II Guerra Mundial, e é filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim durante a guerra. Seu grande sucesso foi Arquitetura da Destruição. O filme trata da Eugenia: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (definição: Francis Galton).
O documentário é baseado em arquivos de filmes e fotos que mostram de maneira clara como o conceito de eugenia foi explorado e pesquisado no durante o séc XX. As pesquisas se deram em vários países da Europa e nos EUA, mas o foco do filme é trazer à tona os objetivos e a crueldade dessas pesquisas na Alemanha fascista e na URSS.
Um dos conceitos centrais do nazismo é a “Raça Ariana”, a raça que seria legitimamente germânica e superior a todas as outras. Consequentemente, esse conceito abriu margem para a grande busca pelo corpo perfeito, descartando literalmente da sociedade aqueles que tinham deformidades ou eram considerados fora dos padrões arianos. Isso foi chamado de darwinismo social, ou limpeza social. Para tal “política de limpeza” o governo usou dos recursos de cientistas que estavam envolvidos nas pesquisas sobre a eugenia. Buscava-se criar uma sociedade de homens fortes e bonitos, onde de fato só os dotados dessas qualidades venceriam. O filme mostra que esse conceito não se limitou ao governo, mas se entranhou na sociedade. Um exemplo é o trecho em que mostra o governo direcionando uma série de requisitos a serem preenchidos por médicos após avaliarem crianças que, segundo tal política não seriam “perfeitas”, e os próprios médicos não observavam tais requisitos, e condenavam arbitrariamente à morte as crianças que eles consideravam “imperfeitas”, manipulando os motivos para a sentença.
Na URSS o foco não era o corpo em si, mas o cérebro. As pesquisas buscavam estudar os cérebros de homens brilhantes, como Lênin, e encontrar a forma de gerar uma sociedade de homens inteligentes. Comparavam a reprodução humana com a de animais, onde se escolhe os progenitores por suas qualidades genéticas, a fim de gerarem crianças, segundo o padrão determinado. Descartava-se aí, o amor entre os pais e a instituição da família. Os homens e mulheres passariam a ser simplesmente reprodutores de “gênios”.
O autor critica, através desse documentário, as atrocidades cometidas através do mau uso da eugenia. Os estudos de Darwin sobre a seleção natural, de Mendel e outros geneticistas foram usados para a produção planejada e manipulada de pessoas “fortes”, “bonitas”, “inteligentes”, enfim, pessoas que fariam parte de uma sociedade racialmente superior. Isso tudo a custo de muitas vidas que foram friamente mortas por terem nascido com algum tipo de defeito, que não as impedia de viver, mas simplesmente não as permitia atender a um padrão determinado por homens que não souberam respeitar a vida humana.
sábado, 29 de março de 2008
Ai galera...um link com fotos sobre fascismo (italiano e alemão)
http://www.fotosearch.com.br/fotos-imagens/fascismo_3.html
http://www.fotosearch.com.br/fotos-imagens/fascismo_3.html
Fichamento - " A Anatomia dos Fascismos" cap. 1
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 29 DE MARÇO DE 2008
FICHAMENTO
TEXTO 2: -“A ANOTOMIA DO FASCISMO” cap.1 Robert O. Paxton
O primeiro capítulo deste livro, A Anatomia do Fascismo, trás os objetivos do autor ao escrevê-lo através de 4 tópicos: A Invenção do Fascismo, As Imagens do Fascismo, Estratégias e Para onde vamos a partir daqui?
A INVENÇÃO DO FASCISMO
Paxton faz uma análise do surgimento do Fascismo e de suas impressões. Primeiramente o considera como a grande inovação do séc XX, já que os outros movimentos políticos se consolidaram no final do séc XVIII e meio do XIX.
Descreve como um fenômeno inesperado, com poucas previsões a respeito de seu surgimento. Nascia, então, uma ditadura antiesquerdista com grande apoio e entusiasmo das massas.
Em seguida, descreve o significado da palavra “fascismo”, suas origens e apropriação por diversos seguimentos até chegar a Mussolini.
O Movimento liderado por Benito Mussolini, começa com veteranos de guerra, sindicalistas pró-guerra e intelectuais futuristas e seu programa, mais a frente, “(...) era uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de “nacional- socialismo”” ( pág. 16 – 2º §)
Os veteranos se sentiam no direito de governar o país que salvaram; os sindicalistas pró-guerra, que junto com Mussolini lutaram para levar a Itália à guerra, criam que poderiam derrubar o capitalismo com a força de sua vontade, ao contrário dos socialistas que acreditavam em uma evolução gradual; e o terceiro grupo, o de intelectuais, se opunha à burguesia e, dentre eles, tinham os que queriam “concluir” a revolução nacional, já que o 1º Risorgimento ( Renascimento) teria deixado a Itália nas mãos de uma oligarquia, indo contra o prestígio cultural do país.
Surgia então na Itália, o fascismo, que também iria ser observado, independente do fascismo de Mussolini, em outros países da Europa, mas com pontos em comum: nacionalismo, anticapitalismo, voluntarismo e violência ativa contra seus inimigos burgueses quanto socialistas.
Muitos tentaram defini-lo, alguns diziam que era um movimento de bárbaros, a ralé e que seria reflexo de uma crise moral vivida na Europa do pós-guerra. Os Marxistas tinham outra definição: “O fascismo é a ditadura explícita e terrorista dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. (pág. 22 – 1º §)
O fato é que o fascismo teve diversas interpretações e nenhuma teve aceitação universal. O autor busca reexaminar essas interpretações e chegar a uma nova maneira de encará-lo.
AS IMAGENS DO FASCISMO
Nesse tópico, o autor quer desmistificar alguns conceitos de fascismo oriundos da sua imagem muito projetada pela mídia, livros, etc...
A primeira delas é a do líder ditador, uma personificação do fascismo, ele chama a atenção para o perigo de analisar o líder isoladamente, já que dessa forma se deixaria de lado muitos os outros fatores, dentre eles a aprovação e tolerância a esses líderes por parte de algumas nações, e o auxílio de pessoas, grupos e instituições.
Um outro conceito é alimentado pela imagem das grandes multidões cantando e apoiando o regime. Trás a idéia de que isso acontece por natureza específica de determinados países Europeus. Seria, por tanto, impossível ocorrer em outras nações que na verdade, eram espectadoras. O anti-semitismo também aparece erroneamente como central no fascismo, mas fica claro que é essencial em alguns regimes e em outros não.
Outro ponto se baseia no discurso fascista e no que de fato foi feito quando chegou ao poder. Muitos o consideram anticapitalista devido a inflamados discursos contra o capitalismo e a burguesia. Mas outros, não somente os marxistas, consideram que o fascismo veio em socorro ao capitalismo devido suas ações como proibições de greves, redução do poder de compra dos salários dos trabalhadores, investimento financeiro na indústria armamentista, dentre outras. No livro, ele adota a posição de avaliar sua fala tanto quanto sua ação. Ambas são importantes para o estudo. Uma outra contradição, nesse nível de teoria e prática, e a idéia em que os fascistas exaltavam uma utopia agrária, aparentemente se opunham à modernidade, mas seus líderes se exibiam em seus carros e aviões de último lançamento.
Uma grande ambigüidade está em se definir em qual posição se encontra o fascismo: direita ou esquerda? O que afirmavam com clareza era que não estavam no Centro. Sua alegação é que havia transcendido essas divisões, obsoletas, e teriam unido a nação.
A forma de entender tais ambigüidades, principalmente a relativa à modernidade, é acompanhar todo o processo do fascismo, seu desenvolvimento, conquista e exercício do poder.
Um outro problema das imagens é que elas enfocam os momentos mais dramáticos e acabam omitindo a experiência cotidiana. O fascismo também foi possível por ações e escolhas, aparentemente simples, de pessoas comuns. Sem essas ações cotidianas não se pode entender, por exemplo, como se deu a conivência por parte da sociedade civil diante de atrocidades.
Ao concluir o tópico, Paxton, deixa claro que obviamente se busca chegar a um conceito do que é fascismo, mas que chegará a ele ao final do exame de sua trajetória e histórica e de seus processos, não partirá de uma definição, e sim de estratégias.
ESTRATÉGIAS
As interpretações sobre o fascismo partem de conceitos e estratégias bastante diversas.
Uma delas é que se trata de uma “ideologia”. “Os próprios líderes nunca deixaram de afirmar que eram profetas de uma idéia, ao contrário dos materialistas liberais e socialistas”. (pág. 37 – 2º§)
Ao se buscar um embasamento teórico e doutrinário do fascismo, implica em compará-lo com outros grandes sistemas políticos baseados em pensadores e formuladores teóricos. No entanto, ele era uma invenção nova: “O fascismo não se baseia de forma explícita num sistema filosófico complexo, e sim no sentimento popular sobre as raças superiores, a injustiça de suas condições atuais e seu direito a predominar sobre os povos inferiores”. (pág. 38 – 2º§) Muitos intelectuais do início do movimento acabaram se afastando ou passando para a oposição devido a falta de arcabouço teórico.
A ideologia do fascismo assume importância central na radicalização em seu estágio final. Por tanto, ela serve para se analisar o início e o fim, não o meio mas é necessário observar todo o processo.
É necessário avaliar também o contexto de crise em que ele se formou e cresceu. E também porque assumiu formas tão distintas em cada país. Os diferentes resultados vão trazer uma comparação, que será e grande proveito.
“Os movimentos que deliberadamente se denominavam fascistas, ou usavam Mussolini como modelo, existiram em todos os países ocidentais após a Primeira grande Guerra e, em alguns casos, também fora do mondo ocidental. Por que razão movimentos de inspiração semelhante chegaram a resultados tão diferentes em diferentes sociedades? As comparações, usadas dessa maneira, serão uma das estratégias centrais deste trabalho.” ( pág. 45 – final do 3º § da pág. 44)
PARA ONDE VAMOS A PARTIR DAQUI?
Respondendo ao tópico, o livro ruma a buscar, primeiramente, por adotar a palavra “fascismo” como um termo genérico para representar a maior novidade política do séc. XX . Depois, deixar de lado, por um momento, os conceitos que trazem uma visão estática do fascismo e examiná-lo em ação, definindo os dois principais parceiros de coalizão fascista: os liberais e os conservadores. Assim será possível chegar ao final, a uma definição mais correta.
“Os fascismos que conhecemos chegaram ao poder com o auxílio de ex-liberais amedrontados, tecnocratas oportunistas e ex-conservadores, e governaram conjuntamente com eles, num alinhamento mais ou menos desconfortável. (...) Proponho examinar o fascismo em um ciclo de cinco estágios: 1) a criação dos movimentos; 2) seu enraizamento no sistema político; 3) a tomada do poder; 4) o exercício o poder; 5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime faz opção ou pela radicalização ou pela entropia. Embora cada um desses estágios seja um pré-requisito do estágio seguinte, nada exige que um movimento fascista venha passar por todos eles, ou mesmo que se mova numa única direção.” (pág. 49 – 1º§)
“Separar os cinco estágios oferece uma série de vantagens, permitindo uma comparação plausível entre movimentos e regimes de graus de desenvolvimento equivalentes e ajudando-nos a ver que o fascismo, longe de ser estático, era uma sucessão de processos e de escolhas: a busca de seguidores, a formação de alianças, a disputa pelo poder e seu exercício. É por essa razão que as ferramentas conceituais que iluminam um estágio podem não funcionar tão bem para os demais. É chegada a hora de examinar cada um desses estágios, um por um.” (pág. 49- 2º §)
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
RIO DE JANEIRO, 29 DE MARÇO DE 2008
FICHAMENTO
TEXTO 2: -“A ANOTOMIA DO FASCISMO” cap.1 Robert O. Paxton
O primeiro capítulo deste livro, A Anatomia do Fascismo, trás os objetivos do autor ao escrevê-lo através de 4 tópicos: A Invenção do Fascismo, As Imagens do Fascismo, Estratégias e Para onde vamos a partir daqui?
A INVENÇÃO DO FASCISMO
Paxton faz uma análise do surgimento do Fascismo e de suas impressões. Primeiramente o considera como a grande inovação do séc XX, já que os outros movimentos políticos se consolidaram no final do séc XVIII e meio do XIX.
Descreve como um fenômeno inesperado, com poucas previsões a respeito de seu surgimento. Nascia, então, uma ditadura antiesquerdista com grande apoio e entusiasmo das massas.
Em seguida, descreve o significado da palavra “fascismo”, suas origens e apropriação por diversos seguimentos até chegar a Mussolini.
O Movimento liderado por Benito Mussolini, começa com veteranos de guerra, sindicalistas pró-guerra e intelectuais futuristas e seu programa, mais a frente, “(...) era uma curiosa mistura de patriotismo de veteranos e de experimento social radical, uma espécie de “nacional- socialismo”” ( pág. 16 – 2º §)
Os veteranos se sentiam no direito de governar o país que salvaram; os sindicalistas pró-guerra, que junto com Mussolini lutaram para levar a Itália à guerra, criam que poderiam derrubar o capitalismo com a força de sua vontade, ao contrário dos socialistas que acreditavam em uma evolução gradual; e o terceiro grupo, o de intelectuais, se opunha à burguesia e, dentre eles, tinham os que queriam “concluir” a revolução nacional, já que o 1º Risorgimento ( Renascimento) teria deixado a Itália nas mãos de uma oligarquia, indo contra o prestígio cultural do país.
Surgia então na Itália, o fascismo, que também iria ser observado, independente do fascismo de Mussolini, em outros países da Europa, mas com pontos em comum: nacionalismo, anticapitalismo, voluntarismo e violência ativa contra seus inimigos burgueses quanto socialistas.
Muitos tentaram defini-lo, alguns diziam que era um movimento de bárbaros, a ralé e que seria reflexo de uma crise moral vivida na Europa do pós-guerra. Os Marxistas tinham outra definição: “O fascismo é a ditadura explícita e terrorista dos elementos mais reacionários, mais chauvinistas e mais imperialistas do capital financeiro”. (pág. 22 – 1º §)
O fato é que o fascismo teve diversas interpretações e nenhuma teve aceitação universal. O autor busca reexaminar essas interpretações e chegar a uma nova maneira de encará-lo.
AS IMAGENS DO FASCISMO
Nesse tópico, o autor quer desmistificar alguns conceitos de fascismo oriundos da sua imagem muito projetada pela mídia, livros, etc...
A primeira delas é a do líder ditador, uma personificação do fascismo, ele chama a atenção para o perigo de analisar o líder isoladamente, já que dessa forma se deixaria de lado muitos os outros fatores, dentre eles a aprovação e tolerância a esses líderes por parte de algumas nações, e o auxílio de pessoas, grupos e instituições.
Um outro conceito é alimentado pela imagem das grandes multidões cantando e apoiando o regime. Trás a idéia de que isso acontece por natureza específica de determinados países Europeus. Seria, por tanto, impossível ocorrer em outras nações que na verdade, eram espectadoras. O anti-semitismo também aparece erroneamente como central no fascismo, mas fica claro que é essencial em alguns regimes e em outros não.
Outro ponto se baseia no discurso fascista e no que de fato foi feito quando chegou ao poder. Muitos o consideram anticapitalista devido a inflamados discursos contra o capitalismo e a burguesia. Mas outros, não somente os marxistas, consideram que o fascismo veio em socorro ao capitalismo devido suas ações como proibições de greves, redução do poder de compra dos salários dos trabalhadores, investimento financeiro na indústria armamentista, dentre outras. No livro, ele adota a posição de avaliar sua fala tanto quanto sua ação. Ambas são importantes para o estudo. Uma outra contradição, nesse nível de teoria e prática, e a idéia em que os fascistas exaltavam uma utopia agrária, aparentemente se opunham à modernidade, mas seus líderes se exibiam em seus carros e aviões de último lançamento.
Uma grande ambigüidade está em se definir em qual posição se encontra o fascismo: direita ou esquerda? O que afirmavam com clareza era que não estavam no Centro. Sua alegação é que havia transcendido essas divisões, obsoletas, e teriam unido a nação.
A forma de entender tais ambigüidades, principalmente a relativa à modernidade, é acompanhar todo o processo do fascismo, seu desenvolvimento, conquista e exercício do poder.
Um outro problema das imagens é que elas enfocam os momentos mais dramáticos e acabam omitindo a experiência cotidiana. O fascismo também foi possível por ações e escolhas, aparentemente simples, de pessoas comuns. Sem essas ações cotidianas não se pode entender, por exemplo, como se deu a conivência por parte da sociedade civil diante de atrocidades.
Ao concluir o tópico, Paxton, deixa claro que obviamente se busca chegar a um conceito do que é fascismo, mas que chegará a ele ao final do exame de sua trajetória e histórica e de seus processos, não partirá de uma definição, e sim de estratégias.
ESTRATÉGIAS
As interpretações sobre o fascismo partem de conceitos e estratégias bastante diversas.
Uma delas é que se trata de uma “ideologia”. “Os próprios líderes nunca deixaram de afirmar que eram profetas de uma idéia, ao contrário dos materialistas liberais e socialistas”. (pág. 37 – 2º§)
Ao se buscar um embasamento teórico e doutrinário do fascismo, implica em compará-lo com outros grandes sistemas políticos baseados em pensadores e formuladores teóricos. No entanto, ele era uma invenção nova: “O fascismo não se baseia de forma explícita num sistema filosófico complexo, e sim no sentimento popular sobre as raças superiores, a injustiça de suas condições atuais e seu direito a predominar sobre os povos inferiores”. (pág. 38 – 2º§) Muitos intelectuais do início do movimento acabaram se afastando ou passando para a oposição devido a falta de arcabouço teórico.
A ideologia do fascismo assume importância central na radicalização em seu estágio final. Por tanto, ela serve para se analisar o início e o fim, não o meio mas é necessário observar todo o processo.
É necessário avaliar também o contexto de crise em que ele se formou e cresceu. E também porque assumiu formas tão distintas em cada país. Os diferentes resultados vão trazer uma comparação, que será e grande proveito.
“Os movimentos que deliberadamente se denominavam fascistas, ou usavam Mussolini como modelo, existiram em todos os países ocidentais após a Primeira grande Guerra e, em alguns casos, também fora do mondo ocidental. Por que razão movimentos de inspiração semelhante chegaram a resultados tão diferentes em diferentes sociedades? As comparações, usadas dessa maneira, serão uma das estratégias centrais deste trabalho.” ( pág. 45 – final do 3º § da pág. 44)
PARA ONDE VAMOS A PARTIR DAQUI?
Respondendo ao tópico, o livro ruma a buscar, primeiramente, por adotar a palavra “fascismo” como um termo genérico para representar a maior novidade política do séc. XX . Depois, deixar de lado, por um momento, os conceitos que trazem uma visão estática do fascismo e examiná-lo em ação, definindo os dois principais parceiros de coalizão fascista: os liberais e os conservadores. Assim será possível chegar ao final, a uma definição mais correta.
“Os fascismos que conhecemos chegaram ao poder com o auxílio de ex-liberais amedrontados, tecnocratas oportunistas e ex-conservadores, e governaram conjuntamente com eles, num alinhamento mais ou menos desconfortável. (...) Proponho examinar o fascismo em um ciclo de cinco estágios: 1) a criação dos movimentos; 2) seu enraizamento no sistema político; 3) a tomada do poder; 4) o exercício o poder; 5) e, por fim, o longo período de tempo durante o qual o regime faz opção ou pela radicalização ou pela entropia. Embora cada um desses estágios seja um pré-requisito do estágio seguinte, nada exige que um movimento fascista venha passar por todos eles, ou mesmo que se mova numa única direção.” (pág. 49 – 1º§)
“Separar os cinco estágios oferece uma série de vantagens, permitindo uma comparação plausível entre movimentos e regimes de graus de desenvolvimento equivalentes e ajudando-nos a ver que o fascismo, longe de ser estático, era uma sucessão de processos e de escolhas: a busca de seguidores, a formação de alianças, a disputa pelo poder e seu exercício. É por essa razão que as ferramentas conceituais que iluminam um estágio podem não funcionar tão bem para os demais. É chegada a hora de examinar cada um desses estágios, um por um.” (pág. 49- 2º §)
sábado, 22 de março de 2008
Fichamento - "Os Fascismos"
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
FICHAMENTO
TEXTO: “OS FASCISMOS” - Francisco Carlos Teixeira da Silva
INTRODUÇÃO:
O texto “Os Fascismos” traz uma análise sobre os movimentos e regimes de extrema direita que despontam em grande parte da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Seu objetivo é revelar que tal fenômeno não se cristaliza em um período histórico, assim como é encarado por grande parte da historiografia e pelo censo comum, mas traz consigo possibilidades de existir na sociedade atual como se observa em seu ressurgimento, o Neofascismo. Para isso, busca encontrar seus fundamentos e raízes descontruindo a concepção desse fenômeno como um fato histórico encerrado.
HISTÓRIA E POLÍTICA: O LABIRINTO HISTORIOGRÁFICO DO FASCISMO
A análise desse movimento político, durante muito tempo, vem trazendo uma abordagem intensificada na experiência alemã, e por poucas vezes a italiana, no entanto são observados regimes fascistas em vários outros países. O autor explica tal ênfase através da conjuntura política da Guerra Fria, pois ao se culpabilizar um conjunto maior de países, as antigas elites políticas seriam afastadas e assim, ocasionaria maior vulnerabilidade ante a sovietização, dentre outros fatores. Então, essa intensificação seria uma estratégia política. Na nova análise, torna-se, por tanto, importante estudar o fascismo de maneira geral, em todos os seus indícios, sem as mistificações feitas pela historiografia.
A nova historiografia traz teses em que o fascismo aparece como um fenômeno com possível universalidade, mas com especificidades nacionais e, como autonomia em relação a outras formas de autoritarismo.
O desafio atual é buscar explicações para o fascismo e neofascismo, como um modelo, não como um movimento restrito à história alemã e italiana.
FASCISMOS: EM BUSCA DE UM MODELO DE ANÁLISE:
A tentativa é analisar o fascismo como uma unidade, em que se agrupam diferentes aspectos. Mas de forte coerência externa: observada na identificação e colaboração entre os países europeus; e interna: o antiliberalismo, antidemocratismo e anti-socialismo são observados no processo interno de fascistização de cada país.
Apesar das semelhanças, em cada fascismo se encontra uma experiência original, nacional, específica. Um traço importante do fascismo era o próprio nacionalismo.
Através deste trecho, o autor deixa clara sua intenção: “Trabalharemos, desta forma, o conceito de fascismo como uma unidade de traços diversos que dão coerência a um fenômeno.” ( Ref: pág 124 - 3º §)
Seu método será comparativo, observando a ideologia, estilo político e os objetivos e formas de dominação. Para romper com a idéia de se ter a Alemanha como modelo exclusivo, sua análise se dará, igualmente, nas três situações: fascismos que só existiram como movimento ou partido; fascismos que chegaram ao poder, mas foram controlados por outras forças conservadoras; e os que tomaram o poder e o monopolizaram.
OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS: EM BUSCA DE UMA FENOMENOLOGIA DO FASCISMO
Busca-se aqui, uma observação da linguagem fascista. Essa observação permitirá compreender a fala, a ação e a aceitação do fascismo de forma conceitual. Um discurso meta político de grande aceitação e recepção por parte das massas.
1- O Antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista
O liberalismo era fortemente atacado e acusado pela crise daquele momento. É considerado como desagregador da ordem conservadora à medida que se sustenta na representatividade, expressa no Parlamento, onde existiam lutas partidárias que conduziam à corrupção. Somente o regime de um Estado forte poderia conter os conflitos sociais inerentes a tal desagregação. A dominação do Estado poderia “resgatar” a unidade interna e fortalecer o país no âmbito externo.
2 - O Estado orgânico e liderança carismática
Para combater a desagregação trazida pelo liberalismo, o fascismo ofereceria um Estado orgânico, onde cada um trabalha pelo bem comum. O Estado manteria a coesão social, resgataria a identidade nacional e isso se daria que por meio de um poder dominador, não num modelo de monolitismo, mas baseado num sistema de hierarquia de obediência pessoal centralizado no líder. Dentre outros aspectos, destaca-se o mecanismo de corporações, e a maximização do executivo na figura do líder.
“Tratava-se de uma resposta à crise de identidade gerada pelo individualismo liberal, e visava integrar o homem em corpos hierárquicos organizados pelo Estado.” (Ref. Pág 136 – 1º § )
3 – Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução
O corporativismo se mostra como um meio de fazer a Economia servir ao Estado e ao povo com uma nova forma de regulação econômica onde existiria a colaboração entre trabalho e capital; de controlar a massa à medida que o Estado regularia as relações de operários e empregadores e; de resgatar a identidade perdida no liberalismo desagregador e de interesses privados.
Não se poder confundir, por seu discurso anti capitalista, com a esquerda. Trazia características socialistas sim, mas na busca do bem-estar coletivo. Mas, ao contrário do socialismo marxista, que era científico, o fascismo apelava por valores míticos e inquestionáveis. Legitimadores, por tanto, da sua regulação.
4 – A destruição do eu e a negação do outro
Nesse ponto, o autor busca entender o caráter mais sombrio dos regimes fascistas. Em todos eles se observa o anti-semitismo, mas na Alemanha ele se torna política de Estado. A identificação de uma raça nacional, ariana, pura era uma característica fundamental do regime nazista (fascismo alemão). O autor se afasta do genocídio, não ignorando sua monstruosidade, para entender a lógica do ódio contra não só judeus, mas ciganos, gays, negros, etc.
Além dos fatores políticos, a explicação estaria nos próprios personagens enaltecedores da raça ariana, que buscam a perfeição, força, virilidade e o caminho pelo qual trilham é a rigidez no seu comportamento. Os sentimentos e pulsões inerentes ao homem seriam reprimidos, há frieza, falta de amor... o “eu’ então é destruído. Ao se deparar com o que não se enquadra nos padrões arianos, surge a estranheza. O afastamento do outro na busca da identificação com o coletivo gera dificuldades em se enxergar em comunidades solidárias como as das vítimas acima relacionadas. O autor sai do foco Holocausto-judeus e vai para Holocausto-alteridade para entender a não identificação, rejeição e ódio ao outro.
EM DIREÇÃO A UMA TEORIA DO FASCISMO
As características acima como: antiliberalismo, antimarxismo, organicismo social, liderança carismática e negação da diferença, possibilitam entender o que é o fascismo e não analisar um fato histórico. Entendê-lo como um fenômeno político com possibilidades de ressurgir como vemos hoje, nos nossos dias.
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271
FICHAMENTO
TEXTO: “OS FASCISMOS” - Francisco Carlos Teixeira da Silva
INTRODUÇÃO:
O texto “Os Fascismos” traz uma análise sobre os movimentos e regimes de extrema direita que despontam em grande parte da Europa após a Primeira Guerra Mundial. Seu objetivo é revelar que tal fenômeno não se cristaliza em um período histórico, assim como é encarado por grande parte da historiografia e pelo censo comum, mas traz consigo possibilidades de existir na sociedade atual como se observa em seu ressurgimento, o Neofascismo. Para isso, busca encontrar seus fundamentos e raízes descontruindo a concepção desse fenômeno como um fato histórico encerrado.
HISTÓRIA E POLÍTICA: O LABIRINTO HISTORIOGRÁFICO DO FASCISMO
A análise desse movimento político, durante muito tempo, vem trazendo uma abordagem intensificada na experiência alemã, e por poucas vezes a italiana, no entanto são observados regimes fascistas em vários outros países. O autor explica tal ênfase através da conjuntura política da Guerra Fria, pois ao se culpabilizar um conjunto maior de países, as antigas elites políticas seriam afastadas e assim, ocasionaria maior vulnerabilidade ante a sovietização, dentre outros fatores. Então, essa intensificação seria uma estratégia política. Na nova análise, torna-se, por tanto, importante estudar o fascismo de maneira geral, em todos os seus indícios, sem as mistificações feitas pela historiografia.
A nova historiografia traz teses em que o fascismo aparece como um fenômeno com possível universalidade, mas com especificidades nacionais e, como autonomia em relação a outras formas de autoritarismo.
O desafio atual é buscar explicações para o fascismo e neofascismo, como um modelo, não como um movimento restrito à história alemã e italiana.
FASCISMOS: EM BUSCA DE UM MODELO DE ANÁLISE:
A tentativa é analisar o fascismo como uma unidade, em que se agrupam diferentes aspectos. Mas de forte coerência externa: observada na identificação e colaboração entre os países europeus; e interna: o antiliberalismo, antidemocratismo e anti-socialismo são observados no processo interno de fascistização de cada país.
Apesar das semelhanças, em cada fascismo se encontra uma experiência original, nacional, específica. Um traço importante do fascismo era o próprio nacionalismo.
Através deste trecho, o autor deixa clara sua intenção: “Trabalharemos, desta forma, o conceito de fascismo como uma unidade de traços diversos que dão coerência a um fenômeno.” ( Ref: pág 124 - 3º §)
Seu método será comparativo, observando a ideologia, estilo político e os objetivos e formas de dominação. Para romper com a idéia de se ter a Alemanha como modelo exclusivo, sua análise se dará, igualmente, nas três situações: fascismos que só existiram como movimento ou partido; fascismos que chegaram ao poder, mas foram controlados por outras forças conservadoras; e os que tomaram o poder e o monopolizaram.
OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS: EM BUSCA DE UMA FENOMENOLOGIA DO FASCISMO
Busca-se aqui, uma observação da linguagem fascista. Essa observação permitirá compreender a fala, a ação e a aceitação do fascismo de forma conceitual. Um discurso meta político de grande aceitação e recepção por parte das massas.
1- O Antiliberalismo e antiparlamentarismo fascista
O liberalismo era fortemente atacado e acusado pela crise daquele momento. É considerado como desagregador da ordem conservadora à medida que se sustenta na representatividade, expressa no Parlamento, onde existiam lutas partidárias que conduziam à corrupção. Somente o regime de um Estado forte poderia conter os conflitos sociais inerentes a tal desagregação. A dominação do Estado poderia “resgatar” a unidade interna e fortalecer o país no âmbito externo.
2 - O Estado orgânico e liderança carismática
Para combater a desagregação trazida pelo liberalismo, o fascismo ofereceria um Estado orgânico, onde cada um trabalha pelo bem comum. O Estado manteria a coesão social, resgataria a identidade nacional e isso se daria que por meio de um poder dominador, não num modelo de monolitismo, mas baseado num sistema de hierarquia de obediência pessoal centralizado no líder. Dentre outros aspectos, destaca-se o mecanismo de corporações, e a maximização do executivo na figura do líder.
“Tratava-se de uma resposta à crise de identidade gerada pelo individualismo liberal, e visava integrar o homem em corpos hierárquicos organizados pelo Estado.” (Ref. Pág 136 – 1º § )
3 – Comunidade do povo e a sociedade corporativa: o fascismo enquanto revolução
O corporativismo se mostra como um meio de fazer a Economia servir ao Estado e ao povo com uma nova forma de regulação econômica onde existiria a colaboração entre trabalho e capital; de controlar a massa à medida que o Estado regularia as relações de operários e empregadores e; de resgatar a identidade perdida no liberalismo desagregador e de interesses privados.
Não se poder confundir, por seu discurso anti capitalista, com a esquerda. Trazia características socialistas sim, mas na busca do bem-estar coletivo. Mas, ao contrário do socialismo marxista, que era científico, o fascismo apelava por valores míticos e inquestionáveis. Legitimadores, por tanto, da sua regulação.
4 – A destruição do eu e a negação do outro
Nesse ponto, o autor busca entender o caráter mais sombrio dos regimes fascistas. Em todos eles se observa o anti-semitismo, mas na Alemanha ele se torna política de Estado. A identificação de uma raça nacional, ariana, pura era uma característica fundamental do regime nazista (fascismo alemão). O autor se afasta do genocídio, não ignorando sua monstruosidade, para entender a lógica do ódio contra não só judeus, mas ciganos, gays, negros, etc.
Além dos fatores políticos, a explicação estaria nos próprios personagens enaltecedores da raça ariana, que buscam a perfeição, força, virilidade e o caminho pelo qual trilham é a rigidez no seu comportamento. Os sentimentos e pulsões inerentes ao homem seriam reprimidos, há frieza, falta de amor... o “eu’ então é destruído. Ao se deparar com o que não se enquadra nos padrões arianos, surge a estranheza. O afastamento do outro na busca da identificação com o coletivo gera dificuldades em se enxergar em comunidades solidárias como as das vítimas acima relacionadas. O autor sai do foco Holocausto-judeus e vai para Holocausto-alteridade para entender a não identificação, rejeição e ódio ao outro.
EM DIREÇÃO A UMA TEORIA DO FASCISMO
As características acima como: antiliberalismo, antimarxismo, organicismo social, liderança carismática e negação da diferença, possibilitam entender o que é o fascismo e não analisar um fato histórico. Entendê-lo como um fenômeno político com possibilidades de ressurgir como vemos hoje, nos nossos dias.
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