sexta-feira, 30 de maio de 2008

Fichamento - “O Ressurgimento da Extrema Direita e do Nazismo: a dimensão histórica e internacional" Paulo F. Vizentini

O autor desse artigo objetiva chamar a atenção para a importância da reflexão sobre o neonazismo e a extrema direita. Além da perspectiva social, ética, filosófica e política, Paulo se baseia em uma dimensão histórica para analisar esse ressurgimento, que não deve ser ignorado pelo fato desses grupos serem periféricos ou marginais, levando em consideração que o Partido Nazista começou com 7 membros e em 14 anos já tinha cerca 850 mil filiados. Para tal análise, inicialmente distingue neonazismo, extrema direita, extremismo político, partido político, movimento político e o fenômeno de gangs. Conceitos distintos mais intimamente associados.
Divide sua análise em duas partes que serão, a seguir, expostas.

NASCIMENTO, EXPANSÃO E DERROTA E HIBERNAÇÃO.

Do ponto de vista imediato, o nazifascismo está ligado à crise do liberalismo e à crise da noção de progresso dos anos 20. Resgata tradições conservadoras que ficaram sufocadas com as Revoluções Liberais. Trata-se de uma resposta aos problemas sociais daquele momento, inclusive ao triunfo e existência da Revolução Soviética após à I Grande Guerra. Com a crise de 29, esses movimentos ganharam muito peso.
O autor fala também da conivência dos países democráticos em relação ao advento do nazifascismo, além de considerarem como um “mal menor”, o consideraram como um possível aliado na luta contra o socialismo. O fascismo foi derrotado na II Guerra Mundial, mas não totalmente eliminado, como alguns regimes podem confirmar: o de Salazar na Espanha e de Franco na França.
O período que chama de hibernação, refere-se a sua sobrevida, o período em que o movimento existe, porém não de forma explícita. Diz que a causa é fruto do resultado da II Guerra Mundial, o advento da Guerra Fria. Com a divisão geopolítica entre EUA e URSS, alguns países com a esquerda forte (Grécia, Itália, França) ficaram do lado ocidental e alguns onde a esquerda era fraca como Polônia, Hungria e Romênia ficaram do lado oriental. Para equilibrar e evitar a força da esquerda dos países ocidentais foram criadas grandes formações de centro e centro-direita. As direções desses partidos vieram da oposição ao fascismo, mas o autor questiona que para tal não seria necessária ter uma grande base eleitoral e ela não incluiria pessoas com passado ligado ao fascismo? O anti-comunismo passa a ser uma bandeira atrás da qual “fatores e atores” que tornaram possível a existência do fascismo, ainda depois da guerra, se escondem. Outro fator para a sua sobrevivência é a reconstrução da economia desses países e consequentemente uma nova tendência nos julgamentos de criminosos de guerra, inocentando principalmente empresários que tiveram participação ativa nesse regime.
Segue citando outros fatores que possibilitaram a sobrevivência do fascismo dentre eles o aproveitamento de recursos humanos e técnicos nazistas pelos EUA na Guerra Fria.


O RESSURGIMENTO DA EXTREMA DIREITA E DO NEONAZISMO

Nos anos 70 vem a crise dos anos dourados e consigo revoluções ultranacionalistas ou socialistas no Terceiro Mundo e geraram uma simpatia dos países do Primeiro Mundo, principalmente de jovens da classe média, com as causas dos países periféricos. No entanto, com a crise do petróleo houve recessão econômica que começou a afetar os países do Primeiro Mundo e essa simpatia passou a declinar. A forma como os paises europeus tratam as questões dos periféricos começa a mudar, principalmente com o surgimento de alguns capitalismos bem sucedidos no Terceiro Mundo em face à estagnação industrial da Europa.
Mesclado a isso, o déficit demográfico em alguns países europeus fez com que eles incentivassem a imigração a fim de conseguir mão-de-obra barata através de estrangeiros dos países dependentes. Isso foi gerando um conceito de “invasão bárbara”, e a xenofobia começa a crescer.
Outro fator é o movimento de crítica ao consumo. Os movimentos de contra-cultura como os hippies são substituídos pelo skinheads, que tomam caminhos políticos diferentes. O que para o autor é um local de recrutamento para organizações fascistas e neofascistas.
O autor chama atenção para diversos outros fatores políticos; econômicos como o desemprego e crises que motivaram o ataque a estrangeiros, ideológicos como a desilusão no que diz respeito à modernidade; além da violência, fundamentalismo, retorno ao misticismo dentre outros que formam a base dos movimentos neonazistas.
Finalmente, Paulo toma um posicionamento e diz: “Todas as sociedades do mundo devem se aliar para defender a herança que iniciou com o Renascimento. Essa modernidade ainda não esgotou, como dizem os pós-modernos, pelo simples fato de que 80% da população mundial ainda não teve aceso a essa modernidade; se tivesse, não estaria apoiando regimes e partidos que se nutrem do medo e da ignorância. O medo e a ignorância são a base desses movimentos, e as democracias devem se armar contra isso, através da mobilização social...” pág. 10 – 5º§ e ainda: “ Os riscos contidos no ressurgimento do nazismo e da extrema direita são incalculáveis. Estamos vivendo uma espécie de esgotamento, declínio e em alguns pontos, até colapso de uma ordem que existiu anteriormente. E o que irá substituir isso, ainda não está construído. É precisamente nesse hiato de pânico e desesperança que surge o medo.” Pág. 10 – 7º §.



VIZENTINI, Paulo F. “O Ressurgimento da extrema direita e do neonazismo: a dimensão histórica e internacional.” In.: MILMAN, Luís, VIZENTINI, Paulo. Neonazismo, negacionismo e extremismo político. Porto Alegre, Editora da Universidade, 2000.p. 17 a 46.

Resenha - O Triunfo da Vontade

RESENHA – FILME: O TRIUNFO DA VONTADE



O Triunfo da Vontade é um documentário dirigido e montado por Leni Riefenstahl, a cinegrafista oficial do Partido Nazista, escolhida pelo próprio líder para registrar os principais momentos de suas manifestações políticas. É uma seqüência de eventos repletos de discursos inflamados que se deram durante o Congresso do NSDAP, em 1934, na cidade de Nuremberg, sede do partido.
Apesar das limitações técnicas da época, o documentário nos permite avaliar alguns pontos importantes sobre o Nazismo.
Primeiramente, a suntuosidade do evento, com diversas paradas, desde o desfile de fazendeiros até os regimentos militares. Nota-se o valor dado por Hitler à estética, cada manifestação pode ser comparada a superproduções cinematográficas. Toda essa estética aparece como um instrumento de poder e afirmação, grandiosidade e soberania.
Os discursos inflamados levavam a massa ao delírio, não só Hitler, mas seus líderes quanto mais ovacionados mais em alto tom declaravam seus ideais. Aparecem os representantes de cada área do governo, o responsável por cada uma delas proclamava suas intenções e posicionamento político.
Nos discursos de Hitler observamos a busca da soberania e afirmação da raça ariana; a idéia de que a instituição de sua liderança foi por provisão divina, seu apego aos símbolos: bandeiras, estandartes; superioridade, dentre os arianos, de seus líderes políticos (darwinismo social); a importância da coragem, fidelidade e honra remetidas aos heróis ex-combatentes; dentre outros pontos que nos levam a perceber toda a exaltação e auto-afirmação de uma liderança que se julga capaz de mudar a realidade da nação. Uma de suas estratégias bem explícitas é a instrução de jovens que crescem disciplinados por essa ideologia e será a base de seu futuro.
Através dessa obra, observamos toda a mobilização de uma massa extremamente numerosa preparada para exaltar, afirmar, reverenciar o novo regime que se instaura, refletindo assim, as estratégias de Hitler para consolidação de sua soberania e claro, sua megalomania.

Resenha - Arquitetura da Destruição“Arquitetura da Destruição”

“Arquitetura da Destruição”
DIREÇÃO: Peter Cohen NARRAÇÃO: Bruno Ganz Suécia 1992 - 121 minutos




O Filme, Arquitetura da Destruição, busca uma explicação para a ideologia nazista e tem como tese, para essa explicação, a estética. A afirmação da identidade alemã, se daria pela limpeza racial, volta às tradições, valorização da antiguidade, e aclamação de uma raça superior: a ariana. O que fundamenta esse discurso seria a busca pelo belo, pelo embelezamento da sociedade que se reerguia.
Hitler, e outros componentes do partido nazista, pendiam para as artes, uns escritores, poetas, outros pintores, e o líder foi um desenhista que sonhava em ser arquiteto, mas foi frustrado. A arte e os ideais nazistas se fundem na busca do belo, a sociedade deveria ser bela, saudável, por isso, atrocidades foram cometidas, como a eutanásia de pessoas com doenças incuráveis, deformações, ou retardos mentais. Eles não poderiam atender aos padrões estéticos que eram impostos à sociedade alemã naquele momento. A saúde era cultuada, o médico surge como um líder político que não atende mais a um indivíduo, mas à raça.
O documentário mostra a fixação de Hitler pela antiguidade e seus padrões estéticos, o moderno era rechaçado. A arte moderna era considerada como degenerada, chamada de “bolchevismo cultural” e era atribuída aos judeus. As imagens características dessa arte, eram comparadas com as deformidades do homem, que deveriam ser extinguidas. Um conceito que também é resgatado é o da destruição total do inimigo, não basta vencer, tem que destruí-lo., como em Cartago.
A propaganda, os projetos urbanos, dentre eles o de Berlim, a”Grande Capital Nazista”, eram alvos dessa concepção artística e, inclusive, eram projetadas e desenhadas pelo próprio Hitler. Desenvolveram um grande papel no desenvolvimento do nazismo em toda a Alemanha.
Apresenta, finalmente, o que os nazistas chamaram de “Solução Final” , o assassinato em massa de milhões de judeus. O anti-semitismo foi entranhado e, após perseguição e tortura nos campos de concentração os judeus foram assassinados, em escala industrial. O autor nos chama a atenção para a destruição causada pelos nazistas, por meio dessa concepção de eliminação de tudo o que se opunha ao seu ideal de beleza e superioridade, pelo simples fato de ser diferente, se trata de eliminação de uma cultura, de um povo.
É uma obra que nos revela, brilhantemente, fundamentos da concepção nazista no que tange à superioridade racial. Não podemos, no entanto, reduzir a catástrofe causada pelos nazistas à excentricidade de Hitler. A análise deve se basear em pespectivas mais amplas da ideologia, como a política, dentre outras.

domingo, 18 de maio de 2008

FICHAMENTO - TEXTO: " A ANATOMIA DO FASCISMO" Cap. 7 Robert O. Paxton

Neste capítulo, inicialmente, o autor tenta responder a seguinte pergunta: O Fascismo ainda é possível? O marco inicial do fascismo foi encontrado com facilidade, apesar de existirem percussores antes da I Guerra Mundial, foi só com os sedimentos desta e da Revolução Bolchevique que de fato o fascismo se consolidou. No entanto, seu término se mostra difícil de ser marcado e desencadeia discussões.
Segundo Ernst Nolte, o fascismo seria produto de uma crise única e particular nascida de diversos fatores. Portanto, apesar de existir movimento fascista após 45, segundo ele “... havia sido despojado de qualquer significado real”. Pág 283 3º § O renascimento do fascismo clássico, da mesma forma do entreguerras, encontrou obstáculos como a repugnância por suas atrocidades e alguns desdobramentos do pós-guerra que impediram a sua volta.
No entanto, na década de 1990, o fim do regime foi posto em dúvida devido a alguns acontecimentos, como a primeira participação de um grupo neofascista num governo europeu em 1994 e a proliferação de grupos fragmentados, temas e práticas de extrema-direita.
Paxton então, diz que acreditarmos na recorrência do fascismo ou não depende do que entendemos como fascismo. Os que o consideram de forma mais categórica declaram seu fim. Os que o avaliam de forma mais frouxa pode ver indícios de sua sobrevivência. Mas “A posição mais comum é que, embora o fascismo ainda esteja vivo, as condições da Europa do entreguerras, que permitiram a ele fundar grandes movimentos e, até mesmo tomar o poder, deixaram de existir”. Pág 285 – 2º §
Paxton observa que os líderes de extrema-direita atualmente mostram seu lado moderado acolhendo simpatizantes e que, a posição européia contrária ao regime, imediatamente em 45, é temporária. De qualquer maneira o fascismo do futuro não precisa ter a configuração externa como a do entreguerras, seus signos e símbolos externos não precisam ser os mesmos. Analisa de acordo com seu esquema de estágios e conclui que os fascismos históricos foram moldados de acordo como ambiente político em que viviam, portanto, os atuais deveriam sofrer tal influência. Se considerarmos o renascimento do fascismo como um equivalente funcional e não uma repetição exata, ele é possível. Portanto, é necessária uma avaliação de seu funcionamento, não de seus símbolos exteriores, de forma superficial.
A região que mais apresenta a herança fascista de 1945 até hoje é a Europa ocidental.
Mesmo com a derrota do fascismo em 1945. ex-nazistas e ex-fascistas criam movimentos herdeiros em todos os países europeus. Paxton detalha esses movimentos na Alemanha e Itália, mas também na França, Grã-Bretanha, Áustria, Bélgica, entre outros. Inesperadamente, esses movimentos não surgiram só nas gerações que vivenciaram a guerra, mas também partidos de direita tiveram crescimento nos anos 1980 e 990. Isso se deu por diversos fatores de transformações econômicas e sociais como, o mais citado, problema da imigração de origem colonial. Foram surgindo, assim, oportunidades para o surgimento de uma nova geração de movimentos de extrema-direita na Europa Ocidental.
Houve para tal, estratégias de normalização, ou seja, distanciamento da linguagem e da imagem do fascismo. Essa estratégia foi maior na França, na Itália, na Áustria do que na Grã-Bretanha e Bélgica, por exemplo, porque as chances de sucesso eram maiores. Os programas e as declarações desses partidos refletem alguns temas fascistas clássicos como: medo da decadência e do declínio, ameaça à identidade nacional e à ordem social representada pelos estrangeiros inassimiláveis, etc. Mas outros temas clássicos não são vistos, como o ataque fascista à liberdade de mercado e ao individualismo econômico e, o ataque às instituições democráticas e ao Estado de direito. Nenhum partido de direita radical da Europa Ocidental adota uma política expansionista com exceção dos Bálcãs.
Mas apesar das comparações dos programas e da retórica mostra alguns pontos comuns entre fascismo clássico e a direita radical da Europa Ocidental, os programas e a retórica não devem ser os únicos fatores a ser comparados, há de se analisar também as circunstâncias do entreguerras que são bem diferentes do pós-guerra. Essas diferenças, portanto, mostram que não há abertura significativa para partidos abertamente filiados ao fascismo clássico.
No Leste Europeu pós -soviético, também se produziram movimentos de direita radical, que segundo Paxton, fizeram parte da coleção “mais virulenta” desses movimentos em todo o planeta. Ele ainda revela que “Foi na Iugoslávia pós -comunista que surgiu o equivalente mais próximo das políticas de extermínio já ocorrido na Europa do pós- guerra”. Pág 309-2º§ Fala dos projetos de Milosevic, Grande Sérvia, e de Tudjman, Grande Croácia.
Paxton ainda avalia a probabilidade de regimes fascistas não europeus, citando a América Latina, África, Japão e Estados Unidos. De fato, pode-se encontrar tanto características comuns quanto opostas. Questiona ainda a possibilidade da religião substituir o Estado no que tange à unidade e identidade.
Conclui que: “ se aceitarmos um interpretação do fascismo que não se limite à cultura do fim-de-século europeu, a possibilidade de um fascismo não europeu não é menor que a que existia na década de 1930, e talvez seja ainda maior, devido ao grande aumento do número de experiências fracassadas de implantação da democracia e de governo representativo ocorrido desde 1945.”pág 333- 2º§
De fato, a possibilidade do ressurgimento do fascismo é considerada de acordo com a interpretação que se faz sobre ele. Não devemos procurar réplicas exatas do fascismo, mas observá-lo dentro dos movimentos de extrema-direita que nos apresentam.




BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 7.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

FICHAMENTO 4: "A ERA DOS EXTREMOS" Cap. 5 - "Contra o Inimigo Comum"

Eric Hobsbawm nesse capítulo, Contra o Inimigo Comum, fala sobre a aliança firmada por países liberais e comunistas para derrotar a Alemanha de Hitler na 2ª Guerra Mundial. Tal aliança seria contraditória por se tratar de “grupos” opostos, mas em dado momento se tornou fundamental.
Inicialmente, caracteriza a situação política desse período como “uma guerra civil ideológica internacional”.
O fator ideológico não se definia mais pela oposição: capitalismo x comunismo, mas sim “progresso” x “reação”.
De um lado as forças do progresso são representadas pelo comunismo e capitalismo, pois ambos são herdeiros do iluminismo do séc. XVIII e das grandes revoluções. Do outro lado, da força da reação, estaria o fascismo, com seu caráter nacional de apego às raízes. Seus argumentos iam se fortalecendo pela crise do liberalismo.
Considera esse momento como guerra civil pelo fato de que os limites pró e antifascistas cortavam cada sociedade. Foi tomando caráter internacional com o surgimento da Alemanha de Hitler.
Por tanto, conforme Hitler foi se tornando uma ameaça, à medida que a Alemanha se torna um Estado cuja política e ambição eram determinadas pela ideologia, tanto para a esquerda quanto para a direita, o fascismo alemão se tornou um “inimigo comum”.
O autor trata do processo pelo qual se desenvolveu essa aliança, que não se tornou possível facilmente. Internamente a esquerda se encontrava em embates: comunistas x social democratas, após um ano à ascensão de Hitler é que se tornam a favor da unidade antifascista. Na direita a dificuldade era, principalmente para a Grã -Bretanha e França, a hesitação em entrar novamente em outra guerra pois esses países foram fortemente marcados pela Primeira Grande Guerra. A política nazista foi tolerável por um tempo, sendo possível encontrar tentativas de uma “política de apaziguamento”, que foi ineficaz. A guerra era inevitável, e o autor aponta um grande fosso entre o reconhecimento do perigo das potências do Eixo e o agir a respeito.
A Guerra Civil Espanhola, apesar do isolamento da Espanha em relação aos outros países europeus mais envolvidos com as questões políticas internacionais, para Hobsbawm, antecipou e moldou as forças que destruíram o fascismo. A lógica de guerra antifascista pendia para a esquerda, e isso foi observado em nível mundial. No entanto, salvo exceções, os comunistas não tentaram estabelecer regimes revolucionários em lugar nenhum. As revoluções que ocorreram foram contra a vontade de Stálin.
O autor fala dos movimentos de Resistência europeus que tiveram importância militar insignificante, até a retirada da Itália da guerra, e não decisiva. Seu maior resultado foi político e moral. Fala também sobre as mudanças sociais após a mobilização militar e civil.
Finalmente, trata do reflexo dessa situação política em todo o globo com implicações sobre a Ásia e América Latina. Encara a aliança antifascista como fruto de contingência e logo após a vitória aliada, com a inexistência do inimigo fascista para uni-los, o capitalismo e socialismo novamente “se preparam para enfrentar um ao outro como inimigos mortais.” Pág.177 – 1° §

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Fichamento - " A Anatomia dos Fascismos" cap. 8

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008





FICHAMENTO:
TEXTO 3 – “A ANATOMIA O FASCISMO” cap. 8 - Roberto O. Paxton


O autor nesse capítulo fecha seu livro, explanando suas conclusões.

O QUE É FASCISMO?

Ele abre esse tópico explicitando que seu objetivo não foi o de buscar uma essência do fascismo, estática e cristalizada, mas acompanhar o processo desde a formação até a tomada do poder. Deixa claro também, que baseado nos 5 estágios por ele proposto, cada fase deve ser analisada e levada em conta. Considera o fascismo como um composto de componentes distintos: conservadorismo, nacional-socialismo e direita radical, por tanto, ele era muito mais uma rede de relações que uma essência fixa.

INTERPRETAÇÕES CONFLITANTES

Após ter visto todo o ciclo, em sua totalidade, ele avalia as muitas interpretações sobre esse tema.
Várias são as interpretações avaliadas por Paxton: o fascismo é um instrumento do capitalismo; opostamente, a comunidade empresarial era vítima dele; respostas psicanalíticas para a obsessão de alguns fascistas (líderes e público), por tanto, o fenômeno é caracterizado por uma psicose; ele é um produto da história, fruto de um desenvolvimento econômico e social desigual; foi possível devido ao surgimento de uma sociedade de massas atomizada, gerada pelo nivelamento urbano e industrial a partir do fim do séc. XIX, vulnerável ao movimento, pois; é uma ditadura desenvolvimentista; é expressão do ressentimento da classe média inferior; uma subespécie do totalitarismo; uma religião política; é uma questão cultural. Chega a conclusão de que tais interpretações são equivocadas, já que são rechaçadas por outros estudos, ou incompletas por não responderem a certos questionamentos.


FONTEIRAS


Nesse tópico, diz sobre a necessidade de se estabelecer fronteiras entre o fascismo e as formas assemelhadas a ele, já que foi um fenômeno bastante copiado em vários lugares do mundo. Ele não pode ser confundido com a tirania clássica, com ditadura militar, ou autoritarismo. Esses fenômenos listados têm características, nas suas manifestações em regimes políticos, comuns ao fascismo, no entanto outras características que lhes são peculiares anulam a hipótese de serem considerados regimes fascistas. O autor enfatiza que essas fronteiras, essas linhas de separação, são bem tênues, bastante sutis e por tanto precisam de profunda análise.


O QUE É O FASCISMO?


Aqui, dá a definição esperada do fascismo:
“(...) definido como uma forma de comportamento político marcada por uma preocupação obsessiva com a decadência e a humilhação da comunidade, vista como vítima, e por cultos compensatórios da unidade, da energia e da pureza, nas quais um partido de base popular formado por militares nacionalistas engajados, operando em cooperação desconfortável, mas eficaz com as elites tradicionais, repudia as liberdades democráticas e passa a perseguir objetivos de limpeza étnica e expansão externa por meio de uma violência redentora e sem estar submetido a restrições éticas ou legais de qualquer natureza.” ( pág.358/359 – 3º §)

Ao final, conclui que o Estágio 1, por ele definido, do fascismo existe, hoje, em todos os países democráticos, inclusive os EUA. Esse nível se caracteriza pelo abandono das liberdades democráticas. Algumas poucas sociedades, segundo ele, chegaram ao Estágio 2, ele o determina como algo próximo do fascismo clássico. Deixa claro que o avanço à tomada do poder depende em grande parte do aprofundamento da crise, mas também, depende de decisões, escolhas humanas dos detentores do poder econômico, social e político. Conclui ainda, que é difícil determinar a forma correta de reagir ao avanço fascista, já que seu ciclo não se replica sempre da mesma forma, mas compreender a forma pela qual ele atingiu o êxito dará chances de reagir de forma mais sensata.



BIBILOGRAFIA: PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361

Resenha - 1900 Homo Sapiens

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
IFCS – HISTÓRIA
DISCIPLINA: TÓP. EM HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA II
PROF: RICARDO CASTRO
ALUNO(a): ALINE DUARTE DA GRAÇA DRE: 107413271

RIO DE JANEIRO, 04 DE ABRIL DE 2008




RESENHA – FILME: 1900 HOMO SAPIENS



O Filme Homo Sapiens é um documentário feito pelo diretor sueco, da cidade de Lund, Peter Cohen. Ele nasceu em 1946, após a II Guerra Mundial, e é filho de um judeu alemão que fugiu de Berlim durante a guerra. Seu grande sucesso foi Arquitetura da Destruição. O filme trata da Eugenia: estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente. (definição: Francis Galton).
O documentário é baseado em arquivos de filmes e fotos que mostram de maneira clara como o conceito de eugenia foi explorado e pesquisado no durante o séc XX. As pesquisas se deram em vários países da Europa e nos EUA, mas o foco do filme é trazer à tona os objetivos e a crueldade dessas pesquisas na Alemanha fascista e na URSS.

Um dos conceitos centrais do nazismo é a “Raça Ariana”, a raça que seria legitimamente germânica e superior a todas as outras. Consequentemente, esse conceito abriu margem para a grande busca pelo corpo perfeito, descartando literalmente da sociedade aqueles que tinham deformidades ou eram considerados fora dos padrões arianos. Isso foi chamado de darwinismo social, ou limpeza social. Para tal “política de limpeza” o governo usou dos recursos de cientistas que estavam envolvidos nas pesquisas sobre a eugenia. Buscava-se criar uma sociedade de homens fortes e bonitos, onde de fato só os dotados dessas qualidades venceriam. O filme mostra que esse conceito não se limitou ao governo, mas se entranhou na sociedade. Um exemplo é o trecho em que mostra o governo direcionando uma série de requisitos a serem preenchidos por médicos após avaliarem crianças que, segundo tal política não seriam “perfeitas”, e os próprios médicos não observavam tais requisitos, e condenavam arbitrariamente à morte as crianças que eles consideravam “imperfeitas”, manipulando os motivos para a sentença.

Na URSS o foco não era o corpo em si, mas o cérebro. As pesquisas buscavam estudar os cérebros de homens brilhantes, como Lênin, e encontrar a forma de gerar uma sociedade de homens inteligentes. Comparavam a reprodução humana com a de animais, onde se escolhe os progenitores por suas qualidades genéticas, a fim de gerarem crianças, segundo o padrão determinado. Descartava-se aí, o amor entre os pais e a instituição da família. Os homens e mulheres passariam a ser simplesmente reprodutores de “gênios”.


O autor critica, através desse documentário, as atrocidades cometidas através do mau uso da eugenia. Os estudos de Darwin sobre a seleção natural, de Mendel e outros geneticistas foram usados para a produção planejada e manipulada de pessoas “fortes”, “bonitas”, “inteligentes”, enfim, pessoas que fariam parte de uma sociedade racialmente superior. Isso tudo a custo de muitas vidas que foram friamente mortas por terem nascido com algum tipo de defeito, que não as impedia de viver, mas simplesmente não as permitia atender a um padrão determinado por homens que não souberam respeitar a vida humana.